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| A civilização humana é filha de um clima estável. Mas está arruinando com ele. |
A frase que dá nome a este blog foi proferida por Jim Hansen, pesquisador senior da NASA, preso num protesto em frente à Casa Branca. Refere-se à necessidade de que os cientistas do clima comuniquem à sociedade seus conhecimentos pois estes se relacionam a questões cruciais para o futuro do gênero humano e da vida no planeta. O megafone da foto simboliza essa atitude de falar sobre o risco climático em voz alta, de forma enfática e com o maior alcance possível.
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sábado, 8 de junho de 2019
A declaração de guerra do capital contra a natureza. Parte III: Caos climático
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Brasil na contramão: enquanto a temperatura sobe, a broca de perfuração desce.
(Adaptação de artigo publicado na NACLA/Report of the Americas)
Link para o original: http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10714839.2017.1409018
A ciência é nítida: o clima está aquecendo como resultado da acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera, em particular o dióxido de carbono, mas também o metano, o óxido nitroso e os halocarbonetos. A fonte desse desequilíbrio químico é, em geral, antrópica, especialmente devido ao consumo e uso de combustíveis fósseis, como o carvão, o petróleo e o gás natural. O grande volume de evidências sobre o aquecimento global vem de um conjunto abrangente de observações, incluindo não apenas medidas da temperatura da superfície, mas também medições do ar superior e estimativas do satélite. Estas evidências são altamente consistente com as observações de outros fatores do sistema climático, incluindo o aumento do nível do mar, a perda de gelo marinho e o recuo das geleiras, a acumulação de calor e a acidificação nos oceanos mundiais e mudanças em uma grande quantidade de ciclos biogeoquímicos complexos. Os recordes consecutivos de temperaturas da superfície média global em 2014, 2015 e 2016 não são, portanto, coincidências. E 2017, mesmo sem El Niño, encerrou essencialmente empatado com 2015, apenas um décimo de grau abaixo de 2016.
Link para o original: http://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/10714839.2017.1409018
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| Artigo publicado na revista NACLA (Report of the Americas) |
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
quinta-feira, 2 de março de 2017
O colapso (in)evitável e o Antropoceno
O sistema produtivo capitalista experimentou nas últimas décadas enormes transformações, que colocaram o planeta sob intensa pressão no que diz respeito às fontes de matérias-primas e de energia. A China virou um enorme galpão de fábrica, a ser alimentado por carvão e gás para suas termelétricas, minério de ferro, cobre e metais raros para eletro-eletrônicos, plástico e químicos diversos. Por todo o globo, a frota automobilística e também a frota aérea não pararam de crescer, demandando materiais metálicos e não-metálicos para sua fabricação e, sobretudo, derivados de petróleo para movimentá-las. Interconectado globalmente, o sistema capitalista proporcionou um fluxo extremamente intensivo não apenas de capital especulativo, mas desses materiais e dos produtos a partir deles fabricados. As redes longas desse sistema econômico ligaram, via extração, produção e consumo, praticamente todos os indivíduos em praticamente todos os cantos do planeta. Por terra, pelo ar e pelos mares, milhões de toneladas de material de bauxita a celulares viajam todo ano, numa espiral crescente.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Efeito Estufa, Efeito Trump
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| Dentre outros inúmeros absurdos, Trump defendeu o incentivo à exploração do carvão para "gerar empregos" |
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Sobre os Graves Erros de Cowspiracy
| A indústria da carne produz enormes impactos ambientais e climáticos, mas, ao exagerá-los, Cowspiracy termina prestando um desserviço: confunde e desinforma. |
segunda-feira, 10 de outubro de 2016
Política energética nos EUA: Clima em Perigo
| EUA: canalha negacionista defensor do carvão versus candidata que aceita a Ciência do Clima mas mantém pesados compromis- sos com a indústria fóssil, especialmente do gás natural. E aí? |
A conjuntura em que se dá a disputa presidencial é crítica para o clima global, pois embora o Acordo de Paris seja claramente insuficiente para a solução da crise climática (o que foi exaustivamente demonstrado em nosso blog em uma série de artigos), o país o ratificou, juntamente com a China. Embora as mudanças climáticas estejam ficando praticamente de fora dos debates, a questão energética entrou como um dos tópicos do debate realizado agora há pouco. Infelizmente, o que o debate revelou nesse quesito é que temos muitos motivos para nos preocuparmos qualquer que seja o desfecho das eleições.
segunda-feira, 28 de março de 2016
Golpe mesmo é o Antropoceno!
Nas últimas semanas, a ebulição política no Brasil, com manifestações de rua, grampos nos telefonemas trocados entre Lula e Dilma, condução coercitiva do ex-presidente e processo de impeachment sobre a atual, documentos da Odebrecht incriminando meio mundo (Aécio, Cunha, Alckmin, Renan Calheiros e quem mais interessar possa), tem deixado pouco espaço para se discutir qualquer outra coisa. Afinal, o que pode ser mais importante do que uma crise política tão aguda, com desdobramentos quase imprevisíveis e que pode levar até a ameaças às liberdades democráticas com grupos fascistas ou similares se assanhando? Então... Acreditem... tem coisa bem mais relevante e bem mais perigosa. Os que quiserem saber do meu posicionamento político sobre a atual conjuntura brasileira, é fácil. Basta dar uma olhadinha em minhas páginas pessoais nas redes sociais. Mas aqui, o assunto, como vocês sabem, é clima. E na semana passada, dois artigos caíram como verdadeiras bombas, fazendo com que a crise climática, que já se sabia ser potencialmente muito perigosa, se revelasse muito pior, mais profunda, mais rápida: um na Nature Geoscience e outro, encabeçado por James Hansen na Atmospheric Chemistry and Physics. Os conteúdos são de arrepiar. Mostram que golpe mesmo é o Antropoceno. Mas antes de chegarmos lá, algumas considerações...
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Balanço da COP21. Parte III: Onde estão os recursos para resolver a crise climática?
Nos três textos anteriores de análise dos resultados da COP21 (aqui, aqui e aqui) mostrei que, apesar de o Acordo sinalizar como objetivo limitar o aquecimento global em níveis "bem inferiores a 2°C acima dos valores pré-industriais", existe uma incompatibilidade entre as orientações genéricas para os anos do pico de emissões e do "equilíbrio entre fontes e sumidouros" e este mesmo objetivo. O aparente senso de urgência expresso na parte introdutória do Acordo de Paris, não é materializado em medidas práticas à altura dessa mesma urgência. Como é impossível resolver a crise climática sem atingir o sistema econômico que a causou, fica claro que, do ponto de vista material, a generalidade nas metas pariu a timidez nas ações. Em particular, a mobilização de recursos e a política de transferência de tecnologias apresentados são de uma insuficiência gritante, mostrando que não pode haver maior inimigo do clima do que a proteção implícita dos interesses privados, dos privilégios e privilegiados, das corporações e dos países ricos.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
COP21: Apesar do Show, o Copo Está 80% Vazio (por Daniel Tanuro)
| Daniel Tanuro, ambientalista/ecossocialista belga |
A Conferência do Clima (COP21, em Paris) levou, como
esperado, a um acordo. Ele entrará em vigor a partir de 2020 se for ratificado
por 55 dos países que são signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas
sobre Mudança do Clima e que representem pelo menos 55% das emissões globais de
gases de efeito estufa. À luz das posições tomadas em Paris, esta dupla
condição não deve levantar qualquer dificuldade (embora a não ratificação do
Protocolo de Quioto pelos Estados Unidos mostra que surpresas são sempre
possíveis).
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Balanço da COP21. Parte II: Urgência não pode ser apenas uma palavra
Neste artigo dou prosseguimento à análise iniciada no anterior, a Parte I, em que centrei no aspecto das contradições entre o objetivo anunciado de limitar o aquecimento global a uma anomalia de temperatura "muito abaixo de 2°C" ou mesmo de no máximo 1,5°C acima dos valores médios pré-industriais e a falta de definições claras de como cumprir tal objetivo. Como mostrarei, apesar de proclamadas a urgência e a gravidade da situação, o Acordo de Paris não é condizente com o evidente quadro de emergência climática e com a necessidade de compensarmos pelo enorme atraso no início das medidas necessárias para evitar um caos climático completo.quarta-feira, 16 de dezembro de 2015
Balanço da COP21. Parte I: 1,5°C no Acordo de Paris.
| O clima está na UTI |
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
O Irrelevante, o Insuficiente e o Necessário. Parte I: Obama.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Vem aí a Marcha do Clima!
Ano passado, quase 400 mil pessoas marcharam nas ruas de Nova Iorque às vésperas de uma reunião da ONU, preparatória para a COP-20, que iria se realizar em Lima. Outras manifestações aconteceram em diversas outras cidades do mundo, da Europa à Austrália, da Ásia à América Latina. Foi uma evidência clara de que a luta contra as mudanças climáticas não é mais apenas o brado de meia dúzia de cientistas e ambientalistas contra um inimigo invisível e algo que não diga respeito à grande maioria da população. E como tudo indica que o "movimento climático" irá crescer, isto é algo que certamente vai incomodar as corporações ligadas direta ou indiretamente à extração e uso de combustíveis fósseis (petroquímicas, mineradoras empresas de energia, montadoras de automóveis e, claro, os bancos que as financiam) e responsáveis por outras emissões de gases de efeito estufa, como o agronegócio. Até porque é comum que a massificação das mobilizações tenha relação forte com a presença de indígenas, populações da zona costeira, atingidos por eventos extremos, a juventude e outros setores mais vulneráveis e impactados e, portanto, em conflito com tais segmentos do capital. Quem acha que a luta contra as mudanças climáticas é "coisa de pequeno-burguês" é porque nunca esteve com um agricultor do sertão que sabe o que significa mais calor e mais seca, ou com um indígena que percebe, já, o desequilíbrio do ambiente em sua volta, ou do jovem e o/a trabalhador/a da cidade pequena que já sofre com desabastecimento de água, ou com o pescador que teve sua pequena casa destruída pelo avanço do mar ou com a marisqueira que não consegue mais apanhar o marisco que lhe dava sustento.
Quero destacar, na construção desse movimento, o seu caráter eminentemente internacional, planetário, e ao mesmo tempo aberto e horizontal, uma ampla avenida para debater que tipo de transformação social e política de fato precisamos. Abaixo, reproduzimos artigo de Ricken Patel, da Avaaz, publicado no periódico britânico "The Guardian", em que ele faz uma caracterização e convocação da "People's Climate March", que poderíamos traduzir como "Marcha Popular do Clima" ou "Marcha do Povo pelo Clima".
Quero destacar, na construção desse movimento, o seu caráter eminentemente internacional, planetário, e ao mesmo tempo aberto e horizontal, uma ampla avenida para debater que tipo de transformação social e política de fato precisamos. Abaixo, reproduzimos artigo de Ricken Patel, da Avaaz, publicado no periódico britânico "The Guardian", em que ele faz uma caracterização e convocação da "People's Climate March", que poderíamos traduzir como "Marcha Popular do Clima" ou "Marcha do Povo pelo Clima".
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
"Saldo de Carbono" negativo: Com 400 ppm de CO2 já adentramos a zona de perigo.
domingo, 21 de junho de 2015
Uma Encíclica Sacode o Mundo. Parte I - A força da Ciência do Clima na nova encíclica papal
| "O Clima é um bem comum", diz a encíclica "Laudato Si", de autoria do Papa Francisco. |
Chega a ser quase impossível proceder a uma análise mais detalhada do documento através de um único artigo, então este será apenas o primeiro de uma série. Aqui, neste primeiro, a preocupação maior está em mostrar como a encíclica está corretamente alinhada com a Ciência do Clima, não apenas nos aspectos mais "duros", isto é: na realidade do aquecimento global e de seu vínculo com as emissões humanas de gases de efeito estufa, mas também nas consequências socioambientais, analisadas também em estudos interdisciplinares, para além das bases físicas das mudanças climáticas, responsabilidade do "grupo de trabalho I" do IPCC, e que compõem o escopo da contribuição dos grupos II e III aos relatórios do Painel. Esse alinhamento, como veremos, confere uma força enorme ao documento papal, algo que, segundo alguns, pode ter sido facilitado pelo grau de Mestre em Química do Papa Francisco (sim, isso mesmo, ele é graduado e mestre em Química pela Universidade de Buenos Aires).
domingo, 14 de junho de 2015
Índia: 2000 mortes... ou assassinatos?
| O asfalto escoa como líquido, o que é deixado claro por meio da deformação na sinalização horizontal. Fonte da foto: ABC. |
Mas o que aconteceu na Índia há alguns dias está longe de poder ser considerado "normal". Na maior parte do país, a temperatura máxima durante o dia (que, medida pelas estações meteorológicas, corresponde à temperatura do ar propriamente dita, à altura de 2 metros) excedeu 40°C, tendo chegado a mais de 45 graus em grandes extensões e ultrapassado os 47 em algumas localidades.
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Acorrentados. Mas até quando?
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| Chiara D'Angelo segura o cartaz: "Salve o Ártico". |
sexta-feira, 8 de maio de 2015
400 ppm de CO2: a Atmosfera da Terra como Lata de Lixo do Capital
Terra: ajuste
delicado
Com exceção de um ou outro astronauta, a grande maioria de
nós vive, do primeiro ao último dia de vida, imerso nesta delgada película de
ar que recobre a Terra: a atmosfera. Além de garantir-nos o oxigênio que
respiramos e usamos para retirar energia dos alimentos e, graças à presença de
ozônio em suas camadas superiores, nos proteger da radiação ultravioleta com
que o Sol bombardeia o planeta, a atmosfera cumpre também um papel regulador do
clima, graças ao chamado “efeito estufa”.
Exercido por gases minoritários na atmosfera terrestre
(vapor d’água, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso), o efeito estufa é
fundamental para o clima ameno da Terra, assegurando a ocorrência de água em
estado líquido e, portanto, garantindo as próprias condições de existência da
vida como a conhecemos. Sem esse efeito, a Terra seria nada mais que uma esfera
congelada e árida; com efeito estufa em demasia, seus oceanos poderiam ferver
deixando para trás uma paisagem infernal como a do planeta vizinho, Vênus,
recoberto por nuvens de ácido sulfúrico e onde o chumbo escoa, em estado
líquido, em sua superfície causticante. É um ajuste delicado, do qual
dependemos.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Dia da Terra e década decisiva para o clima
| Por que um "Dia da Terra"? |
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Copo "meio cheio" não salva uma casa em chamas
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