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domingo, 31 de outubro de 2021

Um Recorde Trágico e Nosso Dever de Casa


Na semana que antecedeu à COP26, aberta formalmente em 31/10/2021, em Glasgow, dois importantes documentos científicos vieram se somar à publicação da primeira parte do 6º Relatório do IPCC (referente às bases físicas da mudança do clima): o Greenhouse Gas Bulletin, publicado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM, ou WMO) e o Emissions Gap Report 2021, publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (PNUMA, ou UNEP). Neste artigo, vamos analisar as implicações das informações trazidas no primeiro destes dois documentos para uma das mais decisivas cúpulas do clima da história.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Até Quando Continuaremos Desviando do Foco? Parte II - Vaquinhas Amestradas

Assim como a ORCA, usina de captura direta de carbono que entrou recentemente em operação na Islândia, também chegou amplamente ao noticiário o experimento que mostrou uma redução nas emissões de óxido nitroso através de um inusitado treinamento de vacas para "usarem o banheiro". Sabemos que isso fica por conta do aspecto pitoresco, mas assim como no caso anterior, o espaço generosamente concedido à técnica na mídia (convencional ou não) contrasta com sua quase irrelevância do ponto de vista da grande questão colocada: reduzir radicalmente as emissões a fim de manter o aquecimento global abaixo de níveis catastróficos. Nesta segunda parte de "Até Quando Continuaremos Desviando do Foco?" abordaremos a questão da escala, desta vez em relação ao xixi das vaquinhas...

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Os 8 fatos climáticos de 2016!


2016 foi tudo menos um ano típico, em várias áreas, incluindo economia e política. Mas para o clima em especial, 2016 deverá ficar para a história. Nesta espécie de retrospectiva, vamos mostrar alguns dos "fatos climáticos" mais marcantes desse ano que muita gente não vê a hora de acabar!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Sobre os Graves Erros de Cowspiracy

A indústria da carne produz enormes impactos
ambientais e climáticos, mas, ao exagerá-los,
Cowspiracy termina prestando um desserviço:
confunde e desinforma.
O filme "Cowspiracy" apareceu como uma verdadeira bomba quando foi lançado em 2014. Até hoje é mencionado como um exemplo de financiamento coletivo muito bem sucedido e, tendo conquistado Leonardo DiCaprio como produtor-executivo, estreou no Netflix em 2015, ganhando muita audiência e com uma mensagem (pelo menos aparentemente) contundente. Não cheguei a encontrar informações a esse respeito, mas acredito que a essa altura o público atingido tenha se multiplicado bastante, podendo ter chegado a vários milhões de pessoas. É um fato que o debate alimentar tem sido omitido injustificadamente em vários momentos. E isso quando, juntando-se as emissões de metano e óxido nitroso da agropecuária com o desmatamento, chega-se a aproximadamente um quarto das emissões globais de gases de efeito estufa, não pode permanecer em tal situação. Em nosso blog, abrimos o debate com dois artigos e pretendemos voltar a ele mais extensivamente em outros momentos. Nesse contexto, portanto, considero que seria excelente se o debate do impacto ambiental e climático da produção de alimentos pudesse chegar, de forma didática e precisa, a um público bastante amplo, por meio de um documentário. Seria...

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Uma Fratura no Clima

O crescimento da demanda por gás na-
tural, indevidamente defendido como
um "mal menor" em relação aos outros
combustíveis fósseis, tem levado à
expansão do fracking mundo afora.
O aumento significativo da presença das termelétricas a gás nos EUA e recentemente também no Brasil é um fator preocupante. Não apenas porque, como qualquer outro combustível fóssil, o suproduto da queima do gás natural é o CO2, o que faz com que um número maior dessas unidades de produção elétrica contribua para agravar o efeito estufa, mas também pelo fato de o aumento da demanda ter levado a um crescimento da exploração não-convencional do gás, incluindo a chamada fratura hidráulica, ou fracking. Há uma variedade enorme de impactos associados a esta técnica, de contaminação do lençol freático à produção de sismos. Mas neste artigo, ao invés de abordar essa variedade de impactos, nos propomos a fazer uma crítica ao principal (pseudo-)argumento levantado para defender o uso do gás natural como fonte de energia: o de que, comparado a outras fontes fósseis, ele seria "menos poluente" ou de que ele poderia servir como uma "ponte" ("bridge fuel") por supostamente produzir menores emissões.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A "outra" bomba de carbono: nossa dieta. Parte II - Churrasco de Planeta

Apesar do "pum" emblemático, a maior
parte do metano produzido pelos rumi-
nantes sai mesmo é pela boca...
Inicio este segundo artigo da série, destacando, dos dados mostrados em artigo anterior, o fato de que cerca de 4% das emissões globais de gases de efeito estufa se devem única e exclusivamente à fermentação entérica, havendo fortes indícios de que a ampla maioria dessas emissões se deva ao gado bovino (de corte e leiteiro). É algo da ordem de 2 bilhões de toneladas de CO2-equivalente, mesmo sem considerar todos os outros aspectos ligados à pecuária: do desmamento à decomposição de esterco, do uso de fertilizantes para o pasto ao transporte de insumos e, claro, do próprio produto.

É esse aspecto que faz com que - exclusivamente do ponto de vista climático, sem incluir ainda outros aspectos socioambientais - a carne bovina seja provavelmente a pior escolha possível como fonte protéica. Unindo dados da FAO com informações da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCAUSP), chega-se à conclusão de que ela é disparadamente a mais carbointensiva.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Metano: o buraco é mais embaixo.

Ao invés de derreter lentamente, liberando os gases da decom-
posição de matéria orgânica (com destaque para o metano) de
forma gradual, os indícios são os de que o permafrost siberiano
esteja simplesmente explodindo por conta da pressão desses gases.
Buracos gigantescos têm aparecido na Sibéria. Não, nenhum sinal de que extraterrestres estejam nos visitando e que, além das já atribuídas bizarrices de sequestrar vacas e fazer desenhos enormes em plantações, eles tenham acrescentado mais um suposto hábito estranho. Pelo contrário, as evidências que emergem dos estudos recentes são a de que o mecanismo de produção é bastante mundano, mas é exatamente por ser algo "deste mundo" que precisa ser motivo de espanto e de preocupação: os mesmos são muito provavelmente produto de explosões no chamado permafrost, o solo congelado daquela região. Basta dizer que as concentrações de gás metano na base dessas crateras, algumas com várias dezenas de metros de diâmetro, são extremamente elevadas. Segundo informações publicadas na revista Nature, algumas medidas chegaram a detectar percentagens de metano no ar no piso de um desses buracos de 9,6%, o que é impressionante, dado que a presença média de metano na atmosfera terrestre no presente é da ordem de 1800 partes por bilhão (mais de 50 mil vezes menos!).

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

Alok Sharma, presidente da COP26, teve de conter as lágrimas no anúncio do texto final da Conferência, com recuo em tópicos essenciais ...

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