A frase que dá nome a este blog foi proferida por Jim Hansen, pesquisador senior da NASA, preso num protesto em frente à Casa Branca. Refere-se à necessidade de que os cientistas do clima comuniquem à sociedade seus conhecimentos pois estes se relacionam a questões cruciais para o futuro do gênero humano e da vida no planeta. O megafone da foto simboliza essa atitude de falar sobre o risco climático em voz alta, de forma enfática e com o maior alcance possível.
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domingo, 31 de outubro de 2021
Um Recorde Trágico e Nosso Dever de Casa
sábado, 23 de junho de 2018
3 Décadas de Inoperância que Podem Custar a Civilização
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| James Hansen, um dos pioneiros dos estudos de mudanças climáticas, prestando depoimento ao Congresso dos EUA há 30 anos. De lá para cá, as condições se agravaram de maneira bastante acelerada. |
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017
Aquecimento Global: 79 Anos de Evidências
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| Guy Callendar (1897-1964). Foto: Wikipedia. |
"Pela combustão, o homem adicionou cerca de 150.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono ao ar durante o último meio século. O autor estima, a partir dos melhores dados disponíveis, que cerca de três quartos disto permaneceu na atmosfera. Os coeficientes de absorção de radiação de dióxido de carbono e vapor d'água são usados para mostrar o efeito do dióxido de carbono na "radiação celeste". A partir disso, o aumento da temperatura média, devido à produção artificial de dióxido de carbono, é estimado em 0,003ºC por ano, na atualidade. As observações de temperatura em estações meteorológicas do mundo são usadas para mostrar que as temperaturas mundiais na verdade aumentaram a uma taxa média de 0,005°C por ano durante o último meio século."
É este o resumo de um artigo intitulado "A Produção Artificial de Dióxido de Carbono e sua Influência na Temperatura", publicado por Guy Stewart Callendar, em 16 de fevereiro de 1938, há 79 anos, portanto.
terça-feira, 27 de dezembro de 2016
quinta-feira, 22 de dezembro de 2016
Oceano azedo: há mais sobre o CO2 do que a mudança climática
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
O dia 26 de agosto de 2016 será para sempre lembrado. Dica: tem a ver com o CO2.
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| 26 de agosto é aniversário do Palmeiras e de Madre Tereza. Mas a partir de 2016 ficará marcado por algo impressionante. |
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
"Saldo de Carbono" negativo: Com 400 ppm de CO2 já adentramos a zona de perigo.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
400 ppm de CO2: a Atmosfera da Terra como Lata de Lixo do Capital
Terra: ajuste
delicado
Com exceção de um ou outro astronauta, a grande maioria de
nós vive, do primeiro ao último dia de vida, imerso nesta delgada película de
ar que recobre a Terra: a atmosfera. Além de garantir-nos o oxigênio que
respiramos e usamos para retirar energia dos alimentos e, graças à presença de
ozônio em suas camadas superiores, nos proteger da radiação ultravioleta com
que o Sol bombardeia o planeta, a atmosfera cumpre também um papel regulador do
clima, graças ao chamado “efeito estufa”.
Exercido por gases minoritários na atmosfera terrestre
(vapor d’água, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), o efeito estufa é
fundamental para o clima ameno da Terra, assegurando a ocorrência de água em
estado líquido e, portanto, garantindo as próprias condições de existência da
vida como a conhecemos. Sem esse efeito, a Terra seria nada mais que uma esfera
congelada e árida; com efeito estufa em demasia, seus oceanos poderiam ferver
deixando para trás uma paisagem infernal como a do planeta vizinho, Vênus,
recoberto por nuvens de ácido sulfúrico e onde o chumbo escoa, em estado
líquido, em sua superfície causticante. É um ajuste delicado, do qual
dependemos.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Entrevista com Naomi Klein: "O que estamos a desmantelar agora é o nosso próprio planeta"
Apresentamos entrevista concedida por Naomi Klein, jornalista e uma das mais destacadas ativistas climáticas do presente, à revista Der Spiegel. A entrevista (traduzida a partir do inglês) toca em vários pontos abordados em seu livro "This changes everything: capitalism vs. the climate" (“Isto muda tudo: o capitalismo contra o clima”) e por vezes chega a mostrar a tensão em torno do tempo. Naomi Klein relaciona claramente a crise climática ao poder das corporações e chega a tocar em como a lógica de dominação sobre a natureza está associada à própria ideologia do patriarcado. Imperdível.
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Der Spiegel: Naomi, por que não conseguimos deter a mudança climática?
Naomi Klein: Má sorte. Mau momento. Muitas coincidências infelizes.
Spiegel: A catástrofe errada no momento errado?
quarta-feira, 25 de março de 2015
Termelétricas: Números Estarrecedores, Crime contra o Clima!
People and Climate no Facebook. Eram duas páginas de anúncio de 1962, da Humble, companhia de petróleo que mais tarde veio a se chamar... Exxon! A frase, em tom altissonante, em tradução livre, é "a cada dia a Humble provê energia em quantidade suficiente para derreter 7 milhões de toneladas de geleiras". É um número impressionante, que já mostrava a pujança da antecessora da maior petroquímica dos EUA há 5 décadas, mas parece uma estranha manifestação de "honestidade" da parte de uma das companhias que mais financiam o negacionismo climático hoje em dia. Claro, o que a hoje Exxon queria mostrar é que ela produzir muito petróleo, mas seria interessante que a sinceridade fosse real e ela mostrasse o quanto de geleiras o CO2 por ela emitido efetivamente derrete!
terça-feira, 17 de março de 2015
Porque emissões de CO2 "congeladas" não podem ser motivo de comemoração, mas de luta!
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| A Agência Internacional de Energia anunciou que as emissões de CO2 do setor de energia não cresceram de 2013 a 2014. Mas há razões para euforia? |
Em sua grande parte, houve entusiasmo junto ao movimento ambientalista, mas a mim parece que a necessidade de celebrar pequenas vitórias para manter o nosso ânimo e reduzir o fardo psicológico dos revezes ambientais (e também os revezes em direitos, na luta pela igualdade, justiça e democracia) pode nos jogar para um terreno arriscado, que é o de enxergar essas pequenas vitórias onde elas de fato não existem.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
400 partes por milhão e a Luta de Classes (artigo de Victor Wallis)
Spectrezine", republicado por "Socialism and Democracy", e por "Climate and Capitalism".
Como se sabe, o CO2 anualmente tem um "sobe-e-desce", associado ao ciclo das estações do ano principalmente no Hemisfério Norte. No outono para o inverno, as árvores perdem as folhas e sua decomposição gera CO2 que vai para a atmosfera, enquanto na primavera e verão, as folhas renascem, a fotossíntese domina e a sua concentração cai. Acontece que quando se olha para uma sequência de vários anos, o padrão que se obtém é a chamada "Curva de Keeling", mostrando claramente que a acumulação de CO2 causado pelas emissões humanas é o padrão dominante e que esse aumento tem se acelerado incessantemente.
Como se sabe, o CO2 anualmente tem um "sobe-e-desce", associado ao ciclo das estações do ano principalmente no Hemisfério Norte. No outono para o inverno, as árvores perdem as folhas e sua decomposição gera CO2 que vai para a atmosfera, enquanto na primavera e verão, as folhas renascem, a fotossíntese domina e a sua concentração cai. Acontece que quando se olha para uma sequência de vários anos, o padrão que se obtém é a chamada "Curva de Keeling", mostrando claramente que a acumulação de CO2 causado pelas emissões humanas é o padrão dominante e que esse aumento tem se acelerado incessantemente.
terça-feira, 18 de novembro de 2014
Pena Branca e a Velha a Fiar
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| Cena de "A Velha a Fiar", curta-metragem de 1964 |
A "Velha a Fiar" é uma canção popular, que inspirou um curta-metragem brasileiro de 1964 com direção de Humberto Mauro, tendo como trilha a canção, interpretada pelo Trio Irakitan.
Começando por uma interação simples, entre a velha senhora e uma mosca, que lhe tira o sossego, a música segue - de certa forma até irritante - concatenando outros elementos: a aranha, que importuna a mosca; o rato, que incomoda a aranha etc.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Clima não rima com lucro: da Especulação Financeira à Especulação com o Sistema Terra.
O negacionismo climático tem em comum com a lógica do mercado financeiro muito mais do que simplesmente a defesa da continuidade dos combustíveis fósseis ou o vínculo em geral facilmente identificado com a direita organizada. Envolve também uma perspectiva irresponsável, um comportamento de risco e uma linha de raciocínio de que o "estrago", em acontecendo o pior, pode ser repassado adiante, seja aos trabalhadores (que arcam sempre com o ônus de bancos "socorridos" pelo Estado ou de "bolhas" financeiras estouradas), seja às gerações futuras (a quem caberá desatar o nó da crise climática segundo os negacionistas quando estes fazem concessão, por um minuto, de sua farsa e admitem que a mudança no clima pode vir a provocar catástrofes).
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Supertufão Haiyan: dentro de cada nova tempestade violenta está o DNA da indústria de combustíveis fósseis e do capitalismo
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| Imagem de satélite mostrando o disco terrestre e o tufão Haiyan |
No momento em que escrevia este artigo, nas Filipinas, a contagem dos mortos atingia 4000 pessoas e continuava a crescer [1], 12 dias após o Supertufão Haiyan (também chamado de "Yolanda") atingiu aquele país com o poderio de ventos sustentados de 310 km/h e rajadas que chegaram a 375 km/h. Ele foi classificado como de "Categoria 5", a classe das tempestades mais poderosas, usando a escala atualmente adotada para classificar furacões [2]. No entanto, com ventos tão fortes, se uma nova classe fosse adicionada à escala oficial, Haiyan certamente seria classificado como "Categoria 6". Ele foi reconhecido como uma das tempestades mais violentas a atingir assentamentos humanos em todos os tempos. Juntamente com os ventos intensos, a inundação provocada pela tempestade provocou imediatamente uma quantidade enorme de danos materiais e perda de vida. Muitas centenas de milhares de pessoas ficaram desabrigados; muitos foram transformados em órfãos/órfãs e viúvos/viúvas.
sábado, 11 de maio de 2013
Trezentos, quatrocentos, quinhentos...
9 de Maio de 2013: os instrumentos do observatório de MaunaLoa registraram, pela primeira vez desde que as medidas se iniciaram, uma média
diária de concentração de dióxido de carbono (CO2) acima de 400partes por milhão (ppm). O valor foi excedido em apenas 3 centésimos de ppm (a
média diária registrada foi 400,03), o que evidentemente, do ponto de vista
físico, não faz nenhuma diferença, por exemplo, em relação a 399,99. Também é
preciso dizer que, em virtude do ciclo anual da vegetação no Hemisfério Norte,
é em Maio que as concentrações de CO2 atingem seu pico e certamente
uma média anual de 400 ppm talvez
ainda requeira 3 anos para se configurar. O valor do dia 09/05/2013 é
suficiente, porém, para servir de marco simbólico.
domingo, 10 de março de 2013
Mudanças Climáticas Globais e Leilões do Petróleo no Brasil - Parte I: A quem interessam. A quem não.
A Ciência do clima é muito clara: o sistema climático está realmente
aquecendo, este aquecimento é causado pela acumulação de gases de vida estufa
de vida longa, especialmente dióxido de carbono (seguido de metano, óxido
nitroso e halocarbonetos) e a origem desse desequilíbrio químico atmosférico
está nas atividades humanas, especialmente no uso de combustíveis fósseis
(carvão, petróleo e gás natural), como estabelecido nos relatórios de avaliação
do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (Intergovernmental Panel on Climate Change, IPCC), especialmente o
AR4 [1].
domingo, 3 de março de 2013
''A concentração de CO2 hoje está beirando 400 partes por milhão.'' Entrevista concedida ao IHU
Concedi entrevista ao site do Instituto Humanitas Usininos (IHU), que reproduzo a seguir. O mesmo Instituto, cujas posições são, em geral, muito boas, havia, lamentavelmente, oferecido um generoso espaço ao mais estridente negacionista brasileiro, Luís Carlos Molion.
"Ciência é algo verificável, baseado em evidências e cumulativo. Mesmo tendo titulação acadêmica, não se pode afirmar qualquer coisa, desconectando-se da realidade", considera o pesquisador.

"Este ano será divulgado o quinto relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas – IPCC e, apesar do conservadorismo da comunidade científica, as evidências são tão gritantes que, sem dúvida, algumas das afirmações do relatório referentes ao aquecimento global e ao papel antrópico vão ser mais fortes ainda que do quarto", informa Alexandre Araújo Costa, professor titular da Universidade Estadual do Ceará, em entrevista concedida, por telefone, à IHU On-Line.
Segundo ele, "o IPCC deixa muito claro que o aquecimento global é inequívoco. Ele existe e é antrópico. Não há como explicar esse aquecimento a não ser pelo aumento na concentração dos gases do efeito estufa. Se fosse pela atividade solar e outros efeitos naturais, teríamos tido, na realidade, um ligeiro resfriamento na metade final do século XX, uma diminuição da ordem de 0,1 a 0,2 graus e não um aquecimento de 0,8 graus".
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Nos "top ten"! 2012 desafia La Niña e entra para a lista dos mais quentes!
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| Evolução das anomalias de temperatura ao longo do ano para 2012, em comparação com os cinco anos mais quentes do registro histórico. Fonte: http://www.ncdc.noaa.gov/sotc |
Um ano que começou com um evento de La Niña, no Pacífico, como 2012, deveria ter sido marcado por temperaturas relativamente mais baixas. Foi o que aconteceu, como se pode perceber na Figura ao lado, no início do ano. No entanto, o que se pode perceber é que, com o enfraquecimento e desaparecimento desse fenômeno, as temperaturas globais rapidamente subiram, e 2012 se aproximou dos anos mais quentes do registro histórico.
2012 encerrou como o décimo mais quente desse registro, iniciado em 1880, 0,57°C acima da média histórica. É o 36º ano consecutivo em que as temperaturas globais ficaram mais quentes do que essa média (de 1977 para cá). Se você tem 36 anos de idade ou menos, portanto, você não teve oportunidade de viver um ano sequer de sua vida em que as temperaturas globais estivessem abaixo do "normal".
sábado, 22 de dezembro de 2012
Números II - Logaritmos e Regras de Três
Evidentemente, para representarmos corretamente os processos físicos e as interações biogeoquímicas no interior do sistema climático, são necessários modelos sofisticados das componentes desses sistemas. Os chamados "Modelos do Sistema Terrestre" de hoje em dia são gigantescos programas de computador com muitos milhares e até milhões de linhas que incluem tipicamente um modelo de circulação geral da atmosfera, um modelo oceânico global, modelos de gelo marinho e continental e um modelo de superfície com solo, vegetação e hidrologia continental dinâmicos, além de módulos de química, ciclo do carbono, etc.
Isso pode fazer com que a Ciência do Clima pareça obscura para a grande maioria das pessoas. Mas para se obter uma estimativa de alguns números, cruciais para que se estabeleçam metas de estabilização das concentrações de gases de efeito estufa, podemos usar representações mais simples, que permitem que boa parte das pessoas nos compreenda. Vamos tentar fazer isto neste texto.
Isso pode fazer com que a Ciência do Clima pareça obscura para a grande maioria das pessoas. Mas para se obter uma estimativa de alguns números, cruciais para que se estabeleçam metas de estabilização das concentrações de gases de efeito estufa, podemos usar representações mais simples, que permitem que boa parte das pessoas nos compreenda. Vamos tentar fazer isto neste texto.
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