Para os que ainda não são familiares com a estrutura e funcionamento do Painel Intergovernamental sobe Mudanças Climáticas, o IPCC, lembro que ele inclui três grupos, que lidam respectivamente com as "Bases Físicas da Mudança Climática" (o WG-I, ou 1º grupo), "Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação" (o WG-II, ou 2º grupo) e com Mitigação, ou seja, soluções para reduzir as emissões e diminuir o peso dos impactos sobre a sociedade (o WG-III, ou 3º grupo). Esta noite passada (em horário brasileiro), foi divulgado, no Japão, o texto final do "sumário para formuladores de políticas" do WG-II (ou "2º grupo de trabalho") do Painel.
A frase que dá nome a este blog foi proferida por Jim Hansen, pesquisador senior da NASA, preso num protesto em frente à Casa Branca. Refere-se à necessidade de que os cientistas do clima comuniquem à sociedade seus conhecimentos pois estes se relacionam a questões cruciais para o futuro do gênero humano e da vida no planeta. O megafone da foto simboliza essa atitude de falar sobre o risco climático em voz alta, de forma enfática e com o maior alcance possível.
segunda-feira, 31 de março de 2014
quinta-feira, 27 de março de 2014
De 400 ppm a Amarildo
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| Família de Amarildo Dias e Sousa |
14 de julho de 2013: Amarildo Dias de Sousa, brasileiro, ajudante de pedreiro, casado com Elizabeth Gomes da Silva, pai de seis filhos, desaparece, após ser detido pela PM na Favela da Rocinha.
Como dois fatos tão distintos e aparentemente desconexos na verdade se articulam?
quarta-feira, 26 de março de 2014
Clima não rima com lucro: da Especulação Financeira à Especulação com o Sistema Terra.
O negacionismo climático tem em comum com a lógica do mercado financeiro muito mais do que simplesmente a defesa da continuidade dos combustíveis fósseis ou o vínculo em geral facilmente identificado com a direita organizada. Envolve também uma perspectiva irresponsável, um comportamento de risco e uma linha de raciocínio de que o "estrago", em acontecendo o pior, pode ser repassado adiante, seja aos trabalhadores (que arcam sempre com o ônus de bancos "socorridos" pelo Estado ou de "bolhas" financeiras estouradas), seja às gerações futuras (a quem caberá desatar o nó da crise climática segundo os negacionistas quando estes fazem concessão, por um minuto, de sua farsa e admitem que a mudança no clima pode vir a provocar catástrofes).
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
Sobre o pré-sal, o Greenpeace e a "esquerda elitista". Uma crítica às posições de Igor Fuser.
| A "profundidade" do discurso da esquerda oficial em torno da exploração do pré-sal é inversamente proporcional à profundidade física da própria camada.. |
É preciso que a riqueza chegue às mãos e às casas de muitos milhões de pobres mundo afora. Isso é fato. Centenas de milhões de pessoas mundo afora vivem muito, mas muito longe de um limiar mínimo de dignidade e é, evidentemente, necessário que infraestrutura material de saneamento, mobilidade, comunicação, etc. se faça disponível a todos os assentamentos humanos que a desejarem.
Mas a premissa de Fuser de que "negar ou diluir a dimensão social dos recursos naturais em países periféricos, como o Brasil, é incorrer num elitismo imperdoável" é flagrantemente falsa.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Os novos revolucionários: Cientistas do clima exigem mudança radical (por Renfrey Clarke)
Traduzo este texto, originalmente publicado na revista online "Climate and Capitalism", no último dia 09/01. Trata-se de um artigo muito interessante, que mostra até onde podem chegar conclusões baseadas essencialmente na Ciência do Clima e no balanço de carbono. Evidentemente, concluir que existe um antagonismo entre a manutenção do equilíbrio do clima global e a permanência dos sistemas planetários de suporte à vida (humana, inclusive) e o modo de produção capitalista amplifica as vozes de contestação ao sistema. Mesmo antes dessa posição surgir mais claramente e crescer, a oposição ao uso de combustíveis fósseis já explica em si muito dos ataques sistematicamente lançados por esta aos cientistas. Pelo visto, esse acirramento do conflito entre ciência e status quo tende a crescer quantos mais forem os cientistas dispostos a se posicionarem como descrito neste artigo. Fica o convite à leitura.--------------------
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Zizero!
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| Žižek, indicando o quanto ele conhece sobre a crise ecológica e as mudanças climáticas... |
Tudo começou, porém, quando divulguei a notícia de que o congresso da esquerda radical européia havia aprovado o Ecossocialismo como plataforma e, daí, ao comentar que isso era uma boa notícia, mas que a má notícia é que 43% do congresso havia votado contra, chamaram-me atenção para as posições de Žižek nesse terreno.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Supertufão Haiyan: dentro de cada nova tempestade violenta está o DNA da indústria de combustíveis fósseis e do capitalismo
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| Imagem de satélite mostrando o disco terrestre e o tufão Haiyan |
No momento em que escrevia este artigo, nas Filipinas, a contagem dos mortos atingia 4000 pessoas e continuava a crescer [1], 12 dias após o Supertufão Haiyan (também chamado de "Yolanda") atingiu aquele país com o poderio de ventos sustentados de 310 km/h e rajadas que chegaram a 375 km/h. Ele foi classificado como de "Categoria 5", a classe das tempestades mais poderosas, usando a escala atualmente adotada para classificar furacões [2]. No entanto, com ventos tão fortes, se uma nova classe fosse adicionada à escala oficial, Haiyan certamente seria classificado como "Categoria 6". Ele foi reconhecido como uma das tempestades mais violentas a atingir assentamentos humanos em todos os tempos. Juntamente com os ventos intensos, a inundação provocada pela tempestade provocou imediatamente uma quantidade enorme de danos materiais e perda de vida. Muitas centenas de milhares de pessoas ficaram desabrigados; muitos foram transformados em órfãos/órfãs e viúvos/viúvas.
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