O Sol é, como todos sabemos, a fonte primária de
energia para o sistema climático da Terra e de todos os demais planetas que o
orbitam. Mas a quantidade de energia que chega a um planeta é apenas um dos
fatores que determinam o seu clima.

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Modos de vibração de uma molécula de CO2. Fonte: http://chemwiki.ucdavis.edu/ |
Se a historinha parasse por aí, com a Terra
recebendo luz visível e emitindo infravermelho diretamente da sua superfície
para o espaço, não teríamos o planeta belo e acolhedor no qual evoluíram todas
as formas de vida, incluindo nossa espécie. A temperatura média da superfície
da Terra seria de gélidos -18°C, ao invés de aprazíveis 15°C. E isso acontece
não somente porque nosso planeta tem uma atmosfera, mas porque existem mais
coisas entre o espaço e a Terra do que moléculas de
Nitrogênio e Oxigênio (que respondem, respectivamente, por 78% e 21% do ar que
respiramos). Na verdade, alguns gases, bastante minoritários em nossa atmosfera
(principalmente vapor d’água e dióxido de carbono, ou CO2) possuem 3
ou mais átomos na molécula e, por isso, têm uma propriedade: a de absorver
infravermelho. Isso faz toda a diferença! A Figura ao lado mostra como uma molécula
de CO2 pode vibrar de diferentes maneiras.

A Figura abaixo mostra o que acontece, portanto, quando
um planeta é recoberto por uma atmosfera que contenha mesmo pequenas frações
dos chamados gases de efeito estufa.
A Terra absorve parte da luz solar que chega e emite infravermelho. Devido a
esses gases, parte desse infravermelho não passa diretamente para o espaço,
sendo absorvido na atmosfera, que também se aquece. A atmosfera, então, passa a
emitir infravermelho para cima (ou seja, enviando mais infravermelho para o
espaço), mas também emite infravermelho para baixo, devolvendo energia para a
superfície da Terra. Esta, portanto, se torna mais quente do que seria sem a presença
desses gases na atmosfera do planeta. O fato de parte do calor ser aprisionado,
como numa estufa, é que deu o nome a esse fenômeno, cuja existência foi
prevista por Joseph Fourier em 1824 e observado experimentalmente por John
Tyndall, 35 anos depois. Svante Arrhenius, em 1896 foi o primeiro cientista ao
apresentar estimativas quantitativas da influência desse efeito sobre o clima
da Terra. Na figura, os valores numéricos estão em Watts por metro quadrado, ou
W/m2 (por exemplo, os 342 W/m2 de luz solar que chegam em
média à Terra, equivalem a 17 lâmpadas fluorescentes de 20 W cada, dispostas em
uma área de um metro quadrado, ou a uma batedeira , na mesma área, ou ainda a um ferro de passar de
pouco menos de 1400W em uma área de 2m por 2m).
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Evolução da concentração de Dióxido de Carbono, Metano e Óxido Nitroso nos últimos 10 mil anos ("zoom" nos últimos 300 anos) e a forçante radiativa associada. Fonte: IPCC |
A estabilidade climática, como se vê pela Figura acima,
existe quando a quantidade de energia solar que chega à Terra (235 W/m2,
já descontando o que é refletido) é balanceada pelo infravermelho emitido para
o espaço (mesmo valor). Este número é uma fração (cerca de 60%) do
infravermelho emitido pela superfície (390 W/m2), já que parte deste
é “interceptado” pela atmosfera.
Ora, o que se deve esperar ao se aumentar a proporção
de gases de efeito estufa na atmosfera terrestre? Uma fração menor da radiação
emitida pela superfície passaria pela atmosfera. Para que o infravermelho
emitido ao espaço continuasse balanceando a luz solar e apenas metade da
radiação terrestre passasse (ao invés de 60%), seriam necessários 470 W/m2
e não mais 390. Mas isto só seria possível se a superfície estivesse mais
quente, ou, para ser mais exato, a uma temperatura 13 graus acima da do clima
presente!
Mas é exatamente o aumento desses gases na atmosfera
terrestre, o que se tem observado! As proporções de dióxido de carbono (CO2),
metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) tem crescido vertiginosamente desde o início da
era industrial e esse aumento casa perfeitamente com o aquecimento observado do
sistema climático terrestre desde então, como mostramos no início deste texto.
A Figura acima mostra como as concentrações destes gases (em partes por milhão em volume, ou ppm, no caso do
CO2 e em partes por bilhão, ou ppb, no caso dos demais gases)
mudaram nos últimos 10 mil anos (com “zoom” nos últimos 300 anos) e qual a
“forçante radiativa”, uma medida da energia aprisionada no sistema terrestre em
função do aumento da concentração desses gases. Em 2005, a estimativa era de
que o aumento do CO2 na atmosfera (cuja concentração então era de
379 partes por milhão e hoje em dia ultrapassou 390) já contribuía para aquecer
a Terra com uma forçante de +1,66 W/m2 (com pequena incerteza para
mais ou para menos) um valor bastante significativo para o aquecimento do
sistema climático terrestre. Os demais gases de efeito estufa (o que inclui
também os halocarbonetos) entram com algo muito próximo de 1 W/m2 a
mais.
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Temperatura (em vermelho) e atividade solar (em
azul) desde
o final do século XIX, com as linhas mais grossas eliminando
o
ciclo de 11 anos. Fonte: http://www.skepticalscience.com/solar-
activity-sunspots-global-warming-intermediate.htm,
utilizando dados
de http://data.giss.
nasa.gov/gistemp/tabledata/GLB.Ts+dSST.txt
(Temperatura) e http:// www.mps.mpg.de/projects/sun-climate/
data.html
(Irradiância solar total).
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A dimensão da forçante radiativa dos gases de
efeito estufa, por sinal, é grande o suficiente para suplantar quaisquer
efeitos naturais. O Sol, por exemplo, tem um ciclo bem conhecido de 11 anos,
durante o qual a energia que ele lança para o espaço varia em 0,1%, o que, do
ponto de vista do clima terrestre, significa uma forçante radiativa de 0,24 W/m2.
Considerando um período de longo prazo, as estimativas são de que as mudanças
na atividade solar desde o período conhecido como “mínimo de Maunder”, no
século XVII até hoje têm contribuído com quase zero (isso mesmo!) a, na
estimativa maior, +0,68 W/m2, como mostrado em http://www.ipcc.ch/publications_and_data/ar4/wg1/en/ch2s2-7-1-2.html.
Percebam que, baseando-se nos especialistas que estudam a Física do Sol, o IPCC
não poderia fazer outra coisa a não ser atribuir às variações de atividade
solar uma forçante radiativa de aquecimento bastante modesta, de poucos décimos
de W/m2. Chegamos à conclusão inevitável de que a contribuição da
variabilidade solar para o clima desde o século XVII é várias vezes menor do que
a dos gases de efeito estufa. Considerando estimativas a partir do século XVIII (e não XVII), fica mais
claro que o papel do Sol é ainda menos significativo (forçante radiativa
estimada de apenas +0,12 W/m2). A Figura acima, com destaque para curvas em
que o ciclo de 11 anos foi eliminado, as variações de temperatura e
irradiância solar total desde 1880 até o início do século XXI. Ela sugere que o
Sol pode ter contribuído para o aquecimento verificado no início do século XX. Porém,
especialmente a partir da década de 1970, a atividade solar entrou em declínio
e portanto não há relação possível entre o comportamento do Sol e o aquecimento
pronunciado, observado no sistema climático terrestre desde então.
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Isótopos do Carbono, todos com 6 prótons: Carbono
12, ou
12C, com 6 nêutrons, 13C, com 7 e 14C,
com 8. Este último
é radioativo, isto é, instável.
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A outra questão fundamental diz respeito à origem
desses gases que têm se acumulado na atmosfera terrestre. Como saber, por
exemplo, se o aumento de CO2 atmosférico se deve a atividades
humanas e não a causas naturais? A resposta está nos chamados isótopos, isto é,
átomos do mesmo elemento químico que diferem entre si pelo número de nêutrons
no núcleo e, portanto, tem massa distintas. No caso, é dada pelos
isótopos do carbono, mostrados na Figura ao lado: 12C, de longe o mais
abundante, 13C, um primo “pesado”, mas estável e o 14C,
que é instável (radioativo) e, portanto, se desintegra. Sua proporção nos
tecidos orgânicos mortos diminui a um ritmo constante com o passar do tempo, o
que permite que este seja usado em datação. Numa amostra de 14C,
metade dos átomos se desintegra a cada 5730 anos.
Quando as plantas realizam fotossíntese, absorvem
CO2 da atmosfera, mas dão “preferencia” às moléculas contendo o
isótopo leve, isto é, 12C, que difundem mais rápido e chegam antes
ao interior das células. Ao final, as plantas contém uma proporção menor de 13C
do que a atmosfera e, como 12C e 13C são estáveis, essa
proporção é mantida quando o vegetal morre.
Os combustíveis fósseis, isto é, carvão, petróleo e
gás natural provêm de plantas que morreram há milhões de anos e, portanto,
também contém uma proporção menor de 13C do que a atmosfera. À
medida que o CO2 na atmosfera tem aumentado de forma constante, a
sua composição isotópica mudou na mesma proporção. Hoje, a proporção de
moléculas desse gás contendo 13C diminuiu na exata proporção
esperada pela queima de matéria de origem vegetal. A resposta é dada pelo
“primo” radioativo, o 14C. Os combustíveis fósseis, sendo de milhões
de anos de idade, não tem nenhum C14. Adicionando carbono antigo deveria ter
reduzido a proporção de C14 na atmosfera, e de fato reduziu. Durante os últimos
50 anos, enquanto a quantidade de carbono na atmosfera tem aumentado, a
proporção de C14 diminuiu progressivamente.
Neste crime (aquecimento global), o exame de balística mostrou qual é a arma (gases de efeito estufa, principalmente CO2) e havia impressões digitais dos criminosos, isto é, dos combustíveis fósseis. Estão esperando o que para deixá-los presos?
Belo blog. vamos juntos.
ResponderExcluiracesse meu blogo e vamos seguir: J.Carvalho/News
abç.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirParabéns pelo trabalho !
ExcluirMelhor que a Wikipédia
ResponderExcluirEsse é com certeza muito melhor
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