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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

E o clima? Por um verdadeiro debate sobre o pré-sal.

Senador José Serra, autor do projeto que favorece as grandes
corporações do ramo petroquímico e potencializa as emissões
de CO2.
Após ser assegurado o regime de urgência em sua votação, o Senado Federal aprovou (nesta quarta-feira, 24/02), por 40 votos favoráveis, 26 contrários e duas abstenções, o projeto de lei que altera as regras de exploração de petróleo do pré-sal. Em essência, a proposta faz com que a Petrobrás perca a exclusividade das atividades no pré-sal e faz com que, em lotes a serem definidos e submetidos a leilões com as mesmas regras de fora do pré-sal, não haja mais a obrigatoriedade de a Petrobrás entrar com pelo menos 30% dos investimentos em todos os consórcios de exploração. Mas o debate tem andado longe de abordar a real essência do problema.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sobre o pré-sal, o Greenpeace e a "esquerda elitista". Uma crítica às posições de Igor Fuser.

A "profundidade" do discurso da esquerda
oficial em torno da exploração do pré-sal é
inversamente proporcional à profundidade
física da própria camada..
Anteontem, no Brasil de Fato, Igor Fuser publicou um texto que se propõe a ser uma "crítica séria" a Ana Paula, militante do Greenpeace, que, em seu retorno ao Brasil, após bravamente enfrentar a Gazprom, a gigante fóssil russa que deseja explorar gás e petróleo no Ártico, e o governo Putin, que a manteve detida, defendeu a não-exploração do petróleo do pré-sal.

É preciso que a riqueza chegue às mãos e às casas de muitos milhões de pobres mundo afora. Isso é fato. Centenas de milhões de pessoas mundo afora vivem muito, mas muito longe de um limiar mínimo de dignidade e é, evidentemente, necessário que infraestrutura material de saneamento, mobilidade, comunicação, etc. se faça disponível a todos os assentamentos humanos que a desejarem.

Mas a premissa de Fuser de que "negar ou diluir a dimensão social dos recursos naturais em países periféricos, como o Brasil, é incorrer num elitismo imperdoável" é flagrantemente falsa.

sábado, 19 de outubro de 2013

"RCP2.6, o Paraíso Proibido" ou "O Parágrafo que os Governos da Arábia Saudita, China e Brasil quiseram retirar do relatório do IPCC"

"Limitar o aquecimento causado pelas emissões antrópicas de CO2 com uma probabilidade de >33%, >50%, e  >66% a menos de 2°C desde o período 1861-1880, requererá que as emissões de CO2 de todas as fontes antrópicas permaneçam entre 0 e 1560 GtC (bilhões de toneladas de carbono), 0 e cerca de 1210 GtC e entre 0 e cerca de 1000 GtC desde esse período, respectivamente. Esses limites superiores se reduzem a cerca de 880 GtC, 840 GtC e 800 GtC respectivamente, quando se consideram todas as forçantes além do CO2 no RCP2.6. Um total de 531 [446 a 616] GtC já foram emitidas até 2011."

Este é o tal parágrafo mencionado no título. Alguns países (Arábia Saudita, Brasil e China) tentaram se opor a ele, mas os cientistas não cederam. Porém, mesmo compondo o "Sumário para Formuladores de Políticas" e portanto supostamente acessível à leitura por leigos, o mesmo pode ser obscuro a quem não for familiar com a ciência climática. Mas tentarei esclarecer o seu significado e porque certos governos, o brasileiro inclusive, tentaram deixá-lo de fora das páginas desse documento, que se propõe a representar o que há de mais avançado no conhecimento sobre clima.


domingo, 10 de março de 2013

Mudanças Climáticas Globais e Leilões do Petróleo no Brasil - Parte II: O que fazer?


O Brasil veio se tornando progressivamente um grande produtor de petróleo, principalmente a partir da perfuração do piso oceânico em suas águas territoriais. No momento, a produção brasileira atingiu 2.583.000 barris por dia [1].

Vazamento na Bacia de Campos, em área explorada
pela americana Chevron-Texaco.
Inicialmente isto se deu através da Petrobrás, que é uma companhia de capital misto, na qual o Estado brasileiro como sócio majoritário, mas também com grande participação de investidores privados. No entanto, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, a Petrobrás perdeu o monopólio da exploração em território brasileiro [2] e muitas companhias começaram suas operações, incluindo a Chevron, que já foi responsável por um vazamento de grandes proporções na Bacia de Campos próximo ao litoral do Rio de Janeiro.

Após interrompidos por 4 anos, os leilões do petróleo e gás no Brasil retornarão com força total em 2013. Em Maio, 117 blocos irã a leilão, incluindo, pela primeira vez no Brasil, gás de xisto. O leilão da camada do pré-sal, em regime de partilha, está marcado para 28 de Novembro. A Shell já manifestou seu interesse [3].

domingo, 24 de fevereiro de 2013

SBPC: como o Clima Global e o Balanço de Carbono desapareceram entre o Código Florestal e Pré-Sal

O Brasil, segundo dados do próprio governo, detém 516 milhões de hectares de florestas. É uma área bastante generosa, bem maior do que os 24,2 milhões de hectares, segundo a Empraba, que temos de soja plantada em nosso território (na verdade, 21,3 vezes maior, para ser exato). A produtividade da soja, segundo a Embrapa, no mesmo site, é 3106 kg/ha (quilogramas por hectare) e a cotação da soja, segundo o insuspeito site "Notícias Agrícolas", gira em torno de R$ 1000,00 por tonelada, ou seja uma relação de um para um entre real e quilograma.

Uma conta que pode ser feita (e deve, para assustar) é: extrapolando esses valores, admitindo que toda a área de floresta no Brasil fosse substituída por plantação de soja, quais as cifras (ou melhor, cifrões) a que chegaríamos? Vamos lá... Multiplicando R$ 3106,00/ha por 516 milhões de hectares, e usando a cotação de U$ 1 = R$ 1,97 chegamos à marca de U$ 814 bilhões, o equivalente a mais de um terço do PIB brasileiro, de U$ 2,3 trilhões. A cada safra. A cada ano. Um PIB inteiro a cada três anos! Mas guardemos esse resultado... Claro, para escaparmos do argumento de que uma oferta muito grande da soja derrubaria seu preço nos mercados internacionais, se poderia pensar em devastar "apenas" 10% das florestas e faturar com a soja durante 30 anos...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Não existe pecado do lado de baixo do equador. Em compensação, calor...

Percentis de temperatura para Janeiro de 2013.
Fonte: State of the Climate (NOAA), em
http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2013/1
Janeiro de 2013 não trouxe grandes surpresas em relação ao que se esperava. Na média global, aparece como o 9º mais quente do registro histórico, fazendo dele o 336º mês consecutivo com temperaturas acima da média.

Na última vez em que a média global de temperatura ficou abaixo da média, Mikhail Gorbachev havia acabado de assumir o cargo de Secretário-Geral do PCUS (o Partido Comunista da União Soviética). Nelson Mandela estava na cadeia e a África do Sul havia acabado de liberar os "casamentos interraciais" (sim... nos remete à luta dos homossexuais pelo casamento igualitário nos dias de hoje). Tancredo Neves havia sido escolhido presidente do Brasil por meio de eleições indiretas num Colégio Eleitoral.

Faltavam ainda quatro anos para a queda do Muro de Berlim e para a realização de eleições presidenciais no Brasil pela primeira vez desde o golpe militar de 1964. Nessas eleições, se deu o lançamento da primeira candidatura à presidência por parte de Luís Inácio Lula da Silva, um Lula bastante diferente daquele dos dias de hoje, acreditem...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O "leitor" e os "cientistas"

Jornal da Ciência, da SBPC
Como os leitores possivelmente sabem, enviei carta à diretoria da SBPC, em que critiquei o posicionamento da Sociedade sobre os recursos advindos do pré-sal. É lamentável que, tendo a mesma sido enviada para o email pessoal de cada um dos diretores, nenhuma resposta tenha surgido.

Por outro lado, o Jornal da Ciência, veículo da Sociedade, publicou meu questionamento. Aqui, porém, deixo momentaneamente de lado a questão de mérito científico sobre a discussão do impacto climático da exploração do petróleo do pré-sal para falar do discurso.

A publicação no Jornal da Ciência estampa a manchete "Leitor questiona posicionamento de cientistas sobre os royalties do pré-sal", que, no meu entender, passa, subliminarmente, a idéia de se tratar de um questionamento de um leigo em relação à opinião de especialistas abalizados para falar do assunto (os royalties do pré-sal).


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A que preço? Carta à SBPC.


Petróleo pode até gerar recursos para Ciência
e Tecnologia, mas a que preço?
Se há algo que me incomoda profundamente é ver, no meio acadêmico, uma nada contida empolgação (bastante ingênua, na maioria das vezes) com a possibilidade de exploração do pré-sal. É mais incômodo, porém, que a principal sociedade representante dos pesquisadores de nosso País, posicione-se desta forma, ignorando o conhecimento científico atual sobre o ciclo de carbono terrestre, a influência humana sobre ele via queima de combustíveis fósseis e as consequências sobre o sistema climático. Tomei, assim, a iniciativa de me dirigir diretamente a cada uma das diretoras e cada um dos diretores da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, nos termos que seguem.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

A Armadilha dos Royalties: Educação não Precisa ser Manchada de Óleo

Com o objetivo de tentar desfazer alguns mitos, volto ao ponto dos royalties do petróleo, após a decisão do governo Dilma em não mudar as regras para o petróleo que já vem sendo explorado mas, ao mesmo tempo, aprovar uma medida extremamente populista, a de "100% dos royalties do pré-sal para a educação".

É uma pena que a ingenuidade da população e a incapacidade (por ignorarem o tema ou por covardia em incidir sobre questões polêmicas) por parte de segmentos que poderiam ajudar a esclarecer a questão, como a comunidade acadêmica e a militância social (incluindo a esquerda politicamente organizada) permitam que esse caldo de cultura de simpatia ao petróleo se instale.

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

Alok Sharma, presidente da COP26, teve de conter as lágrimas no anúncio do texto final da Conferência, com recuo em tópicos essenciais ...

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