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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Rumo a 4 graus? Estão rindo de quê?

Neste post, quero chamar a atenção, dentre outros pontos, para um artigo de autoria de Richard Betts e colaboradores, recentemente publicado no Philosophical Transactions of the Royal Society, cujo título é "When could global warming reach 4°C?"


Apesar de, especialmente acima de 3 graus de aquecimento, as incertezas nos impactos crescerem, sabe-se que um planeta 4 graus acima da era pré-industrial (mais de 3 graus mais quente do que o presente) é virtualmente irreconhecível. O primeiro ponto diz respeito a tempestades mais intensas. Uma atmosfera mais quente permite a presença de uma maior quantidade de vapor d'água, o que tem o efeito, como discutimos em outro momento, de amplificar a intensidade de tempestades, furacões e outros fenômenos extremos. O segundo se remete às geleiras. Como se sabe as projeções de degelo tem sido profundamente conservadoras, subestimando o que de fato tem acontecido (como já mostramos, o recorde de degelo no Ártico em 2012 aconteceu com mais de duas décadas de antecipação em relação à projeção mais "pessimista" e cerca de 50 anos antes do que a média dos "modelos do IPCC" previu, quando do quarto relatório).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Mais uma vez, o Ártico!

Artigo publicano na GRL utilizou dados
de um VOR (veículo operado remotamente)
submarino,  como descrito no site do NOAA
Artigo recentemente publicado no Geophysical Research Letters (GRL) reporta um estudo bastante interessante, que quantifica um mecanismo de amplificação do aquecimento do Ártico. O artigo, de autoria de M. Nicolaus e colaboradores é intitulado "Changes in Arctic sea ice result in increasing light transmittance and absorption" (Mudanças no gelo marinho do Ártico resultam em aumento da transmitância e absorção de luz) e baseado em observações utilizando um veículo submarino operado remotamente e chega a conclusões importantes.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Bomba, bomba? No way!

Bomba, bomba? Realmente a vida real é por demais dinâmica, para seguir à risca certos planejamentos. Volto, portanto, a "furar a fila" das temáticas a serem abordadas neste blog e, nesta postagem, venho priorizar a recém-anunciada "revisão" da previsão decadal do United Kingdom Meteorological Office (UKMO ou Met Office). O que tem acontecido é que negadores têm espalhado por aí que o instituto britânico estaria "prevendo menos aquecimento" ou até mesmo "admitindo que o mundo não aquecerá". Evidentemente trata-se de mais uma farsa a ser devidamente desmontada. Infelizmente, é possível até que canais de informação de boa qualidade sobre a questão ambiental e climática se deixem levar equivocadamente por parte desse discurso. Por exemplo, o Portal Ecodebate reproduziu matéria da BBC que se de um lado nada tem a ver com a desonestidade de certos órgãos da mídia (como a Fox News  norte-americana), do outro confunde alguns conceitos e não esclarece os pontos que devia, deixando margem a uma impressão errônea em relação ao que de fato está acontecendo.

O motivo da suposta controvérsia é o par de gráficos que mostro a seguir. Eles correspondem, respectivamente às chamadas previsões decadais do UKMO emitidas em 2011 (à esquerda) e em 2012 (à direita). A linha preta representa observações, ou seja, são a realidade. A faixa vermelha (que contém uma linha branca no meio, pouco visível) corresponde ao intervalo probabilístico de simulações anteriores (90% de probabilidade). Finalmente, as linhas azuis finas delimitam esse mesmo intervalo para a previsão do momento, com o valor mais provável, no meio. 

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

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