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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Negacionismo: O Falso Galileo - Parte II: "Democracia" e Chantagem

Galileo Galilei (1564-1642) sofreu a fúria
da Inquisição por sustentar um ponto de
vista baseado em evidências contra os que
queriam negá-las. Quem é Galileo na
guerra do clima, afinal?
Talvez a frase que os negacionistas gostem de usar para o autoelogio seja "em questões de ciência, a autoridade de milhares não vale o humilde raciocínio de um único indivíduo", mas além de tirada de seu contexto, há indícios de que não seja uma tradução tão boa quanto "nas ciências, a autoridade de milhares de opiniões não vale tanto quanto uma pequena centelha de razão de um único homem", num contexto em que Galileo defendia justamente que a balança da verdade sempre penderia para o lado em que estivessem as evidências e não opiniões desprovidas de fundamento e não testadas. Ora, no texto anterior (Parte I),  mostramos que o discurso negacionista está em flagrante contradição com a história do desenvolvimento científico que conduziu até o surgimento da Ciência do Clima em seu estágio atual. Além disso, recuperamos a informação de que o negacionismo é produto de uma intervenção consciente da indústria petroquímica e de setores ultraconservadores, que a partir de uma tática maliciosa produziram os seus fiéis "mercadores da dúvida" . Resta-nos, portanto, abordar um par de questões relevantes sobre o tema: primeiro, como o negacionismo tem se multiplicado nas redes e segundo, porque se constitui em um grave erro admitir negacionistas no debate público como uma "outra opinião" ou uma "visão alternativa".

segunda-feira, 31 de julho de 2017

De onde saiu tanto negacionismo?

Nas últimas duas semanas pensei várias vezes na frase “quanto mais rezo, mais assombração me aparece”. Daí lembrei que, como bom ateu, nem rezo nem deveria acreditar em assombração.

Mas com efeito, certas assombrações do mundo real existem e são, além de teimosas, nocivas. Há diversas pragas anticientíficas, incluindo o criacionismo, a negação de que o homem tenha ido à Lua, o movimento antivacina e até o terraplanismo, mas o negacionismo climático é certamente a mais prejudicial. Envolve vínculos econômicos poderosíssimos (como mostramos em artigo na Revista Vírus) e chegou à presidência da nação mais poderosa do planeta através de Trump, o Nero Laranja. Diferente de outras fraudes anticiência, o negacionismo climático incide sobre políticas públicas e o faz justamente quando sabemos que as consequências da inação serão profundas e duradouras quanto mais seguirmos com os “negócios como sempre”.

sábado, 24 de novembro de 2012

A Negação da Mudança Climática e a Direita Organizada - Sobre Felício e Molion

Este material foi originalmente publicado como três notas em separado, no Facebook, mas aqui no "O que você faria...", resolvi publicá-los como um único texto. Em várias outras ocasiões, teremos oportunidade de verificar quão falsamente grosseiros são os pretensos argumentos dos negadores, particularmente de Molion e Felício, que são os mais estridentes e que contam com um estranho apoio de mídia (dado que ambos, principalmente o segundo, possuem baixa produção e não têm nenhum destaque acadêmico).

A tentativa é de encontrar razões para as atitudes dos mesmos. Sei que certamente boa parte da impostura brota da vaidade. Como pavões, querem aparecer e, como não o fazem por mérito acadêmico, tomam um atalho. Aproveitam-se do desconhecimento do grande público sobre o assunto e mentem descaradamente, denegrindo e desrespeitando o conjunto da comunidade científica.

Só que não para nisso. Desconheço o quanto há de interesse e de ganho financeiro (nos EUA, muitos negadores são abertamente bancados pela indústria de combustíveis fósseis), mas na falta de evidências mais sólidas (apenas, como vocês verão, o agronegócio adora chamar o Molion para palestras que, possivelmente, não sejam gratuitas), nada posso afirmar a respeito. 

Descobri, no entanto, que há uma teia de vínculos políticos por trás dos dois, que é fundamental revelar, até para que caia a máscara de isenção por parte desses senhores. Costumo dizer que uma molécula de CO2 não tem ideologia e absorve infravermelho independente de nossas opiniões político-ideológicas, o que é obviamente aceito por todos os cientistas da área que conheço, independente da referência política deles ser o PSOL, o PT, o PV ou o PSDB (sim, conheço colegas com todos esses matizes e eu mesmo me filiei ao primeiro). Mas há, para certos grupamentos extremistas de direita a necessidade de dar um passo além: para justificar seus ataques ao ambientalismo, precisam renegar o que a ciência estabeleceu. Para estes, é conveniente contar com um punhado de pessoas vindas da comunidade científica, mas que não tenham o escrúpulo de negar a ciência para lhes servir de porta-voz. Essa relação íntima, simbiótica, entre os delírios de grupos fascistóides e a vaidade emplumada dos negadores resulta num teatro ridículo. É ela que é exposta no que segue.

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