50 Ilhas e 1 destino - Por Caio Almendra

Nauru, uma tragédia ambiental em curso. Uma amostra do que
pode resultar a deflagração de uma guerra contra o ambiente
que nos sustenta. Exatamente o que temos feito, em escala
global, ao aquecer o sistema climático terrestre
Em Teoria Geral do Estado, uma disciplina do Direito, aprendemos que um país é formado por um território(um espaço físico), seu povo(quem habita tal espaço ou é ligado cultural e juridicamente a ele) e a soberania(a relação jurídica entre o Estado e seu território). A perda completa de um dos três encerra o país.

Assim, a única causa de um país ir ao fim é a perda de soberania por perda de território. Até o século passado, isso só acontecia em uma situação: guerra. No final do século passado, outra situação foi aventada em Nauru. Nesse século, podemos ver outra situação acontecer em mais de 50 ilhas e três nações.


Até a década de 70, Nauru era um país rico em fosfato. Altamente apreciado para nossa mineração, o fosfato, originado por milênios de cocô de passaros(ou "guano"), de Nauru fez com que o país pensasse em vender todo o seu território para a Austrália e pedir que seus cidadãos fossem considerados cidadãos australianos. O plano seria "vantajoso" para a população, que enriqueceria às custas da exploração de fosfato no seu ex-país. Tudo ia bem... até que o fosfato acabou, deixando Nauru em uma condição desesperadora.

Poucas são as ambições do povo de Quiribáti, a não ser o
direito a uma migração e realocação dignas. O país tem
grandes chances de deixar de existir já neste século
A mineração de fosfato deixou uma tragédia ambiental na ilha. A terra ficou estéril, incapaz de produzir qualquer espécie de alimento. O mar próximo, que antes provinha peixes em abundância, ficou poluído. Os atóis no entorno da ilha faziam com que a mineração de fosfato usasse esteiras sobre a costa e, com o vento e sacolejar da esteira, um pouco do fosfato caía no mar. Hoje, Nauru, que já foi um dos países mais ricos do mundo per capita, vive uma tragédia social e se sustenta a partir de ajuda internacional. De quebra, a terra que restou da mineração é cheia de pedras pontiagudas, impossível de se construir habitação e, assim, os naurus vivem em um pequeno estreito de terra costeira. Nauru não tem mais montanha alguma.

Nada é tão ruim que não possa piorar, Com a subida do mar devido o aquecimento global, esses vilarejos podem se tornar submersos em poucos anos. A não ser que Nauru vire a lendária Atlântida e seus cidadãos desenvolvam guelras, o país irá acabar e seu povo terá que ser resgatado em alguns anos.

Parece uma consequência triste para um país que tomou escolhas tristes. Mas essa situação pode acontecer com mais de 50 ilhas em toda a Oceania. Há dez anos atrás, o presidente de Quiribáti, um país formado por mais de 30 ilhas, pediu ajuda internacional para evacuar o país. Segundo ele, toda a população do país pode ficar submersa ainda nesse século. Quiribáti é o primeiro país a comemorar o ano novo(fica no primeiro fuso horário do planeta...) e, com a subida do mar, o ano novo poderá só ser comemorado nesse fuso pelas pessoas que estiverem embarcadas.

Tuvalu, país-atol, condenado pelas mudanças climáticas
Destino similar aguarda Tuvalu, um conjunto de 9 ilhas sob domínio britânico.

Até o século passado, perda de território era um sinônimo de guerras, como a anexação da Polônia(entre outros países) pelos nazistas. Hoje, a guerra do homem contra o ambiente(e, consequentemente, contra si mesmo...) pode acabar com um punhado de países da Oceania. Tal qual o nazismo, o aquecimento global é um projeto de aniquilação de povos em escala global... se nada o parar como paramos o nazismo, será um projeto bem sucedido.

Comentários

  1. (vejo o titulo da tua pagina no face e sempre fico pensando em fazer contato contigo, entao aqui vai) sabendo o q tu sabe E tendo algum subsidio monetario/financeiro inicial, eu estaria off the grid, plantando a comida q consumisse, captando energia limpa (mesmo que as placas ou outros meios tenham sido produzido de forma 'suja', paciencia) e seguindo nesse caminho de acordar os outros pelo uso de midia independente (pela internet).

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