![]() |
26 de agosto é aniversário do Palmeiras e de Madre Tereza. Mas a partir de 2016 ficará marcado por algo impressionante. |
O fato ocorrido nessa data e que representa um marco tem a ver com medições feitas no observatório de Mauna Loa. Nesse local, observações da concentração de CO2 vêm sendo realizadas desde 1958, "todo santo dia" e que produziram a famosa "Curva de Keeling", o famoso gráfico que mais do que o ciclo anual de respiração e fotossíntese do planeta, revela a rápida acumulação de CO2 na atmosfera terrestre em virtude das emissões humanas, levando-nos a um aumento de mais de 40% na concentração desse gás em relação aos tempos pré-industriais.
![]() |
Medidas de CO2 em Mauna Loa em 2016, de Janeiro a Outubro: valores diários (pontos azuis), médias semanais (linhas verdes) e médias mensais (linhas vermelhas). |
Além dos valores diários, com a exceção de 26/08, todas as medidas semanais de concentração de CO2 este ano ficaram bem acima de 400 ppm (a média semanal mais baixa tendo ocorrido na última semana de setembro, com 400,72 ppm) e todos os meses ficaram acima de 401 ppm (o mínimo registrado foi de 401,03 ppm na média mensal de setembro).
O ritmo de elevação dessas concentrações tem se acelerado nas últimas décadas. A taxa de acumulação média era de 0,85 ppm/ano nos anos 1960. Na década de 1990, esse número saltou para 1,50 ppm/ano e nos anos 2010, atingiu impressionantes 2,38 ppm/ano em média, sendo que em 2015, com a contribuição do El Niño se somando ao fator (dominante) antrópico, acumularam-se 3,05 ppm de CO2 na atmosfera.
Essa aceleração é muito preocupante. Usando estimativas conservadoras da sensibilidade climática (uma duplicação da concentração de CO2 levando a um aquecimento de 3°C), conclui-se que para se evitar um aquecimento de 2°C deveriámos ficar abaixo de 444 ppm. Na atual trajetória de uma acumulação cada vez mais rápida de CO2 na atmosfera, é provável que na década de 2020 a taxa anual gire em torno de 3 ppm/ano ou mais, o que nos dá cerca de 15 anos para atingirmos esse patamar de alto risco. Ou menos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário