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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A Bioenergia com Captura de Carbono (BECCS) poderá nos salvar?

A ideia de que existe uma saída tecnológica "mágica" na
cartola ou na manga para a crise climática é ilusória. Mas
há setores que apostam nessa ilusão para continuarem na
lógica do lucro hoje (com os combustíveis fósseis) e no
futuro próximo (seja com BECCS ou geoengenharia).
Uma sigla que já está presente nos debates sobre a crise climática e que possivelmente deverá chegar à arena pública em algum momento é BECCS (Bioenergia com Captura de Carbono). Trata-se de uma promessa de futura tecnologia de mitigação, casando a geração de energia com a captura e armazenamento de carbono (CCS). A ideia é que biomassa e biocombustíveis seriam utilizadas na indústria e em usinas de energia dotadas de equipamentos para realizarem o sequestro de CO₂ (injeção do mesmo em formações geológicas ou fixação química). Gerar energia não só sem emitir CO₂ mas retirando-o da atmosfera parece ser a salvação do planeta. Aviso de Spoiler: mesmo que a tecnologia já existisse, só parece...

terça-feira, 17 de março de 2015

Porque emissões de CO2 "congeladas" não podem ser motivo de comemoração, mas de luta!

A Agência Internacional de Energia anunciou que as emissões
de CO2 do setor de energia não cresceram de 2013 a 2014.
Mas há razões para euforia?
A IEA anunciou há poucos dias e a mídia e vários sites ligados a organizações e movimentos ambientalistas difundiram, que as emissões de CO2 haviam parado de crescer (na verdade, para sermos mais exatos, as emissões do setor de energia não cresceram de 2013 para 2014, sendo que o relatório completo, incluindo o setor de produção de cimento, só deverá ficar pronto em Junho). O crescimento de emissões já havia sido considerado modesto há um ano, porque os 35,3 bilhões de toneladas de CO2 emitidas em 2013 foram "apenas" 2% maiores do que os 34,6 bilhões de toneladas de 2012... Com efeito, esse aumento já havia sido menor tanto do que o crescimento da economia (que foi de 3,1% naquele período) quanto do que o aumento médio da década passada (de 1,1 bilhões de toneladas, ou de 3,8% ao ano).

Em sua grande parte, houve entusiasmo junto ao movimento ambientalista, mas a mim parece que a necessidade de celebrar pequenas vitórias para manter o nosso ânimo e reduzir o fardo psicológico dos revezes ambientais (e também os revezes em direitos, na luta pela igualdade, justiça e democracia) pode nos jogar para um terreno arriscado, que é o de enxergar essas pequenas vitórias onde elas de fato não existem.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

SBPC: como o Clima Global e o Balanço de Carbono desapareceram entre o Código Florestal e Pré-Sal

O Brasil, segundo dados do próprio governo, detém 516 milhões de hectares de florestas. É uma área bastante generosa, bem maior do que os 24,2 milhões de hectares, segundo a Empraba, que temos de soja plantada em nosso território (na verdade, 21,3 vezes maior, para ser exato). A produtividade da soja, segundo a Embrapa, no mesmo site, é 3106 kg/ha (quilogramas por hectare) e a cotação da soja, segundo o insuspeito site "Notícias Agrícolas", gira em torno de R$ 1000,00 por tonelada, ou seja uma relação de um para um entre real e quilograma.

Uma conta que pode ser feita (e deve, para assustar) é: extrapolando esses valores, admitindo que toda a área de floresta no Brasil fosse substituída por plantação de soja, quais as cifras (ou melhor, cifrões) a que chegaríamos? Vamos lá... Multiplicando R$ 3106,00/ha por 516 milhões de hectares, e usando a cotação de U$ 1 = R$ 1,97 chegamos à marca de U$ 814 bilhões, o equivalente a mais de um terço do PIB brasileiro, de U$ 2,3 trilhões. A cada safra. A cada ano. Um PIB inteiro a cada três anos! Mas guardemos esse resultado... Claro, para escaparmos do argumento de que uma oferta muito grande da soja derrubaria seu preço nos mercados internacionais, se poderia pensar em devastar "apenas" 10% das florestas e faturar com a soja durante 30 anos...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não existe pecado do lado de baixo do equador. Em compensação, calor...

Percentis de temperatura para Janeiro de 2013.
Fonte: State of the Climate (NOAA), em
http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2013/1
Janeiro de 2013 não trouxe grandes surpresas em relação ao que se esperava. Na média global, aparece como o 9º mais quente do registro histórico, fazendo dele o 336º mês consecutivo com temperaturas acima da média.

Na última vez em que a média global de temperatura ficou abaixo da média, Mikhail Gorbachev havia acabado de assumir o cargo de Secretário-Geral do PCUS (o Partido Comunista da União Soviética). Nelson Mandela estava na cadeia e a África do Sul havia acabado de liberar os "casamentos interraciais" (sim... nos remete à luta dos homossexuais pelo casamento igualitário nos dias de hoje). Tancredo Neves havia sido escolhido presidente do Brasil por meio de eleições indiretas num Colégio Eleitoral.

Faltavam ainda quatro anos para a queda do Muro de Berlim e para a realização de eleições presidenciais no Brasil pela primeira vez desde o golpe militar de 1964. Nessas eleições, se deu o lançamento da primeira candidatura à presidência por parte de Luís Inácio Lula da Silva, um Lula bastante diferente daquele dos dias de hoje, acreditem...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Rumo a 4 graus? Estão rindo de quê?

Neste post, quero chamar a atenção, dentre outros pontos, para um artigo de autoria de Richard Betts e colaboradores, recentemente publicado no Philosophical Transactions of the Royal Society, cujo título é "When could global warming reach 4°C?"


Apesar de, especialmente acima de 3 graus de aquecimento, as incertezas nos impactos crescerem, sabe-se que um planeta 4 graus acima da era pré-industrial (mais de 3 graus mais quente do que o presente) é virtualmente irreconhecível. O primeiro ponto diz respeito a tempestades mais intensas. Uma atmosfera mais quente permite a presença de uma maior quantidade de vapor d'água, o que tem o efeito, como discutimos em outro momento, de amplificar a intensidade de tempestades, furacões e outros fenômenos extremos. O segundo se remete às geleiras. Como se sabe as projeções de degelo tem sido profundamente conservadoras, subestimando o que de fato tem acontecido (como já mostramos, o recorde de degelo no Ártico em 2012 aconteceu com mais de duas décadas de antecipação em relação à projeção mais "pessimista" e cerca de 50 anos antes do que a média dos "modelos do IPCC" previu, quando do quarto relatório).

sábado, 24 de novembro de 2012

Pela Extinção dos Combustíveis Fósseis!

Tem havido todo um debate em torno da divisão dos chamados "royalties" do petróleo, que tenho considerado superficial e enviesado. Lamento que a questão climática, absolutamente central para a humanidade neste século XXI sequer seja tangenciada. As "polêmicas", para mim, soam vazias de sentido, qualquer que seja a destinação final dos tais royalties (fiquem majoritariamente com os estados de origem do recurso fóssil ou sejam distribuídos equitativamente, sejam destinados por completo à educação ou para outros fins, os mais nobres que você possa imaginar...), o efeito final do uso das reservas fósseis é de um dano incomensurável. É certamente muito maior do que qualquer benefício de curto prazo que se possa aferir.

Em outros temas ambientais, a adoção do princípio de precaução e, sobretudo, a primazia do raciocínio de longo prazo, em detrimento da exasperação da busca de benefícios de curto prazo me parece bem melhor equacionada. É o caso, por exemplo, das florestas. Hoje em dia, em meio a formuladores de políticas, governantes de diversos matizes e na população em geral, é mais ou menos bem aceita a noção de que a devastação das florestas não pode ser admitida, por mais que fosse produzida e bem distribuída riqueza a partir de criação de gado, plantio de soja ou extração de madeira! Sabe-se que, em nome da preservação de serviços ambientais, da água, do clima local, da biodiversidade, enfim, numa perspectiva de sustentabilidade, é quase universal (com exceção dos ruralistas mais empedernidos) a compreensão de que as taxas de desmatamento devem declinar e que, pelo uma parcela significativa das florestas tem de ser mantida.

Infelizmente, não há o mesmo tipo de compreensão no que diz respeito ao uso do petróleo, carvão e demais combustíveis fósseis. Talvez porque os danos associados não seja locais, e sim globais, temos uma triste contradição: as consequências da queima desenfreada de combustíveis fósseis são mais profundas e de maior escala, mas menos perceptíveis por não se se darem de maneira localizada e concentrada. Exceto quando há um derramamento de petróleo com uma calamidade ambiental e todos vêem manchas de óleo nos mares, as pessoas tendem a naturalizar o uso dos combustíveis fósseis, sem se darem conta da catástrofe anunciada em cada ppm (parte por milhão) a mais de CO2 na atmosfera. Acreditem, a questão é para lá de séria e espero poder mostrar para vocês que a única escolha racional possível por parte da humanidade é manter a grande maioria das reservas fósseis exatamente onde estão: soterradas, intocadas, sacrossantos restos mortais das florestas do Carbonífero!

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