segunda-feira, 31 de março de 2014

Impactos das Mudanças Climáticas: entra em cena o WG-II do IPCC

Para os que ainda não são familiares com a estrutura e funcionamento do Painel Intergovernamental sobe Mudanças Climáticas, o IPCC, lembro que ele inclui três grupos, que lidam respectivamente com as "Bases Físicas da Mudança Climática" (o WG-I, ou 1º grupo), "Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação" (o WG-II, ou 2º grupo) e com Mitigação, ou seja, soluções para reduzir as emissões e diminuir o peso dos impactos sobre a sociedade (o WG-III, ou 3º grupo). Esta noite passada (em horário brasileiro), foi divulgado, no Japão, o texto final do "sumário para formuladores de políticas" do WG-II (ou "2º grupo de trabalho") do Painel.

quinta-feira, 27 de março de 2014

De 400 ppm a Amarildo

Família de Amarildo Dias e Sousa 
9 de Maio de 2013: os instrumentos do observatório de Mauna Loa registraram, pela primeira vez desde que as medidas se iniciaram, uma média diária de concentração de dióxido de carbono (CO2) acima de 400 partes por milhão (ppm). 

14 de julho de 2013: Amarildo Dias de Sousa, brasileiro, ajudante de pedreiro, casado com Elizabeth Gomes da Silva, pai de seis filhos, desaparece, após ser detido pela PM na Favela da Rocinha. 

Como dois fatos tão distintos e aparentemente desconexos na verdade se articulam?


quarta-feira, 26 de março de 2014

Clima não rima com lucro: da Especulação Financeira à Especulação com o Sistema Terra.

O negacionismo climático tem em comum com a lógica do mercado financeiro muito mais do que simplesmente a defesa da continuidade dos combustíveis fósseis ou o vínculo em geral facilmente identificado com a direita organizada. Envolve também uma perspectiva irresponsável, um comportamento de risco e uma linha de raciocínio de que o "estrago", em acontecendo o pior, pode ser repassado adiante, seja aos trabalhadores (que arcam sempre com o ônus de bancos "socorridos" pelo Estado ou de "bolhas" financeiras estouradas), seja às gerações futuras (a quem caberá desatar o nó da crise climática segundo os negacionistas quando estes fazem concessão, por um minuto, de sua farsa e admitem que a mudança no clima pode vir a provocar catástrofes).

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Sobre o pré-sal, o Greenpeace e a "esquerda elitista". Uma crítica às posições de Igor Fuser.

A "profundidade" do discurso da esquerda
oficial em torno da exploração do pré-sal é
inversamente proporcional à profundidade
física da própria camada..
Anteontem, no Brasil de Fato, Igor Fuser publicou um texto que se propõe a ser uma "crítica séria" a Ana Paula, militante do Greenpeace, que, em seu retorno ao Brasil, após bravamente enfrentar a Gazprom, a gigante fóssil russa que deseja explorar gás e petróleo no Ártico, e o governo Putin, que a manteve detida, defendeu a não-exploração do petróleo do pré-sal.

É preciso que a riqueza chegue às mãos e às casas de muitos milhões de pobres mundo afora. Isso é fato. Centenas de milhões de pessoas mundo afora vivem muito, mas muito longe de um limiar mínimo de dignidade e é, evidentemente, necessário que infraestrutura material de saneamento, mobilidade, comunicação, etc. se faça disponível a todos os assentamentos humanos que a desejarem.

Mas a premissa de Fuser de que "negar ou diluir a dimensão social dos recursos naturais em países periféricos, como o Brasil, é incorrer num elitismo imperdoável" é flagrantemente falsa.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Os novos revolucionários: Cientistas do clima exigem mudança radical (por Renfrey Clarke)

Traduzo este texto, originalmente publicado na revista online "Climate and Capitalism", no último dia 09/01. Trata-se de um artigo muito interessante, que mostra até onde podem chegar conclusões baseadas essencialmente na Ciência do Clima e no balanço de carbono. Evidentemente, concluir que existe um antagonismo entre a manutenção do equilíbrio do clima global e a permanência dos sistemas planetários de suporte à vida (humana, inclusive) e o modo de produção capitalista amplifica as vozes de contestação ao sistema. Mesmo antes dessa posição surgir mais claramente e crescer, a oposição ao uso de combustíveis fósseis já explica em si muito dos ataques sistematicamente lançados por esta aos cientistas. Pelo visto, esse acirramento do conflito entre ciência e status quo tende a crescer quantos mais forem os cientistas dispostos a se posicionarem como descrito neste artigo. Fica o convite à leitura.
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Zizero!

Žižek, indicando o quanto ele conhece sobre a crise
ecológica e as mudanças climáticas...
Não pretendo abrir uma ampla polêmica em torno da obra de Slavoj Žižek, o tão conhecido filósofo esloveno, que faz tanto sucesso nos corredores da esquerda nos dias de hoje. Confesso que não havia lido nenhum de seus livros até pouco tempo atrás e que apenas guardava pé atrás com o tratamento de astro pop dado a ele por tanta gente (nada estranho ao meu tradicional ceticismo de cientista).

Tudo começou, porém, quando divulguei a notícia de que o congresso da esquerda radical européia havia aprovado o Ecossocialismo como plataforma e, daí, ao comentar que isso era uma boa notícia, mas que a má notícia é que 43% do congresso havia votado contra, chamaram-me atenção para as posições de Žižek nesse terreno.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Supertufão Haiyan: dentro de cada nova tempestade violenta está o DNA da indústria de combustíveis fósseis e do capitalismo

Imagem de satélite mostrando o
disco terrestre e o tufão Haiyan
Este texto de minha autoria foi escrito originalmente em língua inglesa, e foi inicialmente publicado, em sua versão completa e em uma versão reduzida, em diversas páginas da internet dedicadas à luta contra a mudança climática e pelo ecossocialismo, incluindo, Campaign against Climate Change, International Viewpoint, Socialist Resistance. Reproduzo-o agora em meu blog, 


No momento em que escrevia este artigo, nas Filipinas, a contagem dos mortos atingia 4000 pessoas e continuava a crescer [1], 12 dias após o Supertufão Haiyan (também chamado de "Yolanda") atingiu aquele país com o poderio de ventos sustentados de 310 km/h e rajadas que chegaram a 375 km/h. Ele foi classificado como de "Categoria 5", a classe das tempestades mais poderosas, usando a escala atualmente adotada para classificar furacões [2]. No entanto, com ventos tão fortes, se uma nova classe fosse adicionada à escala oficial, Haiyan certamente seria classificado como "Categoria 6". Ele foi reconhecido como uma das tempestades mais violentas a atingir assentamentos humanos em todos os tempos. Juntamente com os ventos intensos, a inundação provocada pela tempestade provocou imediatamente uma quantidade enorme de danos materiais e perda de vida. Muitas centenas de milhares de pessoas ficaram desabrigados; muitos foram transformados em órfãos/órfãs e viúvos/viúvas.

Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas

Alok Sharma, presidente da COP26, teve de conter as lágrimas no anúncio do texto final da Conferência, com recuo em tópicos essenciais ...

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