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| Capa do número 500 da Revista do Instituto Humanitas Usininos - IHU |
A frase que dá nome a este blog foi proferida por Jim Hansen, pesquisador senior da NASA, preso num protesto em frente à Casa Branca. Refere-se à necessidade de que os cientistas do clima comuniquem à sociedade seus conhecimentos pois estes se relacionam a questões cruciais para o futuro do gênero humano e da vida no planeta. O megafone da foto simboliza essa atitude de falar sobre o risco climático em voz alta, de forma enfática e com o maior alcance possível.
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terça-feira, 14 de março de 2017
"A fábrica de ilusões que leva ao colapso civilizacional" - Entrevista ao IHU
sábado, 21 de março de 2015
Depois dos Achacadores, os Açaimadores... do Clima
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| Obra de Marcus Schinwald: Grita (2010) |
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Para. Para tudo. Já.
Uma das maiores panacéias que vêm sendo vendidas à sociedade brasileira é que a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia irá nos assegurar segurança energética no futuro. Há também toda uma chantagem do tipo "ou isso ou as termelétricas", estas, que seriam apenas uma reserva energética mas que estão literalmente a todo vapor e a todo CO2, além de levarem a um aumento no valor médio da tarifa. A ostensiva campanha em torno de Belo Monte, Jirau e outros belos monstros anestesia grande parte da sociedade brasileira, que prefere ver os povos indígenas do Xingu e do Tapajós completamente extintos a trocarem seu chuveiro elétrico por um sistema de aquecimento solar de água (calma... de que água mesmo estamos falando?).
quarta-feira, 7 de janeiro de 2015
Contra o Negacionismo Oficial: é preciso defender a Ciência brasileira
Dois textos de autoria do agora ministro são duas verdadeiras pérolas de ignorância relativa à ciência do clima, ao mesmo tempo em que se caracterizam pelo acentuado grau de arrogância. O primeiro e mais importante, é o relatório que Aldo Rebelo preparou para alterar profundamente o Código Florestal. Dentre outras coisas (como tratar "o homem como o único ser vivo dotado de consciência e inteligência, capaz de interagir com a natureza e de transformá-la"), sua visão da Amazônia é assustadora, como se vê na passagem a seguir (parte de uma extensa citação de um livro do geógrafo Josué de Castro, publicado em 1946 e que Aldo Rebelo reivindica como correta...):
domingo, 24 de fevereiro de 2013
SBPC: como o Clima Global e o Balanço de Carbono desapareceram entre o Código Florestal e Pré-Sal
O Brasil, segundo dados do próprio governo, detém 516 milhões de hectares de florestas. É uma área bastante generosa, bem maior do que os 24,2 milhões de hectares, segundo a Empraba, que temos de soja plantada em nosso território (na verdade, 21,3 vezes maior, para ser exato). A produtividade da soja, segundo a Embrapa, no mesmo site, é 3106 kg/ha (quilogramas por hectare) e a cotação da soja, segundo o insuspeito site "Notícias Agrícolas", gira em torno de R$ 1000,00 por tonelada, ou seja uma relação de um para um entre real e quilograma.
Uma conta que pode ser feita (e deve, para assustar) é: extrapolando esses valores, admitindo que toda a área de floresta no Brasil fosse substituída por plantação de soja, quais as cifras (ou melhor, cifrões) a que chegaríamos? Vamos lá... Multiplicando R$ 3106,00/ha por 516 milhões de hectares, e usando a cotação de U$ 1 = R$ 1,97 chegamos à marca de U$ 814 bilhões, o equivalente a mais de um terço do PIB brasileiro, de U$ 2,3 trilhões. A cada safra. A cada ano. Um PIB inteiro a cada três anos! Mas guardemos esse resultado... Claro, para escaparmos do argumento de que uma oferta muito grande da soja derrubaria seu preço nos mercados internacionais, se poderia pensar em devastar "apenas" 10% das florestas e faturar com a soja durante 30 anos...
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Não existe pecado do lado de baixo do equador. Em compensação, calor...
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| Percentis de temperatura para Janeiro de 2013. Fonte: State of the Climate (NOAA), em http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/2013/1 |
Na última vez em que a média global de temperatura ficou abaixo da média, Mikhail Gorbachev havia acabado de assumir o cargo de Secretário-Geral do PCUS (o Partido Comunista da União Soviética). Nelson Mandela estava na cadeia e a África do Sul havia acabado de liberar os "casamentos interraciais" (sim... nos remete à luta dos homossexuais pelo casamento igualitário nos dias de hoje). Tancredo Neves havia sido escolhido presidente do Brasil por meio de eleições indiretas num Colégio Eleitoral.
Faltavam ainda quatro anos para a queda do Muro de Berlim e para a realização de eleições presidenciais no Brasil pela primeira vez desde o golpe militar de 1964. Nessas eleições, se deu o lançamento da primeira candidatura à presidência por parte de Luís Inácio Lula da Silva, um Lula bastante diferente daquele dos dias de hoje, acreditem...
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Rumo a 4 graus? Estão rindo de quê?
Neste post, quero chamar a atenção, dentre outros pontos, para um artigo de autoria de Richard Betts e colaboradores, recentemente publicado no Philosophical Transactions of the Royal Society, cujo título é "When could global warming reach 4°C?"
Apesar de, especialmente acima de 3 graus de aquecimento, as incertezas nos impactos crescerem, sabe-se que um planeta 4 graus acima da era pré-industrial (mais de 3 graus mais quente do que o presente) é virtualmente irreconhecível. O primeiro ponto diz respeito a tempestades mais intensas. Uma atmosfera mais quente permite a presença de uma maior quantidade de vapor d'água, o que tem o efeito, como discutimos em outro momento, de amplificar a intensidade de tempestades, furacões e outros fenômenos extremos. O segundo se remete às geleiras. Como se sabe as projeções de degelo tem sido profundamente conservadoras, subestimando o que de fato tem acontecido (como já mostramos, o recorde de degelo no Ártico em 2012 aconteceu com mais de duas décadas de antecipação em relação à projeção mais "pessimista" e cerca de 50 anos antes do que a média dos "modelos do IPCC" previu, quando do quarto relatório).
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Bomba-relógio: o tique-taque acelerado das mudanças climáticas
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| Distribuição do calor excedente no sistema climático terrestre, com base nos dados do IPCC. Figura adaptada a partir de http://www.skepticalscience.com/graphics.php?g=12. |
Os sinais mais alarmantes, ao meu ver, estão relacionados a outras variáveis do sistema climático que não a média da temperatura global na superfície. Na realidade, como o planeta e principalmente seus oceanos são tridimensionais, o calor acumulado pelo efeito estufa mais intenso não se distribui homogeneamente e, por vezes, pela própria dinâmica do sistema climático, pode dar preferência ora para uma parte desse sistema, ora para outro. Por exemplo, é possível que parte do calor retido na Terra durante alguns anos se acumule na porção superior do oceano, sendo transmitido depois para a atmosfera. Noutros momentos, é possível que a circulação oceânica mais profunda redistribua esse calor, transportando-o através de suas correntes para regiões remotas do planeta, vindo, em algum momento, a se manifestar de forma mais clara no derretimento do gelo das calotas polares. O quarto relatório do IPCC, por sinal, identifica de forma muito evidente que os oceanos são o principal coletor desse excedente de calor. Os resultados originalmente mostrados nesse relatório são mostrados, de forma mais simples, na figura acima.
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