segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Relatório do PBMC aponta risco grave associado à mudança no Clima.

Até 6 graus de aquecimento na Amazônia na estação de inverno. Possibilidade de 30% de redução na vazão do São Francisco. Aumento da intensidade e frequência das enchentes e deslizamentos, atingindo populações em áreas de risco. Impactos profundos em nosso País, recaindo sobre os mais pobres e vulneráveis são consequências prováveis ao longo do século XXI em cenários globais de elevadas emissões de gases de efeito estufa, segundo o 1º Relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Escrevo este "post" durante o lançamento do mesmo na Conferência de Mudanças Climáticas, em São Paulo.

O Painel repete a estrutura do IPCC de 3 grupos de trabalho (GTs): um, que investiga as bases científicas da mudança no clima, outro que avalia vulnerabilidade, impactos e possibilidades de adaptação e um terceiro, que trabalha na construção de políticas de mitigação. O 1º Relatório foi escrito com a contribuição de centenas de cientistas brasileiros, dentre os quais me incluo, na condição de autor principal de um dos capítulos do GT-1.

O Relatório indica riscos claros associados à mudança no Clima para a sociedade brasileira. É preciso dar uma mensagem mais clara e objetiva à sociedade: estamos diante de um desafio sério, real. Precisamos defender o direito à qualidade de vida das futuras gerações.

É algo que não depende exclusivamente do Brasil, mas nosso País precisa, de um lado, fazer sua parte. Do outro precisa entrar em cena no contexto mundial como um defensor do clima, pressionando os países desenvolvidos e demais emergentes.

Infelizmente, as movimentações recentes do governo federal tem-se colocado na contra-mão da necessária defesa do clima: Redução de IPI de automóveis, pouco incentivo às energias renováveis, subsídios a termelétricas (como a térmica do Pecém), mudanças deletérias no Código Florestal, leilões do petróleo (2 ppm de CO2 leiloados de uma única vez), etc., são algumas de suas políticas, em franca contradição com a própria legislação brasileira de clima.

Estamos também, ao meu ver, em condições ruins na guerra de informação. A mídia assegura muito espaço aos negacionistas climáticos e à vilania que eles praticam. Ao dizerem o que a maioria da sociedade deseja ouvir, isto é, que está tudo bem, eles têm ganho espaço. Em nossa democracia precária, em que interesses pessoais mesquinhos se entrelaçam com a pressão dos lobbys (incluindo petroquimico, agronegócio, automobilístico), a predisposição contrária da sociedade às ações para limitar as emissões pode ser o golpe mortal nas nossas possibilidades de salvar o futuro.

Há uma demanda pela popularização da Ciência do Clima, em torno do qual precisamos ser mais enfáticos, mais abertos, mais diretos e reivindicar instrumentos e financiamento para difundir, educar, etc. Não tem jeito. O Século XXI condenou a comunidade de clima a sair da paz dos laboratórios. O aquecimento global e a desestabilização do clima são contra qualquer perspectiva de um mundo justo e solidário. Não é o fim do mundo, mas quase certamente é o fim da possibilidade de um mundo melhor.

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