Mostrando postagens com marcador agronegócio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agronegócio. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de junho de 2019

A declaração de guerra do capital contra a natureza. Parte II: Biosfera encurralada

"Em menos de cinco décadas, o mundo assistiu à terrível redução
de 60% nas populações silvestres de vertebrados, levando incontá-
veis espécies à ameaça de extinção ou à sua extinção efetivamente."
O capitalismo requer cada vez mais território a fim de suprir a demanda crescente de matéria e energia necessária para sua reprodução ampliada. A ocupação de terras para atividades humanas, seja a mineração, a instalação de cidades, infraestruturas que incluem estradas, barragens etc. ou principalmente áreas para agropecuária, vem encurralando a biosfera terrestre contra a parede.

Globalmente, essa ocupação territorial tem sido responsável por um verdadeiro encolhimento da vida silvestre. Hoje, existem 51 milhões de quilômetros quadrados de terra “domesticada”, contra 39 milhões de quilômetros quadrados de florestas. Para citar o exemplo mais próximo, em menos de cinco décadas, o Brasil perdeu mais de 20% da Amazônia e impressionantes 50% do cerrado (1). Sim, o mesmo agro, que assassina indígenas e sem-terra, que financia esquemas de corrupção, que se apropria da água para irrigação, que envenena o alimento e ajuda a bancar a radicalização à direita da política do País, é a maior ameaça à biodiversidade, riqueza impossível de se traduzir em dinheiro.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Maggi: um ruralista pra lá de Marrakech

Ministro da Agricultura Blairo Maggi dando um tchauzinho
para o clima. Foto: Estadão.
A eleição de Donald Trump, nos EUA, caiu como uma bomba em Marrakech, onde está sendo realizada a COP22 e em nosso blog já dedicamos um longo artigo analisando os graves perigos que isso representa. Acontece que não é só da parte norte do continente americano que partem ameaças ao frágil consenso construído em torno do Acordo de Paris, sim, aquele mesmo que já era só letra e que pelo andar da carruagem deve virar letra morta mais cedo do que o que se imaginava. O Brasil, que geralmente posa de bom moço nas conferências climáticas, desta vez resolveu passar vergonha também...

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Sobre os Graves Erros de Cowspiracy

A indústria da carne produz enormes impactos
ambientais e climáticos, mas, ao exagerá-los,
Cowspiracy termina prestando um desserviço:
confunde e desinforma.
O filme "Cowspiracy" apareceu como uma verdadeira bomba quando foi lançado em 2014. Até hoje é mencionado como um exemplo de financiamento coletivo muito bem sucedido e, tendo conquistado Leonardo DiCaprio como produtor-executivo, estreou no Netflix em 2015, ganhando muita audiência e com uma mensagem (pelo menos aparentemente) contundente. Não cheguei a encontrar informações a esse respeito, mas acredito que a essa altura o público atingido tenha se multiplicado bastante, podendo ter chegado a vários milhões de pessoas. É um fato que o debate alimentar tem sido omitido injustificadamente em vários momentos. E isso quando, juntando-se as emissões de metano e óxido nitroso da agropecuária com o desmatamento, chega-se a aproximadamente um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa, não pode permanecer em tal situação. Em nosso blog, abrimos o debate com dois artigos e pretendemos voltar a ele mais extensivamente em outros momentos. Nesse contexto, portanto, considero que seria excelente se o debate do impacto ambiental e climático da produção de alimentos pudesse chegar, de forma didática e precisa, a um público bastante amplo, por meio de um documentário. Seria...

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A "outra" bomba de carbono: nossa dieta. Parte II - Churrasco de Planeta

Apesar do "pum" emblemático, a maior
parte do metano produzido pelos rumi-
nantes sai mesmo é pela boca...
Inicio este segundo artigo da série, destacando, dos dados mostrados em artigo anterior, o fato de que cerca de 4% das emissões globais de gases de efeito estufa se devem única e exclusivamente à fermentação entérica, havendo fortes indícios de que a ampla maioria dessas emissões se deva ao gado bovino (de corte e leiteiro). É algo da ordem de 2 bilhões de toneladas de CO2-equivalente, mesmo sem considerar todos os outros aspectos ligados à pecuária: do desmamento à decomposição de esterco, do uso de fertilizantes para o pasto ao transporte de insumos e, claro, do próprio produto.

É esse aspecto que faz com que - exclusivamente do ponto de vista climático, sem incluir ainda outros aspectos socioambientais - a carne bovina seja provavelmente a pior escolha possível como fonte protéica. Unindo dados da FAO com informações da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCAUSP), chega-se à conclusão de que ela é disparadamente a mais carbointensiva.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Negacionismo: Apague essa ideia!

Contar com meia dúzia de "cientistas" vendilhões e pseudo-
especialistas para semear a dúvida não é novidade. A indústria
fóssil está imitando a indústria tabagista. O que é lamentável é
o truque "colar" outra vez!
O cigarro causa câncer. Na verdade, dados do Instituto Nacional do Câncer são cristalinos: o tabaco é responsável por 23 óbitos por hora em nosso país; incluindo um quarto das doenças vasculares (incluindo derrame cerebral) e das mortes por angina e infarto do miocárdio (quase metade na faixa abaixo de 65 anos), pela quase totalidade de mortes por bronquite crônica e enfisema pulmonar (85%) e câncer no pulmão (90%, sendo que fumantes passivos representam um em cada três entre os 10% restantes), por quase um terço das mortes decorrentes de formas diversas de câncer (boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, etc.). São nada menos do que 4700 substâncias tóxicas identificadas na fumaça do cigarro (50 das quais comprovadamente carcinogênicas): monóxido de carbono, que gera um composto estável que bloqueia as funções da hemoglobina e é produzido abundantemente pela combustão, cianeto de hidrogênio (o mesmo gás das câmaras de execução), benzeno (cancerígeno, frequentemente ligados a casos de leucemia em trabalhadores do ramo petroquímico), nitrosaminas, cetonas, xileno, tolueno (ou seja, solventes para desde esmaltes de unha até tinta industrial), compostos orgânicos policíclicos, terebentina, alcatrão, níquel e metais pesados (arsênio, cádmio etc.)... A lista é interminável.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Quinze 2.0 exige resposta: Água para Quem?

Quase 2/3 de chance de chuvas abaixo do normal. Chega de
ilusões. É preciso encarar de forma cristalina como água limpa
a questão fundamental: ÁGUA PARA QUEM?
Probabilidade é probabilidade. Previsões têm sempre incertezas. Mas não dá para tapar o sol (nem o CO2 extra na atmosfera, nem a água que evapora loucamente no calor) com a peneira. O sinal de previsão da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), de chance de 64% de chuvas abaixo da média, é muito forte para ser desprezado. Especialmente quando até um ano normal dificilmente iria aliviar a situação de seca e recarregar os reservatórios, algo que só aconteceria num ano de chuvas acima do normal.

Há alguns anos, já venho alertando para as consequências da crise climática, que seriam mais graves e mais profundas. Já cansei de repetir que é inaceitável sustentar, no semi-árido, atividades econômicas intensivas como o agronegócio de fruticultura irrigada e uma termelétrica a carvão (haja CO2) que sozinha consome quase 1000 litros de água a cada segundo (ou três milhões e meio de litros de água por hora, o que seria suficiente para abastecer mais de meio milhão de pessoas!). Isso foi feito em diversos artigos, como este, publicado no presente blog, ou este, publicado na grande imprensa e em diversos pronunciamentos junto a movimentos sociais.

sábado, 12 de abril de 2014

Não à rendição! Nem geoengenharia, nem nuclear, nem transgênicos!

A Ciência do Clima revelou como a queima de combustíveis
fósseis, principal fonte de energia para movimentar a
máquina capitalista, está levando o sistema climático
à beira de uma espiral sem volta de desestabilização. A
 comunidade científica precisa ser capaz de ir até o fim e
não pode se render às "saídas fáceis" oferecidas pelo capital.
Cercados de todos os lados, mesmo pessoas valorosas da Ciência têm feito concessões inadmissíveis a falsas alternativas, seja para combater a mudança climática, seja para diminuir os seus impactos.

Energia Nuclear? Não, obrigado!

Recentemente, James Hansen, cientista líder nas pesquisas sobre mudança no clima e ativista climático que inspirou a frase que dá nome a este blog fez, lamentavelmente, uma movimentação de defesa da "energia nuclear segura", como via para salvar o clima global da desestabilização que inevitavelmente emergerá como resultado da continuidade da queima de combustíveis fósseis como principal fonte energética. Com isso, ele se une a outras vozes proeminentes, como James Lovelock que, partindo da premissa correta de que "a mudança climática é o maior perigo que a humanidade já vivenciou", conclui erroneamente que ela "tem de usar a energia nuclear", na sua opinião a "única fonte de energia segura disponível". Ora, ainda que a estratégia de saída da crise climática possa criar dificuldades para a rápida abolição do uso da fissão nuclear, é evidente que a expansão desse setor é algo simplesmente inaceitável. Infelizmente, porém, o falso "verde criptonita" da energia nuclear está longe de ser a única falsa alternativa tecnológica com poder de sedução sobre a comunidade científica, incluindo alguns de seus mais proeminentes representantes.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ex-Carnaval! Quanta indecência!

Há bastante tempo, o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro descolou-se por completo das tradições de uma festa popular, para se tornar um grande negócio. Há mais de 30 anos, o Império Serrano já falava das "Super-Escolas de Samba S/A" em seu histórico enredo "Bum-bum-praticumbum-prugurundum". Mas acredito que nem o mais crítico dentre os que conceberam o enredo do Império naquele ano imaginava o que estaria por vir...

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

Alok Sharma, presidente da COP26, teve de conter as lágrimas no anúncio do texto final da Conferência, com recuo em tópicos essenciais ...

Mais populares este mês