terça-feira, 14 de março de 2017

"A fábrica de ilusões que leva ao colapso civilizacional" - Entrevista ao IHU

Capa do número 500 da Revista do Instituto
Humanitas Usininos - IHU
Neste ano, a Campanha da Fraternidade aborda a proteção dos biomas brasileiros, no que considero um desdobramento bastante interessante dos elementos de discussão trazidos pelo documento elaborado pelo Papa Francisco, a encíclica Laudato Sí. Nesse contexto, fui procurado pela equipe do IHU, o Instituto Humanitas Usininos para uma entrevista para o número 500 da Revista do Instituto, cujo tema geral é "Biomas Brasileiros e a Teia da Vida", disponível neste link. Para mim, foi muito interessante contribuir com o trabalho, pois as questões que me foram endereçadas foram muito além de um recorte específico sobre os biomas, mas vi que visavam estabelecer conexão entre este tema e aspectos mais gerais da crise ecológica, incluindo as mudanças climáticas, o papel nefasto cumprido pela indústria de combustíveis fósseis, que sabia há décadas o dano que estavam causando, o significado da eleição de Trump e, principalmente, o debate da insustentabilidade do modo de vida que produziu o Antropoceno. Agradecendo à equipe do IHU e em especial ao jornalista João Vitor dos Santos, trago a vocês a entrevista, também aqui, em nosso blog:

quinta-feira, 2 de março de 2017

O colapso (in)evitável e o Antropoceno

O sistema produtivo capitalista experimentou nas últimas décadas enormes transformações, que colocaram o planeta sob intensa pressão no que diz respeito às fontes de matérias-primas e de energia. A China virou um enorme galpão de fábrica, a ser alimentado por carvão e gás para suas termelétricas, minério de ferro, cobre e metais raros para eletro-eletrônicos, plástico e químicos diversos. Por todo o globo, a frota automobilística e também a frota aérea não pararam de crescer, demandando materiais metálicos e não-metálicos para sua fabricação e, sobretudo, derivados de petróleo para movimentá-las. Interconectado globalmente, o sistema capitalista proporcionou um fluxo extremamente intensivo não apenas de capital especulativo, mas desses materiais e dos produtos a partir deles fabricados. As redes longas desse sistema econômico ligaram, via extração, produção e consumo, praticamente todos os indivíduos em praticamente todos os cantos do planeta. Por terra, pelo ar e pelos mares, milhões de toneladas de material de bauxita a celulares viajam todo ano, numa espiral crescente.

De onde saiu tanto negacionismo?

Nas últimas duas semanas pensei várias vezes na frase “quanto mais rezo, mais assombração me aparece”. Daí lembrei que, como bom ateu, n...

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