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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Efeito Estufa, Efeito Trump

Dentre outros inúmeros absurdos, Trump defendeu o incentivo
à exploração do carvão para "gerar empregos"
Aparentemente surpreendendo a ampla maioria dos institutos de pesquisa e contrariando a vontade de amplas parcelas "establishment" e da mídia, que se alinharam com a candidata do Partido Democrata Hillary Clinton, os EUA elegeram o bilionário Donald Trump como seu próximo presidente em mais um episódio que indica um preocupante avanço de posições populistas de direita e uma perigosa ressonância para discursos de ódio. Não podemos esquecer que além de suas posturas abertamente xenófobas, racistas e machistas, é muito bem documentado o fato de que Trump é um negacionista climático de carteirinha. Tendo isso em conta, uma pergunta que surge, especialmente tendo a eleição de Trump caído como uma bomba na semana em que se iniciou a COP22 em Marraquech, é sobre quão danosa poderá ser a estadia desse senhor na Casa Branca para o clima.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O Irrelevante, o Insuficiente e o Necessário. Parte I: Obama.

Em comparação com a irresponsabilidade completa com a qual
os EUA têm lidado com a crise climática, desde que ignoraram
Kyoto, o novo plano de Obama parece ser ambicioso. Mas o
que discutiremos é que o plano, embora não seja irrelevante, é
claramente insuficiente e aquém do necessário. Fora isso, há
contradições óbvias nas posturas de Obama, por exemplo, ao
não ter escutado os apelos para barrar a exploração de petróleo
no Ártico (próximo à costa do Alaska) pela Shell. 
Há alguns dias, o presidente dos EUA, Barack Obama anunciou, com grande estardalhaço da grande imprensa mundial, e também com uma forte dose de entusiasmo de segmentos do movimento ambientalista, o lançamento de um "Plano de Energia Limpa". É fato que, tendo perdido a oportunidade de adotar medidas sérias para conter as mudanças climáticas quando o cenário no Congresso lhe era mais favorável, instituir regulações através da EPA (a Agência de Proteção Ambiental) e outras iniciativas à base da caneta presidencial se tornaram provavelmente a única via para alguma redução minimamente séria das gigantescas emissões de CO2 de seu país. Mas embora o anúncio tenha ganho muito destaque midiático, assim como as chamadas iniciativas voluntárias de quase todos os países industrializados, o plano de Obama está longe de dar conta das necessidades mínimas de combate à crise climática. Sair do irrelevante não significa chegar ao necessário. Afinal, no meio, existe... o insuficiente.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Shell no Ártico: quem é o cerne do problema nunca será "parte da solução"!

Início da carta das petroquímicas à UNFCCC e à COP21. O
documento diz "Estamos prontas a fazermos nossa parte"...
Como? A resposta, logo abaixo, é "aumentando a fatia do
gás natural em nossa produção" (o que envolve, em outras
coisas, o famigerado "fracking").
Há poucos meses, a Shell assinou (com toda a demagogia que tem direito) uma carta endereçada a Christiana Figueres, Secretária Geral da Convenção-Quadro da ONU para Mudanças Climáticas e Laurent Fabius, Presidente da COP21. Nessa carta, ela e outras companhias, incluindo a BP, reconhecem que a crise climática é real: "entendemos que a tendência atual das emissões de gases de efeito estufa está acima daquilo que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma ser necessário para limitar o aumento de temperatura a não mais do que 2 graus acima dos níveis pré-industriais". O texto surpreende pelas manifestações de aparente boa vontade, como "estamos prontos para fazer a nossa parte" e " manifestavam seu desejo de "queremos ser parte da solução" que chegam - vindas de onde vieram - a soar completamente falsas. Chega a admitir a necessidade de um "preço sobre as emissões de carbono".

Mas dizem por aí que a prática é o critério da verdade e, especialmente no caso da Shell, a contradição entre o dito e o feito é um abismo.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Presidentes

"Nós temos de responder à ameaça da mudança climática, sabendo que se recusar a fazê-lo seria trair nossas crianças e as futuras gerações". "Pode ser que alguns ainda neguem o posicionamento contundente da ciência, mas ninguém pode fugir dos impactos devastadores de incêndios furiosos, secas debilitantes e tempestades mais poderosas".  Essas palavras não são de James Hansen, ou Michael Mann. Tampouco de Bill McBibben, fundador da 350.org, ou de um dirigente do Greenpeace ou do WWF. São de Barack Obama, no discurso de posse para seu segundo mandato.

O vergonhoso silêncio que perdurou por quase toda a campanha presidencial foi quebrado primeiro pelo furacão Sandy, que matou 253 pessoas (131 nos EUA) e acumulou prejuízos de mais de 65 bilhões de dólares. Depois, o próprio Obama teve de retirar a cabeça da areia e, já no discurso da celebração da vitória, render-se ao óbvio.

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

Alok Sharma, presidente da COP26, teve de conter as lágrimas no anúncio do texto final da Conferência, com recuo em tópicos essenciais ...

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