segunda-feira, 30 de março de 2015

Entrevista com Naomi Klein: "O que estamos a desmantelar agora é o nosso próprio planeta"

Apresentamos entrevista concedida por Naomi Klein, jornalista e uma das mais destacadas ativistas climáticas do presente, à revista Der Spiegel. A entrevista (traduzida a partir do inglês) toca em vários pontos abordados em seu livro "This changes everything: capitalism vs. the climate" (“Isto muda tudo: o capitalismo contra o clima”) e por vezes chega a mostrar a tensão em torno do tempo. Naomi Klein relaciona claramente a crise climática ao poder das corporações e chega a tocar em como a lógica de dominação sobre a natureza está associada à própria ideologia do patriarcado. Imperdível.
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Der Spiegel: Naomi, por que não conseguimos deter a mudança climática?
Naomi Klein: Má sorte. Mau momento. Muitas coincidências infelizes.
Spiegel: A catástrofe errada no momento errado?
Klein: O pior momento possível. A conexão entre os gases de efeito de estufa e o aquecimento global vem sendo uma questão política central para a humanidade desde 1988. Foi precisamente a época em que caiu o Muro de Berlim e Francis Fukuyama declarou o “fim da história”, a vitória do capitalismo ocidental. O Canadá e os EUA assinaram o primeiro acordo de livre comércio, que serviu como protótipo para o resto do mundo.
Spiegel: Então você diz que uma nova era de consumo e uso de energia começou exatamente no momento em que sustentabilidade e contenção teriam sido mais apropriadas?
Klein: Exatamente. E foi precisamente nesse momento também que nos disseram que já não havia mais isso de responsabilidade social e ação coletiva, que deveríamos deixar tudo por conta do mercado. Privatizamos as ferrovias e a rede de energia, a OMC e o FMI comprometeram-se com um capitalismo desregulamentado. Infelizmente, isso conduziu a um aumento explosivo das emissões.
Spiegel: A senhora é uma ativista e tem culpado o capitalismo por todo tipo de problema ao longo dos anos. Agora o culpa pelas mudanças climáticas também?
Klein: Isso não é razão para ironia. Os números falam por si. Durante os anos 90, as emissões aumentaram 1% ao ano. Desde o ano 2000, começaram a subir a uma média de 3,4%. Exportou-se globalmente o "sonho americano" e o consumo de bens que acreditávamos ser essenciais para satisfazer as nossas necessidades se expandiu rapidamente. Começamos a nos ver exclusivamente como consumidores. Quando o comprar como forma de vida é levado para todos os cantos do globo, isso exige energia. Muita energia.
Spiegel: Voltemos à nossa primeira pergunta: por que as pessoas não foram capazes de deter essa tendência?
Capa do novo livro de Naomi Klein
Klein: Desprezamos sistematicamente as ferramentas. Regulações de todo tipo são objeto de piada. Os governos já não aplicam regras severas que ponham limites às petrolíferas e demais empresas. A crise caiu em nosso colo de maneira desastrosa, no pior momento possível. Já não temos tempo. Estamos num momento de agora ou nunca. Se não atuarmos como espécie, o nosso futuro estará em perigo. Temos que reduzir radicalmente as emissões.
Spiegel: Voltemos a outra pergunta: A senhora não estará a apropriar-se indevidamente das alterações climáticas para utilizá-las na sua crítica ao capitalismo?
Klein: Não. O sistema econômico que criamos também criou o aquecimento global. Eu não inventei isso. O sistema está quebrado, a desigualdade econômica é extremamente grande e a falta de restrições sobre as empresas de energia é desastrosa.
Spiegel: O seu filho Toma tem dois anos e meio. Em que tipo de mundo viverá quando sair da escola, em 2030?
Klein: Isso é o que se está sendo decidido neste exato momento. Eu vejo sinais de que esse poderá vir a ser um mundo radicalmente diferente do que temos hoje e de que a mudança poderá ser bastante positiva ou extremamente negativa. Já é certo que, pelo menos em parte, será um mundo pior. Vamos sofrer com o aquecimento global e com muito mais desastres naturais, isso é certo. Mas ainda temos tempo para impedir um aquecimento realmente catastrófico. Também temos tempo ainda de mudar o nosso sistema económico para que não se torne mais brutal e impiedoso ao enfrentar as mudanças climáticas.
Spiegel: O que se pode fazer para melhorar a situação?
Klein: Temos hoje que tomar algumas decisões sobre que valores são importantes para nós e como realmente queremos viver. E, é claro, existe uma diferença entre um aumento de temperatura de 2 graus e um aumento de 4, 5, ou mais. Ainda é possível aos seres humanos tomar as decisões corretas.
A semana de 08 a 14 de março de 2015 estabeleceu uma
nova marca de concentrações atmosféricas de CO2. Foi a
primeira vez na história que uma média semanal de medi-
das ficou acima de 402 ppm (partes por milhão).
Spiegel: Passaram 26 anos desde a fundação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC – Intergovernmental Panel on Climate Change) em 1988. Sabemos no mínimo, desde então, que as emissões de CO2 causadas pela queima de petróleo e carbono são responsáveis pelas mudanças climáticas. Mas pouco se fez para enfrentar o problema. Já fracassamos?
Klein: Eu vejo a situação de forma diferente, dado o enorme preço que teremos que pagar. Enquanto tivermos a mínima oportunidade de êxito ou de minimizar o dano, temos de continuar na luta.
Spiegel: Há vários anos, a comunidade internacional estabeleceu um objetivo para limitar o aquecimento global a dois graus Celsius. Ainda considera isso alcançável?
Klein: Bom, ainda é uma possibilidade física. Teríamos que reduzir imediatamente as emissões globais para 6% ao ano. Os países mais ricos teriam que ter um peso maior, o que significa que os EUA e a Europa teriam que cortar emissões entre 8% e 10% ao ano. Imediatamente. Não é impossível, só que politicamente é profundamente irrealista no nosso sistema atual.
Spiegel: A senhora está a dizer que as nossas sociedades não são capazes de fazê-lo?
Klein: Sim. Precisamos de uma mudança espetacular, tanto na política como na ideologia, porque existe uma diferença fundamental entre o que os cientistas nos dizem que temos que fazer e a nossa realidade política atual. Não podemos mudar a realidade física, de modo que temos que mudar a realidade política.
Spiegel: Uma sociedade que se centra no crescimento poderá combater de verdade e com êxito a mudança climática?
Klein: Não. Um modelo económico baseado num crescimento indiscriminado leva inevitavelmente a um maior consumo e a maiores emissões de CO2. Pode e deve haver crescimento no futuro em muitos setores da economia: tecnologias verdes, transporte público, todas as profissões que proporcionam cuidados, nas artes e, é claro, em educação. Porém, o núcleo do nosso produto interno bruto compreende apenas o consumo, as importações e exportações. Aí é preciso haver cortes. Qualquer outra coisa será autoengano.
Spiegel: O Fundo Monetário Internacional afirma o contrário. Diz que o crescimento económico e a proteção do clima não se excluem mutuamente.
Klein: Eles não analisam os mesmos números que eu. O primeiro problema é que em todas essas conferências sobre o clima, todos agem como se fôssemos chegar ao nosso objetivo por meio de um compromisso próprio de obrigações aceitas voluntariamente. Ninguém diz às empresas de petróleo que terão de ceder. E o segundo problema é que essas empresas vão lutar como feras para proteger o que não querem perder.
Spiegel: A sério, quer eliminar o livre mercado com a finalidade de salvar o clima?
Klein: Não falo de eliminar o mercado, mas faz-nos falta muito mais estratégia, direção e planejamento, e um equilíbrio muito diferente. O sistema em que vivemos está abertamente obcecado com o crescimento, considerando bom qualquer crescimento. Mas existem formas de crescimento que, claramente, não são boas. Para mim, está claro que a minha posição entra em conflito direto com o neoliberalismo. É verdade que, na Alemanha, embora tenham acelerado a mudança em direção às energias renováveis, o consumo de carbono está, na realidade, a aumentar?
Spiegel: Isso foi verdade entre 2009 e 2013.
Klein: Para mim, isso é expressão da relutância em tomar as decisões realmente necessárias. A Alemanha nem sequer vai cumprir o seu objetivo de emissões nos próximos anos.
Spiegel: A presidência de Obama é o pior que poderia acontecer para o clima?
Klein: De certo modo. Não porque Obama seja pior do que um republicano, que não é, mas porque estes oito anos foram a maior oportunidade desperdiçada das nossas vidas. Havia os fatores justos para uma convergência realmente histórica: consciência, urgência, ânimo, maioria política, o fracasso dos três grandes fabricantes de automóveis norte-americanos e até a possibilidade de encarar de uma vez a mudança climática e o mundo financeiro em crise. Mas quando chegou ao cargo, não teve coragem de fazê-lo. Não venceremos esta batalha a menos que estejamos dispostos a discutir por que Obama considerou que o controle sobre bancos e montadoras de automóveis era mais um peso do que uma oportunidade. Foi prisioneiro do sistema. Não quis mudá-lo.
Spiegel: Os EUA e a China chegaram finalmente a um acordo inicial sobre o clima em 2014.
Klein: Acordo que, é claro, é algo bom. Mas tudo o que pode ser penoso no acordo não entrará em vigor até que Obama conclua o seu mandato. Contudo, o que mudou é que Obama disse: “Os nossos cidadãos estão se manifestando, não podemos ignorar isso”. Os movimentos de massas são importantes, têm repercussões. Mas para empurrar os nossos líderes até onde eles têm que chegar, os movimentos têm que tornar-se ainda mais fortes.
Spiegel: Qual deveria ser a sua meta?
Klein: Nos últimos 20 anos, a extrema direita, a absoluta liberdade das empresas petrolíferas e a liberdade do 1% dos super-ricos da sociedade se transformaram em norma política. Temos que deslocar de novo o centro político norte-americano da franja direitista rumo a onde ela pertence, um outro centro.
Spiegel: Srª Klein, isso não tem sentido porque é uma ilusão. Você está indo longe demais. Se quer eliminar o capitalismo antes de empreender um plano para salvar o clima, saiba que isso não vai acontecer.
Klein: Veja, se o senhor quiser se deprimir, existem muitas razões para isso. Mas continuará errado, porque o fato é que apostar em mudanças graduais supostamente atingíveis, como o comércio de emissões e a troca de lâmpadas, fracassou miseravelmente. Em parte, isso se deve ao fato de que na maioria dos países o movimento ambientalista continuou elitista, tecnocrático e supostamente neutro no campo político durante duas décadas e meia. Já vemos hoje quais são os resultados: levaram-nos ao caminho errado. As emissões aumentando e a mudança climática está aí. Em segundo lugar, nos EUA, todas as transformações importantes, legal e socialmente, nos últimos 150 anos, foram resultado de movimentos sociais massivos, conforme se posicionaram a favor das mulheres, contra a escravidão ou em prol dos direitos civis. Precisamos de novo dessa força, e rapidamente, porque a causa das mudanças climáticas é o próprio sistema político e económico. A sua perspetiva é demasiado tecnocrática e estreita.
Spiegel: Se a senhora tenta solucionar um problema específico revolucionando toda a ordem social, não vai resolvê-lo. Isso é uma fantasia utópica.
Klein: Não se a ordem social for a raiz do problema. Visto por outra perspetiva, nadamos literalmente em um mar de pequenas soluções: há tecnologias verdes, leis locais, tratados bilaterais e impostos sobre o CO2. Por que não temos tudo isso na escala global?
Spiegel: A senhora está a dizer que todos esses pequenos passos – tecnologias verdes e impostos sobre o CO2, além de um comportamento ecológico individual – são sem sentido?
Klein: Não. Todos deveríamos fazer o possível, é claro. Mas não podemos nos enganar achando que isso é suficiente. O que digo é que esses pequenos passos continuarão a ser demasiado pequenos se não se transformarem num movimento de massas. Precisamos de uma transformação econômica e política, que se baseie em comunidades mais fortes, empregos sustentáveis, maior regulação e um distanciamento dessa obsessão pelo crescimento. Estas são as boas notícias: temos realmente a oportunidade de resolver vários problemas de uma vez por todas.
Spiegel: Não parece contar com a razão coletiva de políticos e empresários.
Klein: É porque o sistema não pensa. O sistema recompensa o ganho a curto prazo, o que quer dizer lucros rápidos. Veja o Michael Bloomberg, por exemplo...
Spiegel: … empresário e ex-prefeito de Nova York...
Klein: … que entende a gravidade da crise do clima como um político. Mas como empresário, prefere investir num fundo especializado em ativos de petróleo e gás. Se uma pessoa como Bloomberg não resiste à tentação, então conclui-se que a capacidade de autoconservação do sistema não é lá essas coisas.
Spiegel: Um capítulo particularmente inquietante do seu livro é sobre Richard Branson, presidente do grupo Virgin.
Klein: Sim, não esperava.
Spiegel: Branson tratou de apresentar-se como um homem que quer salvar o clima. Tudo começou num encontro com Al Gore.
Klein: E em 2006 comprometeu-se, num ato na Clinton Global Initiative, a investir 3 bilhões de dólares em pesquisa em tecnologias verdes. Naquela época, eu achei que seria uma contribuição realmente sensacional. Não me ocorreu pensar “que cínico sacana você é”.
Spiegel: Mas Branson estava apenas encenando e somente uma parte desse dinheiro chegou a ser investido.
Klein: Pode ser que tenha sido sincero naquele momento, mas sim, investiu uma parte.
Capitalismo "verde": Branson, à frente da Virgin Airlines,
além de ter aumentando as emissões de sua companhia em
40% ainda promove um sexismo irritante...
Spiegel: Desde 2006, Branson acrescentou 160 novos aviões às suas inúmeras linhas aéreas e já incrementou as suas emissões em 40%.
Klein: Sim.
Spiegel: O que se pode aprender com essa história?
Klein: Que temos de pôr em causa o simbolismo e os gestos feitos pelas estrelas de Hollywood e pelos super-ricos. Não podemos confundir isso com um plano cientificamente sério para reduzir emissões.
Spiegel: Nos EUA e na Austrália gasta-se muito dinheiro para tentar negar as alterações climáticas. Por quê?
Klein: É diferente da Europa. Trata-se de ódio, semelhante ao de quem se opõe ao aborto e ao controle de armas. Não se trata apenas de que estejam protegendo um modo de vida que não querem mudar. É que entenderam que a mudança climática confronta o núcleo do seu sistema de crença contrário ao governo e em prol da liberdade de mercado, de modo que precisam de negá-lo para proteger a sua própria identidade. Por isso, existe essa diferença de intensidade: os liberais querem agir um pouco na proteção do clima. Mas, ao mesmo tempo, eles têm uma série de outras questões que têm mais prioridade na sua agenda. Mas temos que entender que quem nega com mais veemência a mudança climática entre os conservadores negacionistas farão tudo o que estiver ao seu alcance para impedir qualquer ação.
Um movimento de massas em defesa do clima. Que
parta da defesa do direito à terra e à água, da defesa
dos povos originários e comunidades tradicionais, que
congregue os atingidos pela indústria poluidora e que
lute por novos empregos, de outro tipo e natureza. Nós
somos muitos. Nós somos muitos mais que eles.
Spiegel: Com estudos pseudocientíficos e desinformação?
Klein: Com tudo isso, é claro.
Spiegel: Isso explica por que você relaciona todas essas questões – questões de meio ambiente, igualdade, saúde pública e trabalho –, que são tão populares entre a esquerda? Por razões puramente estratégicas?
Klein: Essas questões estão relacionadas e precisamos relacioná-las no debate. Só há um modo de vencer uma batalha contra um pequeno grupo de pessoas que te enfrentam porque têm muito a perder: é preciso iniciar um movimento de massas que inclua todas as pessoas que têm a ganhar. Os negacionistas só podem ser derrotados se você se mostrar não apenas igualmente apaixonado, mas também em maior número. Porque a verdade é que eles são realmente muito poucos.
Spiegel: Por que a senhora não acredita que a tecnologia verde tenha potencial para nos salvar?
Klein: Houve um enorme progresso no estoque de energias renováveis, por exemplo, e na eficiência solar. Mas e a mudança climática? Eu, em todo caso, não tenho muita fé para dizer: “Inventaremos alguma coisa num dado momento, então deixemos de lado todos os demais esforços”. Isso seria uma insensatez.
Spiegel: Pessoas como Bill Gates enxergam as coisas de modo diferente.
Klein: Eu considero ingênuo o fetichismo tecnológico dele. Em anos recentes, testemunhamos alguns fracassos simplesmente retumbantes, nos quais algumas das pessoas mais preparadas meteram os pés pelas mãos em escala grandiosa, seja nos contratos derivativos que desencadearam a crise financeira ou na catástrofe petrolífera na costa de Nova Orleãs. Na sua grande maioria, nós desmantelamos as coisas e não sabemos como consertá-las. E o que estamos a desmantelar agora é o nosso próprio planeta.
Spiegel: Ouvindo-a, poderia-se ter a impressão de que a crise do clima é uma questão de género.
Klein: Por que diz isso?
Spiegel: Bill Gates disse que temos que avançar e idealizar novas invenções para assumir o controle do problema e, em última instância, desta nossa Terra tão complicada. Por outro lado, a senhora disse: não, parem, temos é que nos adaptar a este planeta e tornar-nos mais leves. As empresas petrolíferas norte-americanas são comandadas por homens. E a senhora, uma mulher crítica, é descrita como uma histérica. Isso seria um pensamento absurdo?
Klein: Não. A industrialização, no seu conjunto, esteve ligada ao poder ou se seria o homem ou a natureza a dominar a Terra. Para alguns homens, é difícil reconhecer que não temos controle sobre tudo; que acumulamos todo esse CO2 ao longo dos séculos e que a Terra agora está nos dizendo: olhe, você não é mais do que um convidado na minha casa.
Spiegel: Convidado da Mãe Terra?
Klein: Isso soa brega. Mas, apesar disso, está correto. A indústria petrolífera é um mundo dominado por homens, algo muito semelhante ao que ocorre no mercado financeiro. É uma coisa de machos. A ideia norte-americana e australiana de “descobrir” um país infinito do qual se possam extrair inacabáveis recursos é uma narrativa de dominação, que representa tradicionalmente a natureza como uma mulher frágil e débil. E a ideia de estar em relação de interdependência com o resto do mundo natural é considerada uma fraqueza. Por isso, é duplamente difícil aos machos alfa reconhecer que se enganaram.
Spiegel: Há no seu livro uma questão que você parece evitar. Embora a senhora fale mal das empresas, nunca diz aos leitores, que são clientes dessas empresas, que eles também são culpados. Também não disse qualquer coisa a respeito do preço que cada um dos leitores terá de pagar pela proteção do clima.
Klein: Ah, eu acho que a maioria das pessoas ficaria feliz em pagar por isso. Sabem que a proteção do clima exige um comportamento razoável: conduzir menos, voar menos e consumir menos. Ficariam encantados em utilizar energias renováveis se lhes fossem oferecidas.
Spiegel: Mas a ideia não é suficientemente grande, não é?
Klein: (risos) Exato. O movimento verde passou décadas dizendo para as pessoas que façam compostagem, que reciclem e andem de bicicleta. Mas veja o que aconteceu com o clima durante essas últimas décadas.
Spiegel: O seu estilo de vida é amigável para com o clima?
Naomi Klein é hoje uma das ativistas mais influentes da
causa climática
Klein: Não o suficiente. Ando de bicicleta, utilizo o transporte público, procuro dar palestras por Skype, partilho um carro híbrido e cortei os meus voos a um décimo do que eram antes de começar este projeto. O meu pecado está em tomar táxis e, desde que o livro saiu, voltei a voar muito. Mas também não acredito que apenas as pessoas perfeitamente verdes, que vivem sem emitir CO2 sejam as únicas que devam falar sobre essa questão. Se fosse assim, ninguém poderia dizer uma palavra, em absoluto.
Spiegel: Obrigado pela entrevista senhora Klein.

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