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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Viagem ao Mundo de 400 ppm

Abril de 2014: a média mensal, bem como todas as médias
semanais e medidas diárias em Mauna Loa, sítio de medidas
de CO2 que funciona desde 1958, acima de 400 ppm, fato
absolutamente inédito (quando as medidas se iniciaram, os
valores giravam em torno de meros 315 ppm).
Os dados de Mauna Loa (disponíveis no site do Scripps e no site da NOAA) estão a cada dia com "cara mais feia". A medida diária recorde ainda é de 01/05/2014: 403,1 partes por milhão (ppm), mas tem tudo para ser batido. Também deve ser superada a média mensal de Abril (401,3 ppm), já que a média mensal de CO2 neste mês de Maio será, com certeza, novo recorde, provavelmente acima de 402,5 ppm. É quase certo também que, este ano, teremos 3 meses com concentração de CO2 acima de 400 ppm, pois o mês de Junho deve fechar com algo em torno de 401,5 ppm (em Abril, já tivemos média de 401,3 ppm).

Em Julho, seguindo o ciclo anual, essa concentração deve descer abaixo de 400 ppm, para fechar, ao fim de 2014, numa média anual recorde próximo a 399 ppm (ou até acima!). 2015, assim, deverá ser o primeiro ano para o qual a média deverá superar 400 ppm.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Bomba-relógio: o tique-taque acelerado das mudanças climáticas


Recentemente, alguns textos têm circulado, nas mídias alternativas, acerca da justeza das projeções apresentadas pelo IPCC desde os anos 90 para o que era, então, o futuro próximo, e viria a ser, hoje, o nosso presente. Alguns, como este, destacam que as projeções de aquecimento global se confirmaram. Outros, como o texto de James Hansen, em sua versão traduzida, destacam aquilo que mais me preocupa, que é o ritmo alarmante de certas mudanças, que têm sido detectadas no sistema climático na escala de anos.

Distribuição do calor excedente no sistema climático terrestre,
com base nos dados do IPCC. Figura adaptada a partir de
http://www.skepticalscience.com/graphics.php?g=12.
Os sinais mais alarmantes, ao meu ver, estão relacionados a outras variáveis do sistema climático que não a média da temperatura global na superfície. Na realidade, como o planeta e principalmente seus oceanos são tridimensionais, o calor acumulado pelo efeito estufa mais intenso não se distribui homogeneamente e, por vezes, pela própria dinâmica do sistema climático, pode dar preferência ora para uma parte desse sistema, ora para outro. Por exemplo, é possível que parte do calor retido na Terra durante alguns anos se acumule na porção superior do oceano, sendo transmitido depois para a atmosfera. Noutros momentos, é possível que a circulação oceânica mais profunda redistribua esse calor, transportando-o através de suas correntes para regiões remotas do planeta, vindo, em algum momento, a se manifestar de forma mais clara no derretimento do gelo das calotas polares. O quarto relatório do IPCC, por sinal, identifica de forma muito evidente que os oceanos são o principal coletor desse excedente de calor. Os resultados originalmente mostrados nesse relatório são mostrados, de forma mais simples, na figura acima.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Mudanças Climáticas: "Sorte" e Desigualdade na Verdadeira Era dos Extremos


Num dos primeiros dias da COP-18, no Qatar, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, da sigla em inglês) fez uma apresentação do seu relatório especial, o SREX, destinado ao gerenciamento de risco de eventos extremos e desastres para adaptação às mudanças climáticas. Como todo material do IPCC, o SREX está disponível ao público por intermédio deste link.

Imagem de satélite de Sandy, em 29 de Oubtubro de 2012
Eventos extremos são aqueles que não ocorrem ordinariamente e incluem uma variedade de fenômenos. Aqueles ligados aos processos climáticos incluem secas severas, tempestades intensas, furacões, cheias, ondas de calor, etc. Algumas perguntas geralmente feitas são: a ocorrência desses fenômenos se tornou mais frequente? Eles se tornaram mais intensos? Como eles devem mudar em um clima mais aquecido? Que mecanismos físicos estão por trás dessas mudanças? Eventos como o furacão Sandy são causados pelas mudanças climáticas?

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