20 dias após a execução brutal de Marielle Franco, a ferida aberta na sociedade brasileira se recusa a fechar. Pelo contrário, sangra mais e mais. E a deterioração da situação política no País não para de se agravar, com ataque a tiros à caravana de Lula no Sul, com um general da reserva chantageando abertamente o STF e o país inteiro, com ameaça de golpe militar a depender do posicionamento da corte, com um bufão com posições abertamente fascistas despertando simpatia de 1/5 ou mais do eleitorado. Neste cenário, mesmo pessoas próximas, sensíveis às ditas "causas ambientais" ou à "pauta ecossocialista" questionam "como falar de mudanças climáticas em tais condições?" ou "não seria o caso de deixar um pouco de lado essas bandeiras ambientais?" ou, pior, se colocam aberta ou veladamente na linha de considerar tudo isso como algo "secundário", senão a priori, pelo menos na atual conjuntura. Mas será que essa linha de raciocínio está correta?
A frase que dá nome a este blog foi proferida por Jim Hansen, pesquisador senior da NASA, preso num protesto em frente à Casa Branca. Refere-se à necessidade de que os cientistas do clima comuniquem à sociedade seus conhecimentos pois estes se relacionam a questões cruciais para o futuro do gênero humano e da vida no planeta. O megafone da foto simboliza essa atitude de falar sobre o risco climático em voz alta, de forma enfática e com o maior alcance possível.
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terça-feira, 3 de abril de 2018
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Cadê o Gelo que Estava Aqui?
O Ártico, além de abrigar diversas espécies de outros animais, como o urso polar (Ursus maritimus) e a raposa-do-Ártico (Alopex lagopus), mostrada na foto ao lado, é também o lar de inúmeros povos e comunidades tradicionais. Há diversas mudanças em curso no clima global, incluindo mudança na frequência de eventos extremos como ondas de calor, secas, furacões. Algumas dessas mudanças são nítidas, mas talvez nenhuma seja tão dramática, rápida e visível quanto o que está acontecendo por lá.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
O dia 26 de agosto de 2016 será para sempre lembrado. Dica: tem a ver com o CO2.
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| 26 de agosto é aniversário do Palmeiras e de Madre Tereza. Mas a partir de 2016 ficará marcado por algo impressionante. |
sábado, 8 de outubro de 2016
Recordes de temperatura literalmente de outro mundo.
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| Gráfico gerado a partir dos dados de Marcott et al. (2013), adaptados por Tamino. Fonte: "Skeptical Science", no link: www.skepticalscience.com/marcott-hockey-stick-real-skepticism.html |
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Clima não rima com lucro ou porque a crise climática não se resolveu em Paris
O artigo a seguir, de minha autoria, foi publicado recentemente no 11º número da revista "Socialismo e Liberdade", publicada pela Fundação Lauro Campos. A fundação é ligada ao PSOL, como uma espécie de "usina de ideias" para o partido, mas me agrada que ela se coloque para além disso e se pretenda "um fórum amplo dos que na sociedade brasileira se identificam com os valores do socialismo e da liberdade"
Como coloco no final do mesmo, é "estranho e lamentável que boa parte da esquerda não tenha acordado para a urgência e relevância da questão (climática)". No entanto, o fato de tal artigo ter aparecido no veículo pode ser um chama de esperança no sentido de que isso se reverta. Quem sabe?
Como coloco no final do mesmo, é "estranho e lamentável que boa parte da esquerda não tenha acordado para a urgência e relevância da questão (climática)". No entanto, o fato de tal artigo ter aparecido no veículo pode ser um chama de esperança no sentido de que isso se reverta. Quem sabe?
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
"Saldo de Carbono" negativo: Com 400 ppm de CO2 já adentramos a zona de perigo.
sexta-feira, 8 de maio de 2015
400 ppm de CO2: a Atmosfera da Terra como Lata de Lixo do Capital
Terra: ajuste
delicado
Com exceção de um ou outro astronauta, a grande maioria de
nós vive, do primeiro ao último dia de vida, imerso nesta delgada película de
ar que recobre a Terra: a atmosfera. Além de garantir-nos o oxigênio que
respiramos e usamos para retirar energia dos alimentos e, graças à presença de
ozônio em suas camadas superiores, nos proteger da radiação ultravioleta com
que o Sol bombardeia o planeta, a atmosfera cumpre também um papel regulador do
clima, graças ao chamado “efeito estufa”.
Exercido por gases minoritários na atmosfera terrestre
(vapor d’água, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), o efeito estufa é
fundamental para o clima ameno da Terra, assegurando a ocorrência de água em
estado líquido e, portanto, garantindo as próprias condições de existência da
vida como a conhecemos. Sem esse efeito, a Terra seria nada mais que uma esfera
congelada e árida; com efeito estufa em demasia, seus oceanos poderiam ferver
deixando para trás uma paisagem infernal como a do planeta vizinho, Vênus,
recoberto por nuvens de ácido sulfúrico e onde o chumbo escoa, em estado
líquido, em sua superfície causticante. É um ajuste delicado, do qual
dependemos.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Dia da Terra e década decisiva para o clima
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| Por que um "Dia da Terra"? |
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
400 partes por milhão e a Luta de Classes (artigo de Victor Wallis)
Spectrezine", republicado por "Socialism and Democracy", e por "Climate and Capitalism".
Como se sabe, o CO2 anualmente tem um "sobe-e-desce", associado ao ciclo das estações do ano principalmente no Hemisfério Norte. No outono para o inverno, as árvores perdem as folhas e sua decomposição gera CO2 que vai para a atmosfera, enquanto na primavera e verão, as folhas renascem, a fotossíntese domina e a sua concentração cai. Acontece que quando se olha para uma sequência de vários anos, o padrão que se obtém é a chamada "Curva de Keeling", mostrando claramente que a acumulação de CO2 causado pelas emissões humanas é o padrão dominante e que esse aumento tem se acelerado incessantemente.
Como se sabe, o CO2 anualmente tem um "sobe-e-desce", associado ao ciclo das estações do ano principalmente no Hemisfério Norte. No outono para o inverno, as árvores perdem as folhas e sua decomposição gera CO2 que vai para a atmosfera, enquanto na primavera e verão, as folhas renascem, a fotossíntese domina e a sua concentração cai. Acontece que quando se olha para uma sequência de vários anos, o padrão que se obtém é a chamada "Curva de Keeling", mostrando claramente que a acumulação de CO2 causado pelas emissões humanas é o padrão dominante e que esse aumento tem se acelerado incessantemente.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Brasil Seco: o que a Superinteressante mostrou... e o que ela não mostrou.
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| O terceiro chimpanzé está assando o planeta |
Como tento fazer na maioria dos casos, ainda que isso me renda um bocado de trabalho, preferi responder por escrito. Os jornalistas, mesmo os mais competentes, de mais boa fé e compromisso com a boa informação, vivem sob forte pressão produtivista e, claro, não se pode exigir deles pleno domínio da temática do clima. A resposta escrita reduz as dificuldades impostas por essas barreiras e, via de regra, garante um repasse mais fidedigno de informação. Fica, portanto, o convite para acessar o link acima e ver o que a Super mostrou, bem como a ler a entrevista completa abaixo e ver o que ela não mostrou.
domingo, 30 de novembro de 2014
Por uma Revolução Energética
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| Imagem de intervenção feita em uma das principais praças de Fortaleza, para debater sobre crise hídrica, mudanças climáticas e questão energética. |
sábado, 8 de novembro de 2014
Tacloban, um ano depois
Há um ano atrás, ventos de mais de 300 km/h, as chuvas torrenciais e uma brutal "onda (ou maré) de tempestade" de 4 metros (quantidade enorme de água arrastada pelos ventos de grandes tormentas para dentro do continente) punha abaixo uma cidade de mais de 200 mil habitantes, capital de uma das províncias das Filipinas: Leyte, na ilha de mesmo nome. Foram 6201 mortos na tragédia.
O governo local ficou desestruturado e incapaz de agir, sem local de funcionamento, em meio a uma cidade sem energia elétrica, sem comunicações, sem serviço de água ou esgoto e com cadáveres espalhados por toda parte. Após um sobrevoo, um militar dos EUA descreveu, em choque: "não consigo encontrar uma única estrutura da cidade, um único prédio, uma única casa, que não tenha sido, quando não completamente destruída, pelo menos severamente danificada".
O governo local ficou desestruturado e incapaz de agir, sem local de funcionamento, em meio a uma cidade sem energia elétrica, sem comunicações, sem serviço de água ou esgoto e com cadáveres espalhados por toda parte. Após um sobrevoo, um militar dos EUA descreveu, em choque: "não consigo encontrar uma única estrutura da cidade, um único prédio, uma única casa, que não tenha sido, quando não completamente destruída, pelo menos severamente danificada".
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Viagem ao Mundo de 400 ppm
Scripps e no site da NOAA) estão a cada dia com "cara mais feia". A medida diária recorde ainda é de 01/05/2014: 403,1 partes por milhão (ppm), mas tem tudo para ser batido. Também deve ser superada a média mensal de Abril (401,3 ppm), já que a média mensal de CO2 neste mês de Maio será, com certeza, novo recorde, provavelmente acima de 402,5 ppm. É quase certo também que, este ano, teremos 3 meses com concentração de CO2 acima de 400 ppm, pois o mês de Junho deve fechar com algo em torno de 401,5 ppm (em Abril, já tivemos média de 401,3 ppm).
Em Julho, seguindo o ciclo anual, essa concentração deve descer abaixo de 400 ppm, para fechar, ao fim de 2014, numa média anual recorde próximo a 399 ppm (ou até acima!). 2015, assim, deverá ser o primeiro ano para o qual a média deverá superar 400 ppm.
Em Julho, seguindo o ciclo anual, essa concentração deve descer abaixo de 400 ppm, para fechar, ao fim de 2014, numa média anual recorde próximo a 399 ppm (ou até acima!). 2015, assim, deverá ser o primeiro ano para o qual a média deverá superar 400 ppm.
segunda-feira, 7 de abril de 2014
Pulgas "marxistas" ou Pé de Dragão Verde?
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| Semeando o quê, barbudo? |
Do que conheço da abordagem devida da obra de Marx e de outros pensadores e pensadoras da transformação social e da revolução, a perspectiva é (ou deveria ser) sempre a de abordagem crítica, viva, atual. Como na Física, em que se superou a Mecânica Newtoniana por uma teoria mais ampla (que não a invalida, mas a generaliza) e a Relatividade de Einstein veio apoiada em novas informações de realidade (o Eletromagnetismo de Maxwell, o experimento de Michelson-Morley, os trabalhos de Lorentz e Poincaré), eu não concebo como as pessoas pretendam, em pleno século XXI, achar todas as soluções em textos da Alemanha do século XIX (por mais universalistas que se tenham pretendido) ou, muito menos, da Rússia de 1917 (estes, mais ainda, preocupados com respostas concretas e práticas e muitas vezes contaminados pela pressa e/ou pelo pragmatismo).
quinta-feira, 27 de março de 2014
De 400 ppm a Amarildo
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| Família de Amarildo Dias e Sousa |
14 de julho de 2013: Amarildo Dias de Sousa, brasileiro, ajudante de pedreiro, casado com Elizabeth Gomes da Silva, pai de seis filhos, desaparece, após ser detido pela PM na Favela da Rocinha.
Como dois fatos tão distintos e aparentemente desconexos na verdade se articulam?
sábado, 7 de setembro de 2013
Piscar de olhos, ou menos...
Seguindo a metáfora da publicação anterior (5 minutos), fiz um levantamento de alguns paralelos entrea rapidez atual das mudanças climáticas e ambientais impostas pelas atividades humanas (com destaque, sempre, para a emissão de dióxido de carbono associada à queima de combustíveis fósseis) e outros momentos da história geológica terrestre na literatura científica. Espero que esse tipo de comparação, que aproxima a idéia abstrata de tempo geológico em tempo humano, possa contribuir minimamente para enxergarmos melhor a gravidade e a urgência de um novo rumo civilizatório, livre dos combustíveis fósseis.segunda-feira, 13 de maio de 2013
Defender o Sistema Climático Terrestre implica em combater a Privatização do Petróleo
A grande notícia global da semana passada foi que o limite de 400 ppm de CO2 atmosférico foi atingido, graças à incessante queima de carvão, petróleo e gás. É um momento adequado para lembrar que somente 1/5 das reservas fósseis pode ser extraída sem que ultrapassemos o já perigoso patamar de 450 ppm. Também para lembrar que já hoje e para além desse limite climático, extração e transporte de óleo em mares profundos, florestas, envolve riscos ambientais cada vez maiores. Desastre global e desastres locais se combinam e se misturam numa única agressão ao sistema terrestre.Algo que deveria ser a grande manchete nacional, mas é convenientemente escondido pela mídia, é o retorno à cena da privatização do petróleo no Brasil. E em "grande estilo", com uma rodada de licitação gigantesca, sendo leiloados 289 blocos, que equivalem a 155,8 mil quilômetros quadrados de área distribuídos por 11 bacias (166 estão no mar, sendo 94 em águas profundas e 72 em águas rasas, enquanto os restantes 123 estão em terra). Isto é quase o dobro do número de blocos colocados a leilão durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso (154) e, estima-se, equivale a nada menos do que 30 bilhões de barris de petróleo, duas vezes as reservas controladas pela Petrobrás.
sábado, 11 de maio de 2013
Trezentos, quatrocentos, quinhentos...
9 de Maio de 2013: os instrumentos do observatório de MaunaLoa registraram, pela primeira vez desde que as medidas se iniciaram, uma média
diária de concentração de dióxido de carbono (CO2) acima de 400partes por milhão (ppm). O valor foi excedido em apenas 3 centésimos de ppm (a
média diária registrada foi 400,03), o que evidentemente, do ponto de vista
físico, não faz nenhuma diferença, por exemplo, em relação a 399,99. Também é
preciso dizer que, em virtude do ciclo anual da vegetação no Hemisfério Norte,
é em Maio que as concentrações de CO2 atingem seu pico e certamente
uma média anual de 400 ppm talvez
ainda requeira 3 anos para se configurar. O valor do dia 09/05/2013 é
suficiente, porém, para servir de marco simbólico.
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