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segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A "outra" bomba de carbono: nossa dieta. Parte I - Devorando a Terra

No Mandir, debatemos o papel da nossa
dieta nas mudanças do clima global
Como parte das iniciativas do tipo "roda de conversa" que estamos denominando de "Entrando no clima", no último dia 30 de Setembro estivemos no Restaurante Mandir, para debater o vínculo entre alimentação e as mudanças climáticas. Além da minha fala, houve intervenções do Vaikuntha Prasada, nosso anfitrião, do Roberto Araújo e da Neila Santos, o primeiro especialista em gastronomia e a segunda vinculada à agroecologia, que abordaram respectivamente aspectos cultural e social da produção de alimentos. Aproveito esta postagem para repassar um pouco da discussão que fizemos por lá e ampliá-la em alguns aspectos.

domingo, 19 de julho de 2015

A Falácia da "Mini-Era do Gelo"

Um exemplo de completa irresponsabilidade jornalística.
Menos de 24 horas após publicada, milhares de pessoas já
haviam acessado, "curtido" e "compartilhado" a falácia.
Na semana que passou a imprensa brasileira foi contagiada por uma notícia surpreendente: estaríamos próximos a ingressar numa "mini-era do gelo". "Preparem seus casacos" e "o inverno está chegando", diziam as chamadas mais sensacionalistas, em meio a imagens de nevascas.

Neste texto, vamos mostrar qual a verdadeira ciência por trás desse propalado "mínimo de atividade solar" e seus possíveis impactos, de onde veio essa "informação" (e como estudos científicos legítimos podem findar completamente ignorados, alguns, e distorcidos, outros, pela imprensa marrom) e qual o seu contexto (porque a indústria fóssil precisava imediata e desesperadamente de um factóide como esse nestes últimos dias). E contamos, claro, com a ajuda dos/as leitores/as do nosso blog para difundir um posicionamento científico realmente embasado sobre o tema! Vamos lá?

terça-feira, 7 de abril de 2015

Metano: o buraco é mais embaixo.

Ao invés de derreter lentamente, liberando os gases da decom-
posição de matéria orgânica (com destaque para o metano) de
forma gradual, os indícios são os de que o permafrost siberiano
esteja simplesmente explodindo por conta da pressão desses gases.
Buracos gigantescos têm aparecido na Sibéria. Não, nenhum sinal de que extraterrestres estejam nos visitando e que, além das já atribuídas bizarrices de sequestrar vacas e fazer desenhos enormes em plantações, eles tenham acrescentado mais um suposto hábito estranho. Pelo contrário, as evidências que emergem dos estudos recentes são a de que o mecanismo de produção é bastante mundano, mas é exatamente por ser algo "deste mundo" que precisa ser motivo de espanto e de preocupação: os mesmos são muito provavelmente produto de explosões no chamado permafrost, o solo congelado daquela região. Basta dizer que as concentrações de gás metano na base dessas crateras, algumas com várias dezenas de metros de diâmetro, são extremamente elevadas. Segundo informações publicadas na revista Nature, algumas medidas chegaram a detectar percentagens de metano no ar no piso de um desses buracos de 9,6%, o que é impressionante, dado que a presença média de metano na atmosfera terrestre no presente é da ordem de 1800 partes por bilhão (mais de 50 mil vezes menos!).

quarta-feira, 25 de março de 2015

Termelétricas: Números Estarrecedores, Crime contra o Clima!

Sinceridade, mas só em parte. a ex-Humble, hoje Exxon, bem
que podia realmente colocar o quanto de gelo ela é capaz de
derreter, através do CO2 que emite. A conta certamente sur-
preenderia o mais "catastrofista" dos ativistas!
Tive minha atenção chamada hoje por uma imagem compartilhada através da página da People and Climate no Facebook. Eram duas páginas de anúncio de 1962, da Humble, companhia de petróleo que mais tarde veio a se chamar... Exxon! A frase, em tom altissonante, em tradução livre, é "a cada dia a Humble provê energia em quantidade suficiente para derreter 7 milhões de toneladas de geleiras". É um número impressionante, que já mostrava a pujança da antecessora da maior petroquímica dos EUA há 5 décadas, mas parece uma estranha manifestação de "honestidade" da parte de uma das companhias que mais financiam o negacionismo climático hoje em dia. Claro, o que a hoje Exxon queria mostrar é que ela produzir muito petróleo, mas seria interessante que a sinceridade fosse real e ela mostrasse o quanto de geleiras o CO2 por ela emitido efetivamente derrete!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Forçando o clima: ratinhos vulcânicos e pulgas atômicas.

Forçantes radiativas de 1750 até o presente. Fonte: IPCC AR4.

A figura ao lado é uma das mais importantes do 4º relatório do IPCC. Ela mostra a melhor estimativa (com as incertezas) da contribuição de cada agente climático, incluindo efeitos de aquecimento e de resfriamento. Para compreendermos o gráfico, introduziremos o conceito de “forçante radiativa”.

O que é "forçante radiativa" (FR)? Nada mais é do que a quantidade de energia por unidade de tempo por unidade de área que é acrescentada ou retirada do sistema climático, em relação a um estado de referência. É medida em "Watts por metro quadrado", ou simplesmente 1 W/m2 (ou 1 Joule, que é a unidade de energia, por metro quadrado, por segundo). Qualquer agente que influencie o sistema climático no sentido de aquecê-lo produz uma forçante radiativa positiva. Outro agente, que atue no sentido de resfriá-lo, introduz uma forçante radiativa negativa. Esse excedente (caso positivo) ou déficit (caso negativo) de energia é, geralmente, estimado na “tropopausa”, isto é, na fronteira entre duas camadas da atmosfera: a troposfera (abaixo, até 8-18 km de altitude, a depender do local do globo, onde ocorrem os fenômenos de tempo meteorológico) e a estratosfera (logo acima, caracterizada pela camada de ozônio).

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Nos "top ten"! 2012 desafia La Niña e entra para a lista dos mais quentes!

Evolução das anomalias de temperatura ao longo do ano
para 2012, em comparação com os cinco anos mais quentes
do registro histórico. Fonte: http://www.ncdc.noaa.gov/sotc
Um ano que começou com um evento de La Niña, no Pacífico, como 2012, deveria ter sido marcado por temperaturas relativamente mais baixas. Foi o que aconteceu, como se pode perceber na Figura ao lado, no início do ano. No entanto, o que se pode perceber é que, com o enfraquecimento e desaparecimento desse fenômeno, as temperaturas globais rapidamente subiram, e 2012 se aproximou dos anos mais quentes do registro histórico.

2012 encerrou como o décimo mais quente desse registro, iniciado em 1880, 0,57°C acima da média histórica. É o 36º ano consecutivo em que as temperaturas globais ficaram mais quentes do que essa média (de 1977 para cá). Se você tem 36 anos de idade ou menos, portanto, você não teve oportunidade de viver um ano sequer de sua vida em que as temperaturas globais estivessem abaixo do "normal". 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Não dá para Tapar o Sol... Digo, os Gases de Efeito Estufa, com uma Peneira!

O Sol é, como todos sabemos, a fonte primária de energia para o sistema climático da Terra e de todos os demais planetas que o orbitam. Mas a quantidade de energia que chega a um planeta é apenas um dos fatores que determinam o seu clima.


Cerca de 30% da luz solar que chega à Terra é simplesmente devolvida ao espaço, por ser refletida especialmente pelas nuvens que sempre cobrem parte do nosso planeta e por superfícies claras (como a areia dos desertos e, principalmente, o gelo das calotas). Os 70% restantes são absorvidos pelo solo, pelas florestas e demais tipos de vegetação, mas principalmente pelos oceanos, que ocupam 71% da superfície do planeta e refletem pouca luz. Essa energia absorvida aquece o planeta e, como todo objeto, a Terra passa a emitir ondas eletromagnéticas cujas características dependem da temperatura. Nas temperaturas típicas da Terra, o próprio planeta, nós e os objetos ao nosso redor irradiamos na faixa do infravermelho. Assim como a luz, o infravermelho é uma onda eletromagnética, mas de frequência de oscilação mais baixa e “comprimento de onda” mais longo. Ele não é detectado por nossos olhos (que também não nos permitem enxergar nem ondas de rádio, nem ultravioleta, nem raios X, dentre tantas outras radiações de onda mais longa ou mais curta do que a luz visível), mas nas tragédias das guerras é o que permite que mísseis persigam seus alvos (como aeronaves) e que, com o auxílio de óculos específicos, soldados possam ver outras pessoas e veículos, mesmo na completa escuridão. Quanto mais quente o objeto, mais infravermelho é emitido, mais alta é a frequência e mais curto é o comprimento de onda. 

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

A Negação das Mudanças Climáticas e seu Despropósito versus a Objetividade e Atitude Ponderada da Comunidade Científica


Tenho recebido respostas interessantes a meus posts anteriores em que discuto a negação das mudanças climáticas. Alguns, que concordam ou simpatizam com a visão dos negadores, compartilharam links que, democraticamente, permanecem na minha página, expondo ainda mais os erros crassos e primários da negação. Como mostro, nenhum dos pseudo-argumentos apresentados se sustenta de pé, tendo eu mesmo os refutado ou indicado links que desmistificam tudo. Em alguns casos, indicar outros materiais de sites confiáveis como www.realclimate.org ou www.skepticalscience.com torna-se mais fácil e prático, pois uma característica da incansável hidra negadora é a da reciclagem de material (pelo menos nisso, ela é ecologicamente correta...). Algo desmentido uma vez pode aparecer noutro momento e/ou noutro país como uma “nova descoberta” para mostrar que “o aquecimento global é uma farsa” e toda a ladainha negadora repetida à exaustão, no esforço de repetir tanto uma mentira até que ela pareça verdade. Infelizmente, como mostrei no "texto do bode", algumas dessas mentiras parecem mesmo ter forte tendência a serem perpetuadas, como as acusações grotescas contra Michael Mann e outros cientistas.

sábado, 24 de novembro de 2012

A Negação das Mudanças Climáticas, o Bode e os Gambás: O que é uma Opinião Ponderada?


Neste texto, quero expor um dos perigos em relação à ofensiva dos negadores das mudanças climáticas. Não se trata da aceitação acrítica dos seus pontos de vista, pois realmente duvido que tomadores de decisão das esferas governamentais, setores da academia de outras áreas e a sociedade em geral tendam, majoritariamente, a deixarem o discurso anti-cientítico ou pseudo-científico se espalhar sem questionamento.

O efeito colateral realmente perigoso da ofensiva dos negadores é contaminar o senso comum, que tende à moderação, induzindo-o a opinião falsamente ponderada. Em outras palavras, se os negadores conseguirem deixar a impressão de que existe um "debate" sobre as mudanças climáticas; que há dois grupos "radicais" cujas opiniões não refletem a realidade que estaria "em algum lugar no meio"; que o saldo na opinião pública seja algo como "ok, o problema existe, mas não é tão grande assim", especialmente tendo eles recebido atenção da mídia e do público, terão conseguido seu verdadeiro intento.

Alguém acredita que possa haver uma "verdade intermediária" entre a evolução e o criacionismo? Que possa haver uma "opinião ponderada" existente entre a condenação ao nazismo e a negação do holocausto?

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

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