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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sobre o pré-sal, o Greenpeace e a "esquerda elitista". Uma crítica às posições de Igor Fuser.

A "profundidade" do discurso da esquerda
oficial em torno da exploração do pré-sal é
inversamente proporcional à profundidade
física da própria camada..
Anteontem, no Brasil de Fato, Igor Fuser publicou um texto que se propõe a ser uma "crítica séria" a Ana Paula, militante do Greenpeace, que, em seu retorno ao Brasil, após bravamente enfrentar a Gazprom, a gigante fóssil russa que deseja explorar gás e petróleo no Ártico, e o governo Putin, que a manteve detida, defendeu a não-exploração do petróleo do pré-sal.

É preciso que a riqueza chegue às mãos e às casas de muitos milhões de pobres mundo afora. Isso é fato. Centenas de milhões de pessoas mundo afora vivem muito, mas muito longe de um limiar mínimo de dignidade e é, evidentemente, necessário que infraestrutura material de saneamento, mobilidade, comunicação, etc. se faça disponível a todos os assentamentos humanos que a desejarem.

Mas a premissa de Fuser de que "negar ou diluir a dimensão social dos recursos naturais em países periféricos, como o Brasil, é incorrer num elitismo imperdoável" é flagrantemente falsa.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Armadilha dos Royalties: Educação não Precisa ser Manchada de Óleo

Com o objetivo de tentar desfazer alguns mitos, volto ao ponto dos royalties do petróleo, após a decisão do governo Dilma em não mudar as regras para o petróleo que já vem sendo explorado mas, ao mesmo tempo, aprovar uma medida extremamente populista, a de "100% dos royalties do pré-sal para a educação".

É uma pena que a ingenuidade da população e a incapacidade (por ignorarem o tema ou por covardia em incidir sobre questões polêmicas) por parte de segmentos que poderiam ajudar a esclarecer a questão, como a comunidade acadêmica e a militância social (incluindo a esquerda politicamente organizada) permitam que esse caldo de cultura de simpatia ao petróleo se instale.

sábado, 24 de novembro de 2012

Pela Extinção dos Combustíveis Fósseis!

Tem havido todo um debate em torno da divisão dos chamados "royalties" do petróleo, que tenho considerado superficial e enviesado. Lamento que a questão climática, absolutamente central para a humanidade neste século XXI sequer seja tangenciada. As "polêmicas", para mim, soam vazias de sentido, qualquer que seja a destinação final dos tais royalties (fiquem majoritariamente com os estados de origem do recurso fóssil ou sejam distribuídos equitativamente, sejam destinados por completo à educação ou para outros fins, os mais nobres que você possa imaginar...), o efeito final do uso das reservas fósseis é de um dano incomensurável. É certamente muito maior do que qualquer benefício de curto prazo que se possa aferir.

Em outros temas ambientais, a adoção do princípio de precaução e, sobretudo, a primazia do raciocínio de longo prazo, em detrimento da exasperação da busca de benefícios de curto prazo me parece bem melhor equacionada. É o caso, por exemplo, das florestas. Hoje em dia, em meio a formuladores de políticas, governantes de diversos matizes e na população em geral, é mais ou menos bem aceita a noção de que a devastação das florestas não pode ser admitida, por mais que fosse produzida e bem distribuída riqueza a partir de criação de gado, plantio de soja ou extração de madeira! Sabe-se que, em nome da preservação de serviços ambientais, da água, do clima local, da biodiversidade, enfim, numa perspectiva de sustentabilidade, é quase universal (com exceção dos ruralistas mais empedernidos) a compreensão de que as taxas de desmatamento devem declinar e que, pelo uma parcela significativa das florestas tem de ser mantida.

Infelizmente, não há o mesmo tipo de compreensão no que diz respeito ao uso do petróleo, carvão e demais combustíveis fósseis. Talvez porque os danos associados não seja locais, e sim globais, temos uma triste contradição: as consequências da queima desenfreada de combustíveis fósseis são mais profundas e de maior escala, mas menos perceptíveis por não se se darem de maneira localizada e concentrada. Exceto quando há um derramamento de petróleo com uma calamidade ambiental e todos vêem manchas de óleo nos mares, as pessoas tendem a naturalizar o uso dos combustíveis fósseis, sem se darem conta da catástrofe anunciada em cada ppm (parte por milhão) a mais de CO2 na atmosfera. Acreditem, a questão é para lá de séria e espero poder mostrar para vocês que a única escolha racional possível por parte da humanidade é manter a grande maioria das reservas fósseis exatamente onde estão: soterradas, intocadas, sacrossantos restos mortais das florestas do Carbonífero!

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