domingo, 24 de março de 2019

O nome não é "Ajuda Humanitária". É Dívida Climática!

Pessoas ilhadas aguardam resgate em Moçambique após passagem
do Ciclone Tropical Idai. Foto: Chris Sherrard (Irish Mirror)
Neste ano já tivemos enchentes devastadoras associadas a eventos extremos aqui mesmo no Brasil (com impacto bastante severo em nossas megacidades, Rio e São Paulo), nos EUA (com enormes danos e prejuízos em Minnesota e Nebraska).

Mas, como em tantas outras ocasiões, eventos similares produzem impactos maiores - e um número bem maior de mortes - quanto mais pobres e vulneráveis forem os países e as comunidades sobre os quais eles se abaterem.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Rio de Fevereiro

Imagem: Folha de São Paulo
Com um saldo terrível de 6 pessoas mortas, centenas de árvores derrubadas e inúmeros danos materiais a residências, edifícios públicos e comerciais, à infraestrutura da cidade, etc., tudo indica que os impactos da enxurrada que lavou o Rio de Janeiro são bem maiores do que teriam sido caso medidas básicas de prevenção e uma gestão minimamente decente de risco tivessem sido adotadas. Tendo gasto apenas 22% do orçamento previsto para controle de enchentes e contenção de encostas, é óbvio que o prefeito Marcelo Crivella (PRB) tem culpa no cartório.
Mas este texto pretende se dedicar a uma reflexão um pouco mais além (ressalto que isso não pode servir de modo algum para isentar nenhum gestor, a começar do prefeito da cidade debaixo d'água, de suas responsabilidades mínimas).

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

A Ideologia Delirante de Ernesto Araujo

Há 6 anos, Donald Trump usava a sua rede social favorita, o Twitter, para expor toda sua ignorância a respeito da questão climática, ao afirmar que "o conceito do aquecimento global" teria sido "criado pelos chineses" para prejudicar a economia dos EUA. Naquele momento, mal imaginávamos que ele chegaria à presidência dos EUA e, coerente com esse ponto de vista bizarro, retiraria seu país do acordo global sobre o clima celebrado em Paris, em 2015. Muito menos imaginaríamos, porém, que dois anos depois seria a vez do Brasil de não apenas eleger um presidente de extrema-direita como que esse presidente eleito anunciaria um negacionista climático para as Relações Exteriores do Brasil.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A "Prosperidade" como Inimiga do Clima

A casa do Sr. Carbono
Senhor Carbono tem uma casa grande, climatizada, com espaço para aquele churrascão com uísque. Carrão na garagem, trocado com frequência (três anos é carro velho, certo?). Férias todo ano na Disney ou na Europa ou em algum destino "exótico". Roupas usadas quase nunca, sapatos "para cada ocasião", celular novo, computador novo. Compra o que vê pela frente, usa uma vez e encosta, quebra e descarta, compra de novo, mais e mais rápido. É um padrão de vida alcançado apenas por alguns, mas almejado por muitos. Mas esse sonho de ascensão social virou um pesadelo para o planeta. E neste texto, mostraremos porquê.

sábado, 23 de junho de 2018

3 Décadas de Inoperância que Podem Custar a Civilização

James Hansen, um dos pioneiros dos estudos de mudanças
climáticas, prestando depoimento ao Congresso dos EUA há
30 anos. De lá para cá, as condições se agravaram de maneira
bastante acelerada.
Há exatos 30 anos, em 23 de Junho de 1988, um dos principais cientistas da NASA, o Dr. James Hansen, era chamado a depor no Congresso dos EUA sobre a questão climática. Anos mais tarde, numa palestra, diante de uma plateia surpreendida por um slide em que ele mostrava uma foto sua, algemado diante da Casa Branca num protesto promovido por entidades ambientalistas, ele proferia a frase que dá nome ao nosso blog. Sim, ele acreditava que se as pessoas soubessem da gravidade da questão climática elas iriam se mobilizar com todas as suas forças, indo às ruas, pressionando governos e parlamentos, passando por cima até mesmo da possibilidade de serem presas.

sábado, 16 de junho de 2018

O Capital quer lucrar duas vezes ao declarar guerra ao clima. E nós?

Aleppo, Síria. Na lógica do capital, existe "oportunidade" de
lucrar duas vezes com a guerra. A cada prédio destruído, a
cada prédio reconstruído.
Nas contas do capitalismo, as guerras são duplamente lucrativas. A indústria armamentista, uma das maiores, mais poderosas e com um lobby eficiente ao extremo, impõe que bombardeiros, tanques, navios e submarinos de guerra sejam mobilizados e as munições, bombas, mísseis, etc. sejam despejados onde for possível. É assim, afinal, que justificam que novos e mais poderosos equipamentos de guerra sejam desenvolvidos (e comprados pelos Estados-nação) e que os "estoques" sejam repostos, garantindo-lhes lucros astronômicos. Em seguida, e isso sempre entra na contabilidade perversa de cada bombardeio, vem as empreiteiras, construtoras, empresas de engenharia dos mais diversos campos dando conta de "reparar o dano", "reconstruindo" estradas, pontes, edifícios, hospitais, infraestrutura de energia e água, etc. e, óbvio, faturando muito com isso! Importante frisar, tudo isso, da bomba lançada ao prédio reconstruído, entra no cálculo do PIB... Agora imagine se o Capitalismo declarar guerra ao sistema climático terrestre...

terça-feira, 3 de abril de 2018

O ninho do Antropoceno e os ovos do fascismo

20 dias após a execução brutal de Marielle Franco, a ferida aberta na sociedade brasileira se recusa a fechar. Pelo contrário, sangra mais e mais. E a deterioração da situação política no País não para de se agravar, com ataque a tiros à caravana de Lula no Sul, com um general da reserva chantageando abertamente o STF e o país inteiro, com ameaça de golpe militar a depender do posicionamento da corte, com um bufão com posições abertamente fascistas despertando simpatia de 1/5 ou mais do eleitorado. Neste cenário, mesmo pessoas próximas, sensíveis às ditas "causas ambientais" ou à "pauta ecossocialista" questionam "como falar de mudanças climáticas em tais condições?" ou "não seria o caso de deixar um pouco de lado essas bandeiras ambientais?" ou, pior, se colocam aberta ou veladamente na linha de considerar tudo isso como algo "secundário", senão a priori, pelo menos na atual conjuntura. Mas será que essa linha de raciocínio está correta?

O nome não é "Ajuda Humanitária". É Dívida Climática!

Pessoas ilhadas aguardam resgate em Moçambique após passagem do Ciclone Tropical Idai. Foto: Chris Sherrard (Irish Mirror) Neste ano j...

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