O Painel repete a estrutura do IPCC de 3 grupos de trabalho (GTs): um, que investiga as bases científicas da mudança no clima, outro que avalia vulnerabilidade, impactos e possibilidades de adaptação e um terceiro, que trabalha na construção de políticas de mitigação. O 1º Relatório foi escrito com a contribuição de centenas de cientistas brasileiros, dentre os quais me incluo, na condição de autor principal de um dos capítulos do GT-1.
O Relatório indica riscos claros associados à mudança no Clima para a sociedade brasileira. É preciso dar uma mensagem mais clara e objetiva à sociedade: estamos diante de um desafio sério, real. Precisamos defender o direito à qualidade de vida das futuras gerações.
Infelizmente, as movimentações recentes do governo federal tem-se colocado na contra-mão da necessária defesa do clima: Redução de IPI de automóveis, pouco incentivo às energias renováveis, subsídios a termelétricas (como a térmica do Pecém), mudanças deletérias no Código Florestal, leilões do petróleo (2 ppm de CO2 leiloados de uma única vez), etc., são algumas de suas políticas, em franca contradição com a própria legislação brasileira de clima.
Há uma demanda pela popularização da Ciência do Clima, em torno do qual precisamos ser mais enfáticos, mais abertos, mais diretos e reivindicar instrumentos e financiamento para difundir, educar, etc. Não tem jeito. O Século XXI condenou a comunidade de clima a sair da paz dos laboratórios. O aquecimento global e a desestabilização do clima são contra qualquer perspectiva de um mundo justo e solidário. Não é o fim do mundo, mas quase certamente é o fim da possibilidade de um mundo melhor.
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