A Negação da Mudança Climática e a Direita Organizada - Sobre Felício e Molion

Este material foi originalmente publicado como três notas em separado, no Facebook, mas aqui no "O que você faria...", resolvi publicá-los como um único texto. Em várias outras ocasiões, teremos oportunidade de verificar quão falsamente grosseiros são os pretensos argumentos dos negadores, particularmente de Molion e Felício, que são os mais estridentes e que contam com um estranho apoio de mídia (dado que ambos, principalmente o segundo, possuem baixa produção e não têm nenhum destaque acadêmico).

A tentativa é de encontrar razões para as atitudes dos mesmos. Sei que certamente boa parte da impostura brota da vaidade. Como pavões, querem aparecer e, como não o fazem por mérito acadêmico, tomam um atalho. Aproveitam-se do desconhecimento do grande público sobre o assunto e mentem descaradamente, denegrindo e desrespeitando o conjunto da comunidade científica.

Só que não para nisso. Desconheço o quanto há de interesse e de ganho financeiro (nos EUA, muitos negadores são abertamente bancados pela indústria de combustíveis fósseis), mas na falta de evidências mais sólidas (apenas, como vocês verão, o agronegócio adora chamar o Molion para palestras que, possivelmente, não sejam gratuitas), nada posso afirmar a respeito. 

Descobri, no entanto, que há uma teia de vínculos políticos por trás dos dois, que é fundamental revelar, até para que caia a máscara de isenção por parte desses senhores. Costumo dizer que uma molécula de CO2 não tem ideologia e absorve infravermelho independente de nossas opiniões político-ideológicas, o que é obviamente aceito por todos os cientistas da área que conheço, independente da referência política deles ser o PSOL, o PT, o PV ou o PSDB (sim, conheço colegas com todos esses matizes e eu mesmo me filiei ao primeiro). Mas há, para certos grupamentos extremistas de direita a necessidade de dar um passo além: para justificar seus ataques ao ambientalismo, precisam renegar o que a ciência estabeleceu. Para estes, é conveniente contar com um punhado de pessoas vindas da comunidade científica, mas que não tenham o escrúpulo de negar a ciência para lhes servir de porta-voz. Essa relação íntima, simbiótica, entre os delírios de grupos fascistóides e a vaidade emplumada dos negadores resulta num teatro ridículo. É ela que é exposta no que segue.

I - VÍNCULOS DE RICARDO FELÍCIO

Vocês devem ter assistido ou ouvido falar da entrevista veiculada no programa do Jô, com o Sr. Ricardo Felício que, mesmo sendo professor da Geografia da USP, atacou a comunidade de cientistas do clima, esboçou uma série de teorias conspiratórias e cometeu absurdos que não fazem sentido científico algum como as afirmações de que "não há elevação do nível do mar", "o efeito estufa não existe", "a camada de ozônio não existe", "a Floresta Amazônica se reconstituiria em 20 anos após ser desmatada" e chegou ao auge ao apresentar uma explicação desprovida de sentido para a alta temperatura de Vênus, apresentando uma interpretação totalmente absurda da lei dos gases.

Enfim, o que levaria uma pessoa que, a princípio é ligada à comunidade acadêmica, a postura tão absurda e descolada da ciência? Primeiro, achei tratar-se de alpinismo midiático. Como o currículo da figura não mostra nenhuma produção minimamente relevante, achei apenas que bater no "mainstream" fosse uma maneira de chamar atenção, atrair publicidade, ganhar fama, etc. Ingenuidade minha.

Após uma breve pesquisa, encontrei este trecho de entrevista de Ricardo Felicio disponível em http://www.fakeclimate.com/arquivos/EntrevistasImprensaFake/EntrevistaAqGloFINAL.pdf:

Entrevistador: "Você conhece alguma instituição que apóie o seu pensamento? Como ela funciona? E o que ela faz?"Ricardo Felício: "Recomendo que procurem, aqui no Brasil, a MSIa – Movimento de Solidariedade Ibero- Americana."

Mas quem é essa MSIa? Um grupo de extrema-direita especialista em teorias conspiratórias e em ataques ao Greenpeace ("um instrumento político das oligarquias internacionais"), ao Movimento de Trabalhadores Sem Terra — MST ("um instrumento de guerra contra o Estado Brasileiro), o Foro de São Paulo ("reúne grupos revolucionários que objetivam desestabilizar as Forças Armadas"), a Pastoral da Terra, etc. Eu mesmo fui no site dessa organização e a última desse pessoal é uma campanha contra a Comissão da Verdade, a favor dos militares ("A quem interessa uma crise militar")! Para quem quiser conhecer os posicionamentos desse pessoal, basta checar em http://www.msia.org.br/, se tiverem estômago!

Eis que um pouco mais de busca e achei o Ricardo Felicio sendo citado ('"A ONU achou um jeito de implementar seu governo global, e o mundo será gerido por painéis pseudocientíficos"") onde? No site http://www.midiasemmascara.org/ do ultra-direitista Olavo de Carvalho...

Parece ser sintomático que às vésperas do final do prazo para veto do Código ruralista, alguém com esse tipo de vínculo (a MSIa se associa à UDR) venha dizer que se pode desmatar a Amazônia que a mesma se regenera em vinte anos... É interessante que a acusação de uma agenda"ambientalista", "comunista", de "governança internacional" ou qualquer que seja o delírio que os negadores da mudança climática colocam ao tentarem politizar-ideologizar a questão apenas mostram de onde vem essa politização-ideologização e com que matiz.

Como costumo dizer, moléculas de CO2 não têm ideologia e absorvem radiação infravermelho, independente da existência não só de posições políticas, mas até dos humanos que as expressam. O aumento de suas concentrações na atmosfera terrestre não poderiam ter outro efeito que não o de aquecimento do sistema climático global. Negar uma verdade científica óbvia então só faz sentido para aqueles que têm interesses atingidos. E fica claro. Esse senhor, que academicamente é um farsante, é, muito provavelmente, um militante da direita organizada ou no mínimo se associa a ela. Parafraseando aqueles que tanto o admiram, precisa aparecer na mídia sem a máscara de "professor da USP", "climatologista", etc., mas sim com sua verdadeira face.

II - MAIS REVELAÇÕES

Não é difícil continuar a ligar os pontos, após a aparição do Sr. Ricardo Felício no programa do Jô Soares. Por que alguém se disporia a se expor ao ridículo daquela forma? Como alguém seria capaz de, na posição de doutor em Geografia, professor da USP e "climatologista", assassinar não apenas o conhecimento científico recente, mas leis básicas da Física, conhecimentos fundamentais de Química, Ecologia, etc.? O que levaria alguém a insultar de forma tão grosseira a comunidade acadêmica brasileira e internacional, principalmente a nós, Cientistas do Clima?

O que pretendo mostrar é que para chegar a esse ponto, é preciso ter motivações. E estas, meus caros, não são de mera vaidade, desejo pelo estrelato, etc. É uma agenda.


Para os que quiserem continuar comigo a rastrear a motivação por trás dessa tal entrevista, peço que visitem, mesmo que isso dê a eles alguma audiência, o repositório dos vídeos do pop-star tupiniquim da negação das mudanças climáticas em http://www.youtube.com/user/TvFakeClimate. Lá, os links são para o conhecido site http://www.msia.org.br/ do "Movimento de Solidariedade Íbero-Americana", cujo nome pomposo esconde o neo-fascismo LeRouchista, especializado em teorias conspiratórias e manipulação e inimigo visceral, como se pode ver em seu site, do MST, do movimento feminista, do movimento de direitos humanos, da Comissão da Verdade, etc; para o não menos direitoso http://www.midiaamais.com.br/, cujos artigos não consegui ler até o fim, mas que são de ataques de direita a Obama, de ridicularização do movimento dos moradores do Pinheirinho, em SJC, de combate à decisão do STF em considerar as cotas constitucionais e, claro, negação da mudança climática e ataques ao IPCC, etc,; um site anti-movimento ambientalista de nome http://ecotretas.blogspot.com/, que por sua vez contém links neo-fascistas como "vermelho não" (http://vermelhosnao.blogspot.com.br/search/label/verdismo), que por sinal está fazendo a campanha "Não Veta, Dilma", ou especializados em teorias conspiratórias como http://paraummundolivre.blogspot.com.br/ e até diretistas exóticos, defensores da restauração da monarquia em Portugal (http://quartarepublica.wordpress.com/) ou neo-salazaristas (http://nacionalismo-de-futuro.blogspot.com.br/).


Como coloquei em diversos momentos, não é a escolha política-ideológica que faz com que alguém tenha ou não razão em torno da questão climática. Tenho colegas em minha comunidade de pesquisa que simpatizam com os mais variados matizes político-ideológicos (o que por si só já dificultaria que nos juntássemos numa "conspiração"... como é mesmo... ah!... para "conquistar uma governança mundial da ONU via painéis de clima", tipo de histeria típico da direita mais tresloucada dos EUA). A questão do clima é objetiva. Os mecanismos de controle do clima são conhecidos, incluindo o papel dos gases de efeito estufa. As medições, os resultados de modelos (atacados de maneira desonesta pelo entrevistado), os testemunhos paleoclimáticos, todos convergem. E dentre todas as possíveis hipóteses para o fenômeno do aquecimento do sistema climático, a contribuição antrópica via emissão de gases de efeito estufa foi a única a permanecer de pé após todos os testes. Constatar isso independe de ideologia. Basta abrir os olhos. O tipo de política pública a ser aplicada para lidar com os impactos, a adaptação às mudanças e a mitigação das mesmas, aí sim... é um terreno em que as escolhas políticas adquirem grau de liberdade.


O problema é que, para uma determinada franja político-ideológica, no caso a extrema-direita, há realmente incompatibilidade com qualquer agenda ambiental que possa significar controle público sobre o capital privado. Há também uma necessidade de ganhar respaldos afagando desejos escondidos da opinião pública (como o de que nada precisa ser feito a respeito das mudanças climáticas) e fazendo apelos ao nacionalismo (típico dos Mussolinis, dos Hitlers, dos Francos, dos Salazares e de tantas ditaduras de direita na América Latina) - ainda que eventualmente isso signifique adotar um discurso falsamente antiimperialista. Com esses objetivos "maiores", que incluem sabotar a campanha pelo veto presidencial sobre o monstro que é o Código Florestal aprovado pelos deputados, para que compromisso com a verdade científica? Para que ética e tratamento respeitoso em relação aos demais colegas de mundo acadêmico?


É impressionante como aqueles que nos acusam de "fraude", "conspiração", etc., na verdade são exatamente os que as praticam. Como coloquei em outros textos que escrevi sobre o assunto, é preciso desmistificar cientificamente os pseudo-argumentos apresentados pelos negadores (e isso tenho feito em outros textos), mas como bem lembra o colega Michael Mann, eles são como a hidra. Sempre têm mais mentiras na manga para lançarem por aí e não têm preocupação nenhuma em apresentarem um todo coerente em oposição aos pontos de vista da comunidade científica. Interessa a eles semearem confusão, ganharem espaço político, atrasarem ações de proteção da estabilidade climática, darem tempo para os que os financiam na base (ainda que possa haver negadores não ligados diretamente à indústria de petróleo e outras, mas já ficou evidente a ligação desta com a campanha articulada anti-ciência do clima em escala mundial). A pseudo-ciência e a impostura intelectual são as cabeças da hidra. O coração do monstro é a agenda político-ideológica. Mas a espada da verdade é longa o suficiente para ferir-lhe de morte!


III - E O PROFESSOR MOLION?



Ricardo Felício fez aparição meteórica no programa do Jô Soares e, naturalmente, não se sabe que alcance isso pode ter em termos de sua carreira de militante negador. Como mostramos nas partes anteriores, academicamente trata-se de alguém com atuação evidentemente limitada, trajetória que não demonstra produtividade acadêmica. Desnudamos, porém, sua vinculação com a direita organizada, seja através da MSIa (vide as outras notas), seja via colaboração direta com o site "midia a mais" (idem), que, por sinal, é citado no Lattes de Ricardo Felício como um dos locais em que ele, deixando, é claro, a conotação acadêmica do termo de lado, "publica".


Mas evidentemente Ricardo Felicio não é o único negador brasileiro. Atuante há bem mais tempo, com bem mais trânsito na comunidade acadêmica, ainda envolvido de certo modo com a meteorologia, através do Departamento ao qual é vinculado, na UFAL, o principal negador brasileiro continua a ser o velho Luis Baldicero Molion. Aliás, algumas pessoas me indagaram exatamente da maneira como consta no título ("e o Prof. Molion"?) e este texto visa responder a tal pergunta.


Molion é bastante conhecido na comunidade brasileira de meteorologia. Sempre foi afeito a posições excêntricas e teses que cientificamente poderiam ser chamadas, no mínimo, de marginais (como a influência de vulcões submarinos sobre o El Niño-Oscilação Sul). Sempre foi tido como controvertido e polemista na comunidade, mas quero deixar claro que, conhecendo Molion há certamente mais de uma década e meia, isso parecia ser até um traço simpático. Quero, portanto, deixar claro que este texto aqui, longe de pretender atacar a sua figura ponto de vista pessoal, tem como objetivo expor as movimentações de Molion para além do mundo acadêmico, mas que evidentemente levarão à conclusão de que qualquer ilusão de isenção em torno de suas opiniões seria condescendência para com ele.


Sabe-se que o professor da UFAL tem ministrado um sem-número de palestras nos últimos anos, sempre dedicadas ao mesmo tema, isto é, combater o consenso científico em torno do papel antrópico sobre as mudanças observadas no sistema climático. Não é meu objetivo neste breve texto abordar as questões de mérito, o que fiz com um relativo aprofundamento em http://www.facebook.com/note.php?note_id=384584698250095 e em diversos posts em minha página, mas devo frisar que, longe de representar um negador mais sofisticado, Molion também é grosseiro e desrespeitoso em seus ataques ao restante da comunidade e não preza pela coerência científica, fazendo uso da amálgama variada e inconsistente de pseudo-argumentos negacionistas. Num momento, negando todos os dados observados, diz que não há aquecimento, mas resfriamento; noutro, afirma que há aquecimento, mas que este não é antrópico e que - contrariando novamente tudo que foi medido nas últimas décadas - é um efeito do sol; ou ainda, que estamos diante de algo benéfico.


Especificamente essa combinação de isentar os fatores antrópicos e de afirmar que o aumento da concentração de CO2 é benéfica tem caído como uma luva para que Molion transite confortavelmente junto a um público específico: o do agronegócio e do ruralismo. Afinal, se a pecuária não contribui com emissões de metano e se as emissões de dióxido de carbono (e também de metano) associadas ao desmatamento não são um problema, o discurso de Molion representa um tipo de armadura e escudo pseudo-científicos que o agronegócio precisa. Afinal, se ninguém consegue defender os ruralistas dos crimes perpetrados contra trabalhadores rurais e ambientalistas; se a concentração de terra e renda no campo continua sendo uma mácula revoltante desde os tempos das capitanias em um Brasil que nunca fez uma Reforma Agrária de verdade; se o uso massivo de agrotóxicos e o envenenamento cotidiano de nossas mesas também desperta antipatia do grande público... pelo menos com os argumentos "moliônicos", o agronegócio e os reis do gado e soja ficam livres de acusações quanto à questão do clima...


E de fato, Molion tem falado muito para esse público. Em 24/06/2008, palestrou no “Seminário Cooplantio” (divulgado pela Rádio Rural em http://wp.clicrbs.com.br/radioruralam/2008/06/24/diario-de-gramado-ii-seminario-cooplantio/). Outra entrevista foi divulgada junto ao SINCAL (Assoc. Nacional dos Sindicatos Rurais  das Regiões Produtoras de Café e Leite), videhttp://sincal.org.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=940:prof-molion-desfaz-falsas-acusacoes-contra-a-pecuaria&catid=1:noticias-ultimas&Itemid=19. Em 30/03/2009, outra palestra, ministrada na Fenicafé 2009, com o “tema” “Aquecimento global: mitos e verdades. Quais os efeitos para a agricultura?” No evento afirmou que “o aquecimento global é totalmente questionável e amparado em "imbecilidades" (http://www.redepeabirus.com.br/redes/form/post?pub_id=49547). Em 01/02/2010, concede entrevista divulgada como “Prof. Molion desfaz falsas acusações contra a pecuária” em MFRural, site que se auto-apresenta como “O MF Rural  é um site desenvolvido com a finalidade de facilitar as negociações e promover o encontro entre produtores rurais”. Na home, a chamada é “MF Rural - O Agronegócio passa por aqui!”

http://noticias.mfrural.com.br/noticia-agricola/prof.-molion-desfaz-falsas-acusacoes-contra-a-pecuaria-16151.aspx. Em 26/03/2010, ministrou palestra patrocinada pela Câmara especializada de agronomia do CREA-RJ. Na chamada, no site abaixo, diz-se que “o alarmismo ambientalista, assim como o multiculturalismo, o antitabagismo e a "anti-homofobia", é hoje uma das principais armas utilizadas na construção do poder mundial”
(http://libertadmatters.blogspot.com.br/2010/03/convite-palestra-aquecimento-global.html). Em 11/02/2011, foi a vez do Conselho Federal de Medicina Veterinária (http://www.cfmv.org.br/portal/destaque.php?cod=443). Nele, Molion diz exatamente o que o público quer ouvir, ao afirmar que “a Pecuária, uma das principais atividades econômicas do Brasil, na qual a Medicina Veterinária e Zootecnia atuam diretamente, sofre uma penalização excessiva como agente causador de poluição”. O site complementa, afirmando que “De acordo com dados de Molion, a relação não pode ser justificada, já que os rebanhos estão em crescimento, com aumento de 17 milhões de ruminantes ao ano e, no mesmo período, as taxas de metano seguem estáveis”.

Mas imbatível mesmo é o que está por vir em poucos dias. Em 26/05/2012, conforme divulgado emhttp://fakeclimate.files.wordpress.com/2012/05/palestra_adesg-sp1.png, Molion palestrará na XV Assembléia do “Foro do Brasil”, organização de direita cujos ataques à Comissão da Verdade, à constitucionalidade das cotas, à “ofensiva indigenista” e cuja defesa do agronegócio e do novo Código Florestal não deixam dúvidas de se tratar do mais duro e radical neo-fascismo tupiniquim. O site anuncia, altissonante, que "você terá oportunidade de saber como os conceitos de aquecimento global e poluição pelo CO2 são uma grande farsa que movimenta bilhões de Euros, beneficiando empresas, e ongs" e que "conhecerá muitas das verdades e a história desse crime que está sendo cometido".


Quem é esse tal Foro do Brasil? Em 31 de Março (atentem para a data), tinha a idéia de fundar o POP - "Partido Ordem e Progresso" (http://forodobrasil.info/fb/?p=2361#comment-122). Refere-se à “Começão da Inverdade”, para defender torturadores e assassinos. Os links do "Foro do Brasil", claro, não poderiam deixar de incluir a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, o Blog do conhecido direitista, ator Carlos Vereza, o "Cavaleiro do Templo", o "Levante-se Brasil", os delirantes do "Verde:A Nova Cor Do Comunismo", o site da Monarquia e, é claro, o indefectível "Midia sem Máscara" (aquele pessoal maluco que diz que a Globo e toda a mídia são "de esquerda", que a universidade é toda "comunista", etc.) e outros desse naipe...


E novamente fica claro. Há sempre algo por trás do discurso negador das mudanças climáticas, da postura de ignorar todas as evidências concretas, de passar por cima de tudo que se conhece até de leis da Física, dos ataques grosseiros e virulentos à comunidade científica e da tentativa de gerar descrédito junto à opinião pública em relação à Ciência e aos Cientistas. Quem trabalha realmente em busca da verdade científica disputa seu ponto de vista fazendo valer o método. Coleta dados, faz experimentos, desenvolve e usa modelos. Escreve artigos que, se estiverem corretos metodologicamente, serão apreciados e podem servir de evidência. Se aquilo que Molion traz ao que ele chama de "debate" realmente fossem hipóteses científicas, ele teria bastante espaço. A comunidade ainda tem por ele, até de forma condescendente, apreço e respeito (pela pessoa, eu tenho, mas pela conduta, não). Molion foi chamado para, 4 dias após acusar a todos nós de farsantes e desonestos num evento da extrema-direita, discutir sobre "Extremos Climáticos, Zona Costeira e Semi-Árido", num evento em Natal, do qual também participarei, sobre Mudanças Climáticas e Vulnerabilidade (http://www.ccet.ufrn.br/cciv2012/). Molion seria ouvido na comunidade, se sua postura fosse de fidelidade ao método científico. Mas, assim como no caso de Ricardo Felício, a ciência anda longe. Há muito foi abandonada, em nome da agenda política. O agronegócio e os neo-fascistas, claro, aplaudem.



Comentários

  1. Muito bom, ou melhor, muito esclarecedor e instigante o texto desta postagem, Alexandre Costa. Lembrei-me que o nosso amigo Fernandes, aquele companheiro que foi do CGB, do PLP e da UNE, é hoje Professor da USP. Encontrei-o um dia desses no aeroporto indo pra São Paulo. Provavelmente ele conheça esse Ricardo Felício e saiba mais sobre as suas peripécias e sobre a sua agenda conspiratória contra os interesses da comunidade dos cientistas do clima, que vc tão bem representa. Abços.

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  2. ESPETACULAR ! GRANDE SERVIÇO PRESTADO A HUMANIDADE. Estamos organizados aqui em SC para este combate através do ENPAES www.enpaes.webnode.com . Novamente agradeço.

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    1. Olá Henrique. Obrigado. Continuem acompanhando, pois tentarei atualizar o blog com frequência, se possível, diária. Conto também com o apoio para divulgá-lo. Abraços.

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    1. Há mais entre o céu e a Terra do que nossa vã filosofia....

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