| Ministro da Agricultura Blairo Maggi dando um tchauzinho para o clima. Foto: Estadão. |
A frase que dá nome a este blog foi proferida por Jim Hansen, pesquisador senior da NASA, preso num protesto em frente à Casa Branca. Refere-se à necessidade de que os cientistas do clima comuniquem à sociedade seus conhecimentos pois estes se relacionam a questões cruciais para o futuro do gênero humano e da vida no planeta. O megafone da foto simboliza essa atitude de falar sobre o risco climático em voz alta, de forma enfática e com o maior alcance possível.
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Maggi: um ruralista pra lá de Marrakech
domingo, 23 de agosto de 2015
Lutamos pelo Clima! Lutamos pelo Futuro!
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| Juventude disposta a lutar em defesa do clima e do futuro |
Os últimos dias foram muito intensos para mim no que diz respeito ao debate climático junto à sociedade. Na quarta-feira, 19/08, estava dialogando com a juventude da periferia sobre "Clima e Água", no Liceu de Messejana, em atividade do Coletivo Socioambiental (constituído de moradores/as dos bairros do Jangurussu e Palmeiras e arredores, aqui em Fortaleza). No dia seguinte, foi a vez das companheiras e dos companheiros do MST, com quem discuti mudanças climáticas e seus impactos no semi-árido, seca, crise hídrica e modelo de desenvolvimento. Ainda na quinta-feira (20/08), tive a oportunidade de falar na Rádio OPovo, ao lado dos colegas de academia Prof. Aécio de Oliveira (Economia Ecológica/UFC) e Jeovah Meireles (Geografia/UFC), numa prévia do excelente debate que travamos dois dias depois.
quarta-feira, 12 de agosto de 2015
Vem aí a Marcha do Clima!
Ano passado, quase 400 mil pessoas marcharam nas ruas de Nova Iorque às vésperas de uma reunião da ONU, preparatória para a COP-20, que iria se realizar em Lima. Outras manifestações aconteceram em diversas outras cidades do mundo, da Europa à Austrália, da Ásia à América Latina. Foi uma evidência clara de que a luta contra as mudanças climáticas não é mais apenas o brado de meia dúzia de cientistas e ambientalistas contra um inimigo invisível e algo que não diga respeito à grande maioria da população. E como tudo indica que o "movimento climático" irá crescer, isto é algo que certamente vai incomodar as corporações ligadas direta ou indiretamente à extração e uso de combustíveis fósseis (petroquímicas, mineradoras empresas de energia, montadoras de automóveis e, claro, os bancos que as financiam) e responsáveis por outras emissões de gases de efeito estufa, como o agronegócio. Até porque é comum que a massificação das mobilizações tenha relação forte com a presença de indígenas, populações da zona costeira, atingidos por eventos extremos, a juventude e outros setores mais vulneráveis e impactados e, portanto, em conflito com tais segmentos do capital. Quem acha que a luta contra as mudanças climáticas é "coisa de pequeno-burguês" é porque nunca esteve com um agricultor do sertão que sabe o que significa mais calor e mais seca, ou com um indígena que percebe, já, o desequilíbrio do ambiente em sua volta, ou do jovem e o/a trabalhador/a da cidade pequena que já sofre com desabastecimento de água, ou com o pescador que teve sua pequena casa destruída pelo avanço do mar ou com a marisqueira que não consegue mais apanhar o marisco que lhe dava sustento.
Quero destacar, na construção desse movimento, o seu caráter eminentemente internacional, planetário, e ao mesmo tempo aberto e horizontal, uma ampla avenida para debater que tipo de transformação social e política de fato precisamos. Abaixo, reproduzimos artigo de Ricken Patel, da Avaaz, publicado no periódico britânico "The Guardian", em que ele faz uma caracterização e convocação da "People's Climate March", que poderíamos traduzir como "Marcha Popular do Clima" ou "Marcha do Povo pelo Clima".
Quero destacar, na construção desse movimento, o seu caráter eminentemente internacional, planetário, e ao mesmo tempo aberto e horizontal, uma ampla avenida para debater que tipo de transformação social e política de fato precisamos. Abaixo, reproduzimos artigo de Ricken Patel, da Avaaz, publicado no periódico britânico "The Guardian", em que ele faz uma caracterização e convocação da "People's Climate March", que poderíamos traduzir como "Marcha Popular do Clima" ou "Marcha do Povo pelo Clima".
quinta-feira, 3 de abril de 2014
IPCC reconhece desigualdade como chave para o risco climático. Mas é preciso ir muito além.
No ano passado, o Painel Intergovernamental sobre Mudança
Climática (o IPCC, da sigla em inglês) deu início à divulgação do seu 5º
Relatório de Avaliação (ou AR5), começando pelo trabalho do “Grupo I”, que
trata das bases físicas da mudança no clima. Esta semana, essa divulgação teve
continuidade, com a publicação do Sumário dos trabalhos do “Grupo II”, que lida
com “impactos, adaptação e vulnerabilidade”.
É comum a esquerda negligenciar esta
temática. Mas isso é um grave erro. Entendemos que é central buscar respostas à
questão da crise ecológica em geral (e da crise climática em particular); é
crucial para os pobres, os trabalhadores do campo e da cidade, os indígenas, enfim, para os oprimidos e explorados no século XXI. Afinal, a luta por evitar um
desfecho catastrófico para essa crise engendrada pelo capitalismo é a luta para
salvaguardar as condições materiais para sobrevivência, com dignidade, do
gênero humano.
quinta-feira, 27 de março de 2014
De 400 ppm a Amarildo
| Família de Amarildo Dias e Sousa |
14 de julho de 2013: Amarildo Dias de Sousa, brasileiro, ajudante de pedreiro, casado com Elizabeth Gomes da Silva, pai de seis filhos, desaparece, após ser detido pela PM na Favela da Rocinha.
Como dois fatos tão distintos e aparentemente desconexos na verdade se articulam?
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
Ética Geracional e "Happy Hour", Direitos Humanos e Movimentos Sociais
Imagine a seguinte situação, caro leitor: dois amigos seus, ou amigas, deixam o local de trabalho naquilo que é conhecido como "happy hour" e se dirigem a uma churrascaria. Assim como você, várias outras pessoas acertam que se encontrarão por lá, mas que não irão imediatamente. As duas pessoas que chegaram primeiro ao lugar combinado, desde o princípio se põem a consumir. Carne, petiscos diversos, chopp, cerveja, uísque... Você é o quinto a chegar (um casal já havia se somado às duas primeiras pessoas) e percebe que, logo após sua chegada, um dos que ocupavam a mesa simplesmente desapareceu. Pouco depois, tempo suficiente para chegarem outras três pessoas, você se dá conta de que o segundo ocupante original da mesa também saiu de fininho. Eis que, passados mais alguns minutos, o casal chama o garçon e deixa com ele um determinado valor em dinheiro. Você olha de esguelha e percebe que o valor deixado é claramente inferior ao consumo, mas, constrangido, não se manifesta. Pouco depois do momento em que chegaram os dois últimos convidados, você e os três restantes já haviam decidido encerrar a farra. Os quatro deixam a mesa, desta vez com contribuições mais próximas ao que realmente consumiram, mas os dois últimos, desavisados, que mal desfrutaram do lugar, não tardam a descobrir que herdaram uma conta enorme de três "gerações" de "farristas". E pagam, pois a churrascaria não quer saber disso. Lindo, não? Então fique sabendo que o papel prestado pela geração atual (óbvio que principalmente pelos mais abastados, mas extensivo em diferentes graus a toda aquela que se convencionou chamar "sociedade de consumo") é idêntico aos do par de caloteiros. Sendo que o calote está sendo aplicado sobre os jovens e crianças de hoje em dia, sobre as próximas gerações, sobre (caso você já seja mãe, pai, avô ou avó) seus próprios filhos e netos.
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