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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Especial para nosso blog: Entrevista com Daniel Tanuro sobre Crise Ecológica e Ecossocialismo

Daniel Tanuro é militante ecossocialista, autor do livro "O
Impossível Capitalismo Verde", integrante da seção belga da
Quarta Internacional.
Ele é certamente uma das vozes que bradam mais alto por um giro ecológico junto à esquerda. Juntamente com Michael Löwy e outros membros da Quarta Internacional, tem empreendido um importante e decisivo esforço teórico no campo do que convencionamos denominar de "Ecossocialismo".

Ele não hesita em dizer que a tarefa dos ecossocialistas é "intervir em nome da natureza no debate social" e é direto quando diz que "abolir o capitalismo é uma condição necessária para (...) uma relação não-predatória da humanidade com o resto da natureza, mas não suficiente." É com grande prazer que trago para vocês a íntegra da entrevista, a seguir.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Ciência, Clima, Rogue One

Na Women's March, cientistAs presentes!

O processo já vem de algum tempo. Figuras como James Hansen, Michael Mann, Katharine Hayhoe, Kevin Anderson, dentre outros climatologistas, passaram a dedicar parte importante de suas energias para o diálogo público, a defesa da ciência, a reverberação do alerta acerca da ameaça das mudanças climáticas, o combate ao negacionismo, etc. Mais recentemente, o twitter se viu tomado de contas "rogue" (ótimo exemplo é a Rogue Nasa), numa reação em cadeia à censura e caça às bruxas anticiência e antiambientalismo já nos primeiros dias da gestão Trump, nos EUA. 


Felizmente, a Ciência do Clima agora está recebendo uma solidariedade maior dos pares de outros ramos do conhecimento. Até porque a brutalidade obscurantista em voga tem surgido também noutros terrenos, da vacinação à Evolução das Espécies. Há até mesmo uma Marcha pela Ciência marcada para o Dia 22 de Abril (Dia da Terra), fortemente inspirada na participação de colegas cientistas na Marcha das Mulheres em 21/01.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Política energética nos EUA: Clima em Perigo

EUA: canalha negacionista defensor do carvão versus candidata
que aceita a Ciência do Clima mas mantém pesados compromis-
sos com a indústria fóssil, especialmente do gás natural. E aí?
No próximo dia 08 de novembro, a população dos EUA irá às urnas, tendo duas candidaturas com chances reais de vitória: o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton, que derrotou, num processo bastante questionável, a pré-candidatura de Bernie Sanders, que tinha um conjunto de propostas bastante adequadas para o enfrentamento das mudanças climáticas.

A conjuntura em que se dá a disputa presidencial é crítica para o clima global, pois embora o Acordo de Paris seja claramente insuficiente para a solução da crise climática (o que foi exaustivamente demonstrado em nosso blog em uma série de artigos), o país o ratificou, juntamente com a China. Embora as mudanças climáticas estejam ficando praticamente de fora dos debates, a questão energética entrou como um dos tópicos do debate realizado agora há pouco. Infelizmente, o que o debate revelou nesse quesito é que temos muitos motivos para nos preocuparmos qualquer que seja o desfecho das eleições.

sábado, 19 de dezembro de 2015

O Irrelevante, o Insuficiente e o Necessário. Parte III: INDCs

Vilarejo de "Needmore", no Texas, onde
nunca moraram mais do que 100 pessoas
Abrimos parênteses neste momento na série de artigos de balanço do Acordo de Paris para retomarmos outro conjunto de publicações, intitulada "O Irrelevante, o Insuficiente e o Necessário", no qual já analisamos o plano de mudanças climáticas de Obama e as metas de mitigação apresentadas pelo Governo Dilma antes da COP21. Na verdade, neste ponto, as duas séries se cruzam, pois o Acordo de Paris depende inteiramente das chamadas INDCs, as Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas (Intended Nationally Determined Contribution)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Balanço da COP21. Parte I: 1,5°C no Acordo de Paris.

O clima está na UTI
Um paciente sofre de uma doença seríssima, que tende a se agravar mais e mais se não for tratada. Por muito tempo a doença foi ignorada, ou relegada a algo secundário ou menor, até que os primeiros sintomas começam a aparecer e os últimos exames mostram que a situação é bem mais grave do que se pensava. Diante desse quadro, alguém acharia suficiente que a família enfim reconheça que a doença existe, que "voluntariamente" o paciente decida tomar algum medicamento mas sem que se diga em momento nenhum, de forma clara, quais são o tratamento e o remédio corretos e que, na melhor das hipóteses, se deixe no ar a mensagem genérica de que é preciso adotá-los, mas sem falar de quando aumentar a dosagem e quando fazer intervenções cirúrgicas e que não se comprove a garantia de fontes de financiamento para o tratamento como um todo? Apesar de reconhecer que teriam sido dados alguns passos para finalmente combater a doença (algo que era negado), eu não ficaria satisfeito de modo algum.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Entrevista concedida ao IHU

Segue a COP21, cujos resultados ainda são incertos faltando poucos dias para o encerramento do prazo previsto para fechamento do seu documento final. Lobbies de empresas poluidoras e governos cujos compromissos com grandes emissores são explícitos continuam servindo de grande obstáculo para se avançar além do que as contribuições pretendidas (as "INDCs") já submetidas nos oferecem, isto é, trocarmos o forno a lenha pelo - na melhor das hipóteses - cozimento em banho-maria.  Em entrevista que concedi ao IHU (Instituto Humanitas Usininos), deixei minhas impressões iniciais sobre o andamento da Conferência. Após sua conclusão, deverei apresentar meu balanço.


domingo, 23 de agosto de 2015

Lutamos pelo Clima! Lutamos pelo Futuro!

Juventude disposta a lutar em defesa do clima e do futuro
Os últimos dias foram muito intensos para mim no que diz respeito ao debate climático junto à sociedade. Na quarta-feira, 19/08, estava dialogando com a juventude da periferia sobre "Clima e Água", no Liceu de Messejana, em atividade do Coletivo Socioambiental (constituído de moradores/as dos bairros do Jangurussu e Palmeiras e arredores, aqui em Fortaleza). No dia seguinte, foi a vez das companheiras e dos companheiros do MST, com quem discuti mudanças climáticas e seus impactos no semi-árido, seca, crise hídrica e modelo de desenvolvimento. Ainda na quinta-feira (20/08), tive a oportunidade de falar na Rádio OPovo, ao lado dos colegas de academia Prof. Aécio de Oliveira (Economia Ecológica/UFC) e Jeovah Meireles (Geografia/UFC), numa prévia do excelente debate que travamos dois dias depois.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Vem aí a Marcha do Clima!

Ano passado, quase 400 mil pessoas marcharam nas ruas de Nova Iorque às vésperas de uma reunião da ONU, preparatória para a COP-20, que iria se realizar em Lima. Outras manifestações aconteceram em diversas outras cidades do mundo, da Europa à Austrália, da Ásia à América Latina. Foi uma evidência clara de que a luta contra as mudanças climáticas não é mais apenas o brado de meia dúzia de cientistas e ambientalistas contra um inimigo invisível e algo que não diga respeito à grande maioria da população. E como tudo indica que o "movimento climático" irá crescer, isto é algo que certamente vai incomodar as corporações ligadas direta ou indiretamente à extração e uso de combustíveis fósseis (petroquímicas, mineradoras empresas de energia, montadoras de automóveis e, claro, os bancos que as financiam) e responsáveis por outras emissões de gases de efeito estufa, como o agronegócio. Até porque é comum que a massificação das mobilizações tenha relação forte com a presença de indígenas, populações da zona costeira, atingidos por eventos extremos, a juventude e outros setores mais vulneráveis e impactados e, portanto, em conflito com tais segmentos do capital. Quem acha que a luta contra as mudanças climáticas é "coisa de pequeno-burguês" é porque nunca esteve com um agricultor do sertão que sabe o que significa mais calor e mais seca, ou com um indígena que percebe, já, o desequilíbrio do ambiente em sua volta, ou do jovem e o/a trabalhador/a da cidade pequena que já sofre com desabastecimento de água, ou com o pescador que teve sua pequena casa destruída pelo avanço do mar ou com a marisqueira que não consegue mais apanhar o marisco que lhe dava sustento.

Quero destacar, na construção desse movimento, o seu caráter eminentemente internacional, planetário, e ao mesmo tempo aberto e horizontal, uma ampla avenida para debater que tipo de transformação social e política de fato precisamos. Abaixo, reproduzimos artigo de Ricken Patel, da Avaaz, publicado no periódico britânico "The Guardian", em que ele faz uma caracterização e convocação da "People's Climate March", que poderíamos traduzir como "Marcha Popular do Clima" ou "Marcha do Povo pelo Clima".

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Shell no Ártico: quem é o cerne do problema nunca será "parte da solução"!

Início da carta das petroquímicas à UNFCCC e à COP21. O
documento diz "Estamos prontas a fazermos nossa parte"...
Como? A resposta, logo abaixo, é "aumentando a fatia do
gás natural em nossa produção" (o que envolve, em outras
coisas, o famigerado "fracking").
Há poucos meses, a Shell assinou (com toda a demagogia que tem direito) uma carta endereçada a Christiana Figueres, Secretária Geral da Convenção-Quadro da ONU para Mudanças Climáticas e Laurent Fabius, Presidente da COP21. Nessa carta, ela e outras companhias, incluindo a BP, reconhecem que a crise climática é real: "entendemos que a tendência atual das emissões de gases de efeito estufa está acima daquilo que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma ser necessário para limitar o aumento de temperatura a não mais do que 2 graus acima dos níveis pré-industriais". O texto surpreende pelas manifestações de aparente boa vontade, como "estamos prontos para fazer a nossa parte" e " manifestavam seu desejo de "queremos ser parte da solução" que chegam - vindas de onde vieram - a soar completamente falsas. Chega a admitir a necessidade de um "preço sobre as emissões de carbono".

Mas dizem por aí que a prática é o critério da verdade e, especialmente no caso da Shell, a contradição entre o dito e o feito é um abismo.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Acorrentados. Mas até quando?

Chiara D'Angelo segura o cartaz: "Salve o Ártico".
Chiara Rose D'Angelo é o nome da ativista que prendeu-se à âncora do "Arctic Challenger", navio de apoio às operações que a Shell está iniciando no Ártico, após ter contado com o sinal verde do governo dos EUA, num movimento injustificável por parte de Obama. Este havia sinalizado poucos dias antes que encararia a questão climática de frente, inclusive contando com o apoio de um humorista para bater no negacionismo climático. Mas da comédia veio a tragédia: ao autorizar a Shell a explorar petróleo no Ártico,  apenas mais uma vez frustrou inteiramente o movimento ambientalista, e desta vez com um requinte de traição.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

400 ppm de CO2: a Atmosfera da Terra como Lata de Lixo do Capital

Vivemos vizinho a um planeta que, nas palavras do eterno
Carl Sagan, nos mostra que "as coisas podem dar errado".
Vênus é semelhante à Terra em vários aspectos, mas seu
efeito estufa desmedido o transformou literalmente num
inferno. Foto: imagem de computador da superfície de Vênus,
em Eistla Regio. Fonte: NASA (disponível em
http://nssdc.gsfc.nasa.gov/photo_gallery/photogallery-venus.html)
Terra: ajuste delicado

Com exceção de um ou outro astronauta, a grande maioria de nós vive, do primeiro ao último dia de vida, imerso nesta delgada película de ar que recobre a Terra: a atmosfera. Além de garantir-nos o oxigênio que respiramos e usamos para retirar energia dos alimentos e, graças à presença de ozônio em suas camadas superiores, nos proteger da radiação ultravioleta com que o Sol bombardeia o planeta, a atmosfera cumpre também um papel regulador do clima, graças ao chamado “efeito estufa”.


Exercido por gases minoritários na atmosfera terrestre (vapor d’água, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), o efeito estufa é fundamental para o clima ameno da Terra, assegurando a ocorrência de água em estado líquido e, portanto, garantindo as próprias condições de existência da vida como a conhecemos. Sem esse efeito, a Terra seria nada mais que uma esfera congelada e árida; com efeito estufa em demasia, seus oceanos poderiam ferver deixando para trás uma paisagem infernal como a do planeta vizinho, Vênus, recoberto por nuvens de ácido sulfúrico e onde o chumbo escoa, em estado líquido, em sua superfície causticante. É um ajuste delicado, do qual dependemos.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Leo Dicaprio: "Eu não sou um cientista, mas não precisa ser."

O discurso foi feito há alguns meses, mais precisamente na cúpula da ONU em Setembro passado, mas acredito que ele tenha escapado ao radar das mídias alternativas do Brasil. Leonardo Dicaprio é uma expressão de algo que precisamos ver com mais frequência: figuras públicas entendendo a gravidade da situação, percebendo a urgência para se resolver a crise climática e propondo ação. Da minha parte, acho que sem uma efetiva pressão de baixo, dos mais atingidos pela mudança climática, os governos tenderão a continuar na zona que mistura conforto e rendição aos lobbies fósseis: que leva à inação e à irresponsabilidade, à continuidade dos subsídios às petroleiras e mineradoras. E pela força e sinceridade do discurso de Dicaprio, acredito que valha a pena apresentar para vocês a tradução. Mais Leos, por favor!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Dia da Terra e década decisiva para o clima

Por que um "Dia da Terra"?
Ainda estou em dívida com os/as leitores/as do blog no que diz respeito a pelo menos dois artigos ainda referentes à EGU-2015, a Assembleia Geral da União Europeia de Geociências. Mas não poderia me furtar a tecer alguns comentários sobre o Dia da Terra, ainda que, em Terra Brasilis, o 22 de Abril tenha marcado justamente o início da ocupação europeia e, por conseguinte, do maior processo de devastação de florestas tropicais na escala planetária (ao se somar o que se perdeu na praticamente dizimada Mata Atlântica, da qual restam menos de 10% da cobertura original, com a perda também gigantesca de área da Floresta Amazônica, que já se aproxima de 1/5 da sua área total).

segunda-feira, 30 de março de 2015

Entrevista com Naomi Klein: "O que estamos a desmantelar agora é o nosso próprio planeta"

Apresentamos entrevista concedida por Naomi Klein, jornalista e uma das mais destacadas ativistas climáticas do presente, à revista Der Spiegel. A entrevista (traduzida a partir do inglês) toca em vários pontos abordados em seu livro "This changes everything: capitalism vs. the climate" (“Isto muda tudo: o capitalismo contra o clima”) e por vezes chega a mostrar a tensão em torno do tempo. Naomi Klein relaciona claramente a crise climática ao poder das corporações e chega a tocar em como a lógica de dominação sobre a natureza está associada à própria ideologia do patriarcado. Imperdível.
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Der Spiegel: Naomi, por que não conseguimos deter a mudança climática?
Naomi Klein: Má sorte. Mau momento. Muitas coincidências infelizes.
Spiegel: A catástrofe errada no momento errado?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

400 partes por milhão e a Luta de Classes (artigo de Victor Wallis)

Desde 1958 a concentração de CO2 vem sendo medida na es-
tação de Mauna Loa, no Havaí. Seu crescimento é incessante
e acelerado, ofuscando o que deveria ser o padrão natural de
"sobe-e-desce" da "respiração" e fotossíntese globais.
Apresentamos um artigo bastante interessante, de autoria de Victor Wallis, originalmente publicado em "Spectrezine", republicado por "Socialism and Democracy", e por "Climate and Capitalism".

Como se sabe, o CO2 anualmente tem um "sobe-e-desce", associado ao ciclo das estações do ano principalmente no Hemisfério Norte. No outono para o inverno, as árvores perdem as folhas e sua decomposição gera CO2 que vai para a atmosfera, enquanto na primavera e verão, as folhas renascem, a fotossíntese domina e a sua concentração cai. Acontece que quando se olha para uma sequência de vários anos, o padrão que se obtém é a chamada "Curva de Keeling", mostrando claramente que a acumulação de CO2 causado pelas emissões humanas é o padrão dominante e que esse aumento tem se acelerado incessantemente.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Zizero!

Žižek, indicando o quanto ele conhece sobre a crise
ecológica e as mudanças climáticas...
Não pretendo abrir uma ampla polêmica em torno da obra de Slavoj Žižek, o tão conhecido filósofo esloveno, que faz tanto sucesso nos corredores da esquerda nos dias de hoje. Confesso que não havia lido nenhum de seus livros até pouco tempo atrás e que apenas guardava pé atrás com o tratamento de astro pop dado a ele por tanta gente (nada estranho ao meu tradicional ceticismo de cientista).

Tudo começou, porém, quando divulguei a notícia de que o congresso da esquerda radical européia havia aprovado o Ecossocialismo como plataforma e, daí, ao comentar que isso era uma boa notícia, mas que a má notícia é que 43% do congresso havia votado contra, chamaram-me atenção para as posições de Žižek nesse terreno.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Entrevista ao "Letra P", da Argentina

Através de repressão violenta no dia do leilão do pré-sal, o
Governo Dilma fez valer a vontade das multinacionais do
setor petroquímico.
Concedi, recentemente, entrevista ao "letra P", importante portal de notícias da Argentina, através do companheiro Bruno Bimbi, que nele publica. O original da entrevista, em espanhol, pode ser encontrado neste link. Na entrevista, abordo a gravidade da questão dos leilões do petróleo no Brasil e sua ligação com as questões ambiental e climática.

1) Você poderia explicar o que foi exatamente que o governo Dilma fez com as reservas do pré-sal?

O governo Dilma colocou a leilão a exploração do Campo de Libra, uma das maiores reservas petrolíferas do mundo, estimada em 8 a 12 bilhões de barris de petróleo. O leilão levou à conformação de um único consórcio, envolvendo, além da Petrobrás, duas estatais chinesas e duas gigantes europeias do ramo do petróleo, Shell (anglo-holandesa) e Total (francesa). Vergonhosamente arrebatado pelo preço mínimo, o direito à exploração do referido campo se dará com a Petrobrás como minoritária (40% da cota, apenas 10% acima da proporção mínima prevista em lei), com 20% para as estatais chinesas e os outros 40% igualmente divididas entre as gigantes europeias.

sábado, 23 de novembro de 2013

Tirem essas mãos daí, agora!

As corporações estão literalmente com o termostato do planeta em suas mãos. Uma publicação de autoria de Richard Heede, no respeitado jornal de nossa área Climatic Change, chega a conclusões assustadoras. Primeiro, que 63% das emissões acumuladas de CO2 e metano desde 1751 foram devidas a apenas 90 "entidades", incluindo empresas privadas e de capital misto, mas também diretamente por certos Estados nacionais, em uma divisão quase equitativa entre esses grupos, responsáveis, respectivamente, pela emissão de 315 GtCO2e (bilhões de toneladas de COequivalente), 288 GtCO2e 3 312 GtCO2e. Segundo, que nada menos que metade dessas emissões se deu de 1986 para cá!

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Discurso emocionante do líder da delegação filipina na COP19

Este discurso é de leitura obrigatória. É para mexer com qualquer ser humano, em que haja um coração que pulsa e sangue em veias e artérias, ao invés de engrenagens que se movem e óleo em dutos. 

Como foi amplamente noticiado, as Filipinas foram varridas por uma tempestade monstruosa, possivelmente o ciclone tropical mais poderoso a atingir uma área habitada, pelo menos nos tempos modernos, o Supertufão Haiyan (também chamado de Yolanda). Enquanto escrevo, ainda se está longe de uma contabilidade oficial de mortos, mas há estimativas de que podem chegar a 10 mil pessoas, com a tempestade tendo atingido em cheio uma cidade (Tacloban, capital de província, com 200 mil habitantes). Além desta enorme quantidade de mortos, há feridos e desabrigados aos montes, sem contar os 800 mil evacuados.

O discurso, que está tendo repercussão na mídia internacional (em The Guardian, por exemplo) me emocionou profundamente, me levando literalmente às lágrimas diversas vezes. Para que tenhamos esperança, talvez seja preciso que se abata sobre todos nós um certo desespero, não sei. Deveríamos ter aprendido com Bopha, que no ano passado também atingiu o povo filipino. Quiçá se todos fôssemos filipinos por um dia... 

Segue, em tradução livre, o discurso, que encontrei, em inglês, neste link.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Petróleo e Institutos de Pesquisa: Ciência para quê? Ciência para Quem?

Estudantes de Harvard dizem NÃO ao dinheiro da indústria
de combustíveis fósseis.
Um movimento bastante interessante tem começado a ganhar corpo dentro de algumas universidades dos EUA, incluindo a hiper-prestigiada Harvard. A reivindicação fundamental é a de que a Universidade rejeite recursos da indústria de combustíveis fósseis.  Em um artigo anterior, discuti o papel que alguns movimentos sociais poderiam cumprir, mas de certa forma ficou uma lacuna em relação ao movimento de estudantes (e também a uma possível intervenção política da comunidade acadêmica como um todo).

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

Alok Sharma, presidente da COP26, teve de conter as lágrimas no anúncio do texto final da Conferência, com recuo em tópicos essenciais ...

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