quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Clive Hamilton no Guardian: "O grande silêncio climático: estamos no limite do abismo, mas ignoramos"

"Como podemos entender o miserável fracasso do pensamento
 contemporâneo em enfrentar o que agora nos confronta?"
 Fotografia: Piyal Adhikary / EPA

O grande silêncio climático: estamos no limite do abismo, mas ignoramos

Clive Hamilton

Continuamos planejando o futuro como se os cientistas do clima não existissem. A maior vergonha é a ausência de um sentimento de tragédia. 

Após cerca de 200 mil anos da existência dos humanos modernos em uma Terra de 4,5 bilhões de anos, chegamos a um novo ponto da história: o Antropoceno. A mudança veio sobre nós com velocidade desorientadora. É o tipo de mudança que geralmente leva duas, três ou quatro gerações para ser assimilada.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A Bioenergia com Captura de Carbono (BECCS) poderá nos salvar?

A ideia de que existe uma saída tecnológica "mágica" na
cartola ou na manga para a crise climática é ilusória. Mas
há setores que apostam nessa ilusão para continuarem na
lógica do lucro hoje (com os combustíveis fósseis) e no
futuro próximo (seja com BECCS ou geoengenharia).
Uma sigla que já está presente nos debates sobre a crise climática e que possivelmente deverá chegar à arena pública em algum momento é BECCS (Bioenergia com Captura de Carbono). Trata-se de uma promessa de futura tecnologia de mitigação, casando a geração de energia com a captura e armazenamento de carbono (CCS). A ideia é que biomassa e biocombustíveis seriam utilizadas na indústria e em usinas de energia dotadas de equipamentos para realizarem o sequestro de CO₂ (injeção do mesmo em formações geológicas ou fixação química). Gerar energia não só sem emitir CO₂ mas retirando-o da atmosfera parece ser a salvação do planeta. Aviso de Spoiler: mesmo que a tecnologia já existisse, só parece...

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Cadê o aquecimento global? Parte I - Frio nos EUA

Para sermos mais precisos, se a esmagadora maioria de especia-
listas em clima nas universidades e institutos de pesquisa ou
meia dúzia de pessoas mal informadas ou com extrema má fé...
"E esse frio todo?" é uma pergunta usada de maneira recorrente, explícita ou implicitamente para questionar as mudanças climáticas, seja ela referente a dias muito frios em sequência no Sul e Sudeste do Brasil seja na costa leste dos EUA. Incautos e militantes do negacionismo adoram fazer distorções em tornos desses eventos (e outros como neve no Saara e até granizo no sertão), não sem uma confusão completa entre tempo e clima, para provocar confusão na opinião pública. É algo inclusive praticado por jornalistas sem compromisso com a informação como Alexandre Garcia (que recebeu resposta minha à altura no twitter) e por políticos não apenas de direita (como o filho de Bolsonaro) mas também de esquerda como Aldo Rebelo. Este é o primeiro de uma série de artigos sobre esse tópico com o objetivo precisamente de separar o joio do trigo e contribuir não apenas para desfazer a confusão entre tempo e clima relacionada a esses eventos, mas também para trazer informações sobre a formação de eventos extremos dessa natureza.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Brasil na contramão: enquanto a temperatura sobe, a broca de perfuração desce.

(Adaptação de artigo publicado na NACLA/Report of the Americas)
Link para o original: http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10714839.2017.1409018

Artigo publicado na revista NACLA
(Report of the Americas)
A ciência é nítida: o clima está aquecendo como resultado da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera, em particular o dióxido de carbono, mas também o metano, o óxido nitroso e os halocarbonetos. A fonte desse desequilíbrio químico é, em geral, antrópica, especialmente devido ao consumo e uso de combustíveis fósseis, como o carvão, o petróleo e o gás natural. O grande volume de evidências sobre o aquecimento global vem de um conjunto abrangente de observações, incluindo não apenas medidas da temperatura da superfície, mas também medições do ar superior e estimativas do satélite. Estas evidências são altamente consistente com as observações de outros fatores do sistema climático, incluindo o aumento do nível do mar, a perda de gelo marinho e o recuo das geleiras, a acumulação de calor e a acidificação nos oceanos mundiais e mudanças em uma grande quantidade de ciclos biogeoquímicos complexos. Os recordes consecutivos de temperaturas da superfície média global em 2014, 2015 e 2016 não são, portanto, coincidências. E 2017, mesmo sem El Niño, encerrou essencialmente empatado com 2015, apenas um décimo de grau abaixo de 2016.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Guardian: Nova York desinveste dos combustíveis fósseis e processa petroleiras!

Nova York planeja desinvestir US $ 5 bilhões dos combustíveis fósseis e processar empresas petrolíferas

Prefeito Bill de Blasio: "Cabe às empresas de combustíveis fósseis, cuja ganância nos colocou nesta posição, arcar com o custo de tornar Nova York mais segura e mais resiliente"

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

2017: Dez Imagens de um Ano de Extremos

2017 provavelmente deve encerrar como o 3° mais quente do registro histórico, atrás de 2016 e 2015, anos influenciados pelo segundo mais intenso evento de El Niño já registrado e segundo a NOAA, de Janeiro a Novembro, a anomalia média de temperatura combinada sobre continentes e oceanos era de +0,96°C. Mas não nos enganemos que isso represente uma "pausa" ou uma redução do fenômeno do aquecimento global. Pelo contrário, mostra que mesmo sem a ajuda da variabilidade natural (sem El Niño), a contribuição humana segue sendo determinante para esquentar perigosamente nosso planeta. E nesse sentido, não podemos esquecer dos eventos extremos, que ceifam vidas humanas e não-humanas e colocam em sério risco os ecossistemas. Nesta publicação, vamos mostrar dez imagens de extremos que marcaram 2017. A última vai deixar você perplexo(a).

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Negacionismo: O Falso Galileo - Parte II: "Democracia" e Chantagem

Galileo Galilei (1564-1642) sofreu a fúria
da Inquisição por sustentar um ponto de
vista baseado em evidências contra os que
queriam negá-las. Quem é Galileo na
guerra do clima, afinal?
Talvez a frase que os negacionistas gostem de usar para o autoelogio seja "em questões de ciência, a autoridade de milhares não vale o humilde raciocínio de um único indivíduo", mas além de tirada de seu contexto, há indícios de que não seja uma tradução tão boa quanto "nas ciências, a autoridade de milhares de opiniões não vale tanto quanto uma pequena centelha de razão de um único homem", num contexto em que Galileo defendia justamente que a balança da verdade sempre penderia para o lado em que estivessem as evidências e não opiniões desprovidas de fundamento e não testadas. Ora, no texto anterior (Parte I),  mostramos que o discurso negacionista está em flagrante contradição com a história do desenvolvimento científico que conduziu até o surgimento da Ciência do Clima em seu estágio atual. Além disso, recuperamos a informação de que o negacionismo é produto de uma intervenção consciente da indústria petroquímica e de setores ultraconservadores, que a partir de uma tática maliciosa produziram os seus fiéis "mercadores da dúvida" . Resta-nos, portanto, abordar um par de questões relevantes sobre o tema: primeiro, como o negacionismo tem se multiplicado nas redes e segundo, porque se constitui em um grave erro admitir negacionistas no debate público como uma "outra opinião" ou uma "visão alternativa".

Clive Hamilton no Guardian: "O grande silêncio climático: estamos no limite do abismo, mas ignoramos"

"Como podemos entender o miserável fracasso do pensamento  contemporâneo em enfrentar o que agora nos confronta?"  Fotografia: ...

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