terça-feira, 7 de julho de 2015

Cientistas Ganhadores do Prêmio Nobel se Unem à Luta contra as Mudanças Climáticas

Alguns dos cientistas ganhadores de prêmios Nobel,
signatários da Declaração de Mainu-2015 sobre
Mudanças Climáticas
Em 3 de Julho, último dia do sexagésimo-quinto Encontro de Lindau, 36 ganhadores de prêmios Nobel assinaram a "Declaração de Mainau-2015 sobre Mudanças Climáticas", considerado um apelo enfático, comparado somente àquele que foi elaborado diante da ameaça de guerra nuclear.

Na esteira da publicação da encíclica papal "Laudato Sí" e de um firme posicionamento da Revista Science, o "clima" que precede a COP21, em Paris, é de aumento da consciência da gravidade do problema e de mobilização da sociedade.

A seguir, reproduzimos a Declaração de Mainau:



Declaração de Mainau-2015 sobre Mudanças Climáticas

Nós abaixo assinados, cientistas, que recebemos prêmios Nobel, viemos para as margens do Lago de Constança, no sul da Alemanha, para compartilhar idéias com pesquisadores jovens e promissores, que, como nós, vêm de todo o mundo.

Quase 60 anos atrás, aqui em Mainau, uma reunião semelhante de prêmios Nobel de ciência emitiu uma declaração sobre os perigos inerentes à tecnologia recém-descoberta das armas nucleares, tecnologia derivada dos avanços na ciência básica. Até agora, temos evitado a guerra nuclear, embora a ameaça permaneça. Mas acreditamos que atualmente nosso mundo encara outra ameaça, de magnitude comparável.

Sucessivas gerações de cientistas ajudaram a criar um mundo cada vez mais próspero. Esta prosperidade veio à custa de um rápido aumento do consumo de recursos do mundo. Mas se nada for feito, a nossa demanda cada vez maior por comida, água e energia acabará por superar a capacidade da Terra para satisfazer as necessidades da humanidade, e vai levar a tragédia humana generalizada. E os cientistas que estudam o clima da Terra já estão observando os impactos da atividade humana. Em resposta à possibilidade de mudança climática induzida pelo homem, as Nações Unidas estabeleceram o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, para fornecer aos líderes mundiais um quadro do estado atual, de informação científica e conhecimento. Apesar de não ser perfeito, acreditamos que os esforços que conduziram ao recente Quinto Relatório de Avaliação do IPCC representam a melhor fonte de informações sobre o estado atual do conhecimento sobre as alterações climáticas. Nós dizemos isso não como especialistas na área das mudanças no clima, mas sim como um grupo diverso de cientistas que têm um profundo respeito e compreensão da integridade do processo científico.

Embora permaneçam incerteza quanto à extensão exata das mudanças climáticas, as conclusões da comunidade científica contidas no último relatório do IPCC são alarmantes, especialmente no contexto dos riscos identificados de manutenção da prosperidade humana em face de um aumento da temperatura média global maior do que 2°C. O relatório conclui que as emissões antrópicas de gases de efeito estufa são a causa provável do aquecimento global atual da Terra. Previsões de uma gama de modelos climáticos indicam que esse aquecimento aumentará muito provavelmente a temperatura da Terra no próximo século em mais de 2°C acima do seu nível pré-industrial, a menos que reduções dramática seja feitas nas emissões antrópicas de gases de efeito estufa nas próximas décadas.


Com base na avaliação do IPCC, o mundo deve fazer um rápido progresso rumo à redução das emissões atuais e futuras de gases de efeito estufa, para minimizar os riscos substanciais das mudanças climáticas. Acreditamos que as nações do mundo devem aproveitar a oportunidade na Conferência sobre Mudança Climática das Nações Unidas em Paris em dezembro de 2015 para tomar medidas decisivas para limitar as emissões futuras globais. Este esforço exigirá a cooperação de todas as nações, desenvolvidas ou em desenvolvimento, e deve ser mantida no futuro, de acordo com avaliações científicas atualizadas. A omissão sujeitará as futuras gerações da humanidade a um risco inconcebível e inaceitável.

Mainau Island, Alemanha
03 de julho de 2015

Assinam o documento, os seguintes cientistas:

Peter Agre (Nobel de Química de 2003)
Michael Bishop (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1989)
Elizabeth Blackburn (Nobel de Fisiologia/Medicina de 2009)
Martin Chalfie (Nobel de Química de 2008)
Claude Cohen-Tannoudji (Nobel de Física de 1997)
Steven Chu (Nobel de Física de 1997)
James Cronin (Nobel de Física de 1980)
Peter Doherty (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1996)
Gerhard Ertl (Nobel de Química de 2007)
Edmond Fischer (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1992)
Walter Gilbert (Nobel de Química 1980)
Roy Glauber (Nobel de Física de 2005)
David Gross (Nobel de Física de 2004)
John Hall (Nobel de Física de 2005)
Stefan Hell (Nobel de Química de 2014)
Serge Haroche (Nobel de Física de 2012)
Jules Hoffmann (Nobel de Fisiologia/Medicina de 2011)
Klaus von Klitzing  (Nobel de Física de 1985)
Harold Kroto  (Nobel de Química de 1996)
William Moerner (Nobel de Química de 2014)
Ferid Murad (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1998)
Ei-Ichi Negishi (Nobel de Química de 2010)
Saul Perlmutter (Nobel de Física de 2011)
William Phillips (Nobel de Física de 1997)
Richard Roberts (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1993)
Kailash Satyarthi (Nobel da Paz de 2014)
Brian Schmidt (Nobel de Física de 2011)
Hamilton Smith (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1978)
George Smoot (Nobel de Física de 2006)
Jack Szostak (Nobel de Fisiologia/Medicina de 2009)
Roger Tsien (Nobel de Química de 2008)
Harold Varmus (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1989)
Robin Warren (Nobel de Fisiologia/Medicina de 2005)
Arieh Warshel (Nobel de Química de 2013)
Robert Wilson (Nobel de Física de 1978)
Torsten Wiesel (Nobel de Fisiologia/Medicina de 1981)

3 comentários:

  1. Ainda que iniciativa elogiável, percebe-se claramente, na declaração, temor de 'revelar' a verdadeira dimensão do problema, falando-se em próximo século..!
    Os relatórios do IPCC são - por motivos diplomáticos e outros - obviamente contidos e conservadores e o próprio Clube de Roma indica um ponto crítico já em 2030..

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  2. Ainda que iniciativa elogiável, percebe-se claramente, na declaração, temor de 'revelar' a verdadeira dimensão do problema, falando-se em próximo século..!
    Os relatórios do IPCC são - por motivos diplomáticos e outros - obviamente contidos e conservadores e o próprio Clube de Roma indica um ponto crítico já em 2030..

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  3. "O relatório conclui que as emissões antrópicas de gases de efeito estufa são a causa provável do aquecimento global atual da Terra."
    Ora, se se tem um estado da arte suficiente para se estalecerem políticas restritivas do desenvolvimento econômico dos países (cujos principais prejudicados são as nações mais pobres), devemos reconhecer que é uma verdadeira covardia usar AQUELE PROVÁVEL NA MANIFESTAÇÃO, NÃO? Ou é a forma de não se comprometer com dados que não são comprováveis? ;)

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