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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Segue o Seco

Carcaças de cágados no piso do açude do Cedro (Quixadá),
inteiramente seco. Foto: Hugo Fernandes Ferreira
"Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
Sem sacar que o espinho é seco
Sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino seca"

(Carlinhos Brown)

(*) Este artigo foi originalmente publicado no site do Observatório do Clima

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Porque somos contra o Incentivo Fiscal para Termelétricas no Ceará

Anúncio de racionamento de água em Fortaleza reflete combi-
nação de seca histórica (possivelmente associada às mudan-
ças climáticas globais) com gestão desastrosa dos recursos
hídricos, que privilegiou o fornecimento de água para grandes
empreendimentos no Ceará, incluindo termelétricas.
Este texto foi elaborado em meio a um forte embate contra uma proposição apresentada pelo Governo do Estado do Ceará, de reduzir o ICMS para o gás natural para novas termelétricas. O lamentável projeto foi, apesar de muita pressão que levou a adiamentos indesejados para o Sr. Camilo Santana e para os grupos econômicos diretamente interessados, aprovado no mês passado. É possível que a demora tenha efetivamente contribuído para que o projeto de nova termelétrica que estava inscrito no leilão de energia de 2016 não tenha mais aparecido na listagem de projetos habilitados. No entanto, como esta é uma batalha longa e o texto contém informações relevantes e links com mais informação, resolvemos trazê-lo para o blog. Até porque Fortaleza teve racionamento de água anunciado e é preciso manter o combate ao funcionamento dessas empresas sedentas, poluentes e emissoras no estado do Ceará, contexto em que movimentos sociais, como o "Ceará no Clima" devem oferecer resistência.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Mudanças Climáticas e Água: de Crise a Colapso

Revista "Água para quem precisa: direito humano e
suporte à vida". Disponível neste link.
Este artigo foi publicado, junto com vários outros, de vários colegas do Ceará, na revista "Água para quem precisa: direito humano e suporte à vida", publicada por iniciativa dos mandatos do deputado estadual Renato Roseno e do vereador João Alfredo e disponibilizada através deste link.

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Introdução

Recentemente, o Brasil foi (e segue, apesar da estação chuvosa) assolado por condições extremas de seca, com consequente crise de abastecimento em numerosas cidades do Nordeste e do Sudeste. No início do mês de março, o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, admitira como “crítica” a situação dos reservatórios no Nordeste e no Sudeste. Nas palavras do próprio Occhi, "identificamos 56 cidades que hoje estão em colapso, sendo atendidas pelas prefeituras ou pelos governos estaduais. Nenhuma dessas é atendida pelo governo federal, mas como a situação está se ampliando, o governo federal pediu um levantamento e nós podemos chegar, dentro de uma avaliação, ao número de 105 cidades que estão ou poderão estar em colapso”. O levantamento daquele momento do ministério, para o Nordeste, indicava que os estados mais atingidos eram, pela ordem de número de municípios em tais condições, Ceará (23), Paraíba (15), Rio Grande do Norte (9), Bahia (5), Alagoas (2) e Pernambuco (2), conforme informações do Portal G1 [1] e da página do Jornal do Brasil na internet [2].

sexta-feira, 27 de março de 2015

Água e Clima: Muito a comunicar, Muito por lutar

"Colapso Hídrico e Ecossocialismo". Na mesa, a partir da es-
querda, eu, Prof. Alexandre Pessoa, Deputado Estadual Flávio
Serafini, Vereador Renato Cinco, Profa. Flávia Braga e Prof.
Carlos Vainer.
Reproduzo aqui meu artigo publicado no site da Fundação Lauro Campos, por ocasião do Dia Mundial da Água e aproveito para falar de outras atividades que tenho desenvolvido. É que a agenda das últimas semanas têm sido bastante intensa. No início do mês estive em Canindé para uma reunião e em Santa Quitéria para uma palestra. No Dia 16/03, Dia Nacional de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, me fiz presente em Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Ceará, onde tive oportunidade de mostrar à Presidente da Comissão de Meio-Ambiente e ao Secretário do governo estadual e a todos/as presentesos dados absurdos de emissões de CO2 e consumo de água por uma única termelétrica, para na sequência seguir ao Labomar, instituto vinculado à Universidade Federal do Ceará, para uma palestra no evento "Crise Hídrica: a gota d'água!". No Dia 21/03, participei de debate na FM Universitária (um encontro emocionante de ciência com poesia, ao lado de Henrique Beltrão e João Figueiredo), cujo áudio está disponível online e em mesa, em evento do RUA-Juventude Anticapitalista junto com a liderança indígena Clécia Pitaguary. Três dias depois, integrantes do Fórum Ceará no Clima fizemos uma tentativa de entrega da petição contra o subsídio da água para a UTE-Pecém e visitei minha eterna casa, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (pertenci aos quadros da instituição por mais de uma década e meia e hoje vários dos estudantes que foram orientados por mim estão vinculados a ela), para palestrar sobre o Dia Meteorológico Mundial com o tema "Clima: Conhecer para Agir". E a agenda segue, ontem e hoje no Rio de Janeiro (ontem, ocorreu a mesa "Colapso Hídrico e Ecossocialismo", no Plenário da Câmara Municipal). Oxalá seja um sinal de que o debate ambiental e as profundas (e incômodas, reconheço) reflexões que ele traz para as esferas econômica e política estejam deixando de ser objeto de preocupação de meia dúzia.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Entrevista à "Vírus Planetário"


Recentemente fui convidado pela equipe da Vírus Planetário, um bom veículo de mídia alternativa que está também abrindo cada vez mais espaço para a pauta ambiental. O mote é o caos climático e o balanço da COP20, em Lima, mas, ainda que ela não tivesse atingido ainda a profundidade do momento atual, a crise hídrica também entrou em pauta. Agradeço de público à equipe da Vírus e espero que, através dela, o público possa ter cada vez mais acesso a informações ligadas a essa temática.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Refinaria: porque comemorar a sua não vinda!

Capa de um dos principais jornais cearenses a respeito
da decisão da Petrobrás. Muito pior seria chorar por
um óleo derramado. A não-vinda da Refinaria é, pelo
contrário, motivo para comemorar!
As lamúrias em torno do anúncio, por parte da Petrobrás, de que não daria continuidade ao projeto da Refinaria Premium II, levou praticamente toda a grande mídia local (como o Jornal OPOVO, cuja capa é mostrada ao lado) e políticos (como Tasso Jereissati) visceralmente alinhados aos interesses dos mais ricos em nosso estado a um queixume em coro uníssono  (isso para não falar das próprias declarações do governador cearense Camilo Santana).

Sem que isto represente de minha parte nenhuma solidariedade ao governo federal e estadual, que propagandearam a refinaria, iludiram e capitalizaram em cima da promessa, para mim há algo muito mais importante em jogo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Para. Para tudo. Já.

Uma das maiores panacéias que vêm sendo vendidas à sociedade brasileira é que a construção de grandes hidrelétricas na Amazônia irá nos assegurar segurança energética no futuro. Há também toda uma chantagem do tipo "ou isso ou as termelétricas", estas, que seriam apenas uma reserva energética mas que estão literalmente a todo vapor e a todo CO2, além de levarem a um aumento no valor médio da tarifa. A ostensiva campanha em torno de Belo Monte, Jirau e outros belos monstros anestesia grande parte da sociedade brasileira, que prefere ver os povos indígenas do Xingu e do Tapajós completamente extintos a trocarem seu chuveiro elétrico por um sistema de aquecimento solar de água (calma... de que água mesmo estamos falando?).

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O Quinze 2.0 exige resposta: Água para Quem?

Quase 2/3 de chance de chuvas abaixo do normal. Chega de
ilusões. É preciso encarar de forma cristalina como água limpa
a questão fundamental: ÁGUA PARA QUEM?
Probabilidade é probabilidade. Previsões têm sempre incertezas. Mas não dá para tapar o sol (nem o CO2 extra na atmosfera, nem a água que evapora loucamente no calor) com a peneira. O sinal de previsão da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), de chance de 64% de chuvas abaixo da média, é muito forte para ser desprezado. Especialmente quando até um ano normal dificilmente iria aliviar a situação de seca e recarregar os reservatórios, algo que só aconteceria num ano de chuvas acima do normal.

Há alguns anos, já venho alertando para as consequências da crise climática, que seriam mais graves e mais profundas. Já cansei de repetir que é inaceitável sustentar, no semi-árido, atividades econômicas intensivas como o agronegócio de fruticultura irrigada e uma termelétrica a carvão (haja CO2) que sozinha consome quase 1000 litros de água a cada segundo (ou três milhões e meio de litros de água por hora, o que seria suficiente para abastecer mais de meio milhão de pessoas!). Isso foi feito em diversos artigos, como este, publicado no presente blog, ou este, publicado na grande imprensa e em diversos pronunciamentos junto a movimentos sociais.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Publicado pelo OPOVO: "Não basta banho curto, nem reza para São Pedro"

Em intervenção realizada na Praça do Ferreira, promovida pelo
Fórum aberto "Ceará no Clima".
Nesta terça-feira, 09 de dezembro, o jornal OPOVO publicou um artigo enviado para lá de minha autoria, que republico aqui em meu blog.

Para entender melhor o contexto, recomendo a leitura de duas outras publicações do mesmo veículo de comunicação: a primeira, artigo assinado pelo vereador de Fortaleza Acrísio Sena; a segunda, matéria do próprio jornal, em que Camilo Santana, governador eleito do estado do Ceará, declara seu apoio (e, portanto, provável continuidade) à política de recursos hídricos de seu antecessor, Cid Gomes, perdendo-se, porém, no populismo, ao revelar rezar diariamente para São Pedro para que caiam chuvas sobre o estado.

Segue o artigo:
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sábado, 6 de dezembro de 2014

Quinze 2.0: Reservatórios cearenses continuam a secar

Imagem de satélite, destacando a Zona de Convergência
Intertropical, que, quando posicionada mais ao sul, produz
chuvas sobre o norte do Nordeste Brasileiro.
Com raras exceções (como foi o caso de 2004, em que um sistema de vórtice permaneceu praticamente estacionário sobre o estado por vários dias), a maior parte dos reservatórios do Ceará não costuma acumular quantidades significativas de água durante o período da chamada pré-estação (dezembro e janeiro). Em determinadas circunstâncias, somente em plena estação chuvosa é que a tendência ao declínio (por consumo, evaporação e outras perdas) se reverte e, em alguns casos de anos secos, mesmo no período mais chuvoso (março e abril, quando predomina a influência da Zona de Convergência Intertropical), isso sequer acontece, havendo apenas uma estabilização do volume armazenado ou uma desaceleração do ritmo de perdas.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Brasil Seco: o que a Superinteressante não mostrou. Parte II - A Entrevista de Deborah Danowski

Professora Deborah Danowski, do De-
partamento de Filosofia da PUC-RJ
A reportagem "O Brasil Secou" publicada pela Revista Superinteressante foi construída, em boa parte, com a contribuição de pesquisadores através de entrevistas. Estas constituem um material riquíssimo, do qual as menções na reportagem são apenas uma fração muito pequena. Como já publiquei a íntegra de minha entrevista, passo a palavra agora para a pesquisadora e filósofa Deborah Danowski, professora do Departamento de Filosofia da PUC-RJ e que publicou, recentemente, ao lado de seu companheiro Eduardo Viveiros de Castro, o livro "Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins". Uma das organizadoras do simpósio "Os Mil Nomes de Gaia", Deborah tem sido uma crítica profunda do modo de vida engendrado pelo capitalismo contemporâneo e confrontado sem meio-termo o negacionismo climático. Vejam o que ela diz sobre crise ecológica, mudanças climáticas e "fim do mundo"!

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O Quinze 2.0? Ataque da Hidra Ilógica sobre o Ceará

"(...) E se não fosse uma raiz de mucunã arrancada aqui e além, ou alguma batata-branca que a seca ensina a comer, teriam ficado todos pelo caminho, nessas estradas de barro ruivo, semeado de pedras, por onde eles trotavam trôpegos se arrastando e gemendo (...)"
(Rachel de Queiroz, em "O Quinze")

Açude Pentecoste, de grande porte, que
abastece a cidade de mesmo nome e no
qual a pesca era abundante hoje está com
apenas 1,7% da capacidade (dado do
Portal Hidrológico do Estado do Ceará)
e operando no volume morto.
Há pouco menos de um mês, a mídia começou a dar repercussão a algumas denúncias que estamos fazendo há muito tempo, sobre o escândalo da política de recursos hídricos no estado do Ceará, que chegou, nas eleições deste ano, incluindo o seu segundo turno, a ser citada como "modelo" em contraponto ao que todos e todas sabemos se tratar de um descalabro completo que é a gestão de Geraldo Alckmin em São Paulo. Nesse contexto, se insere uma matéria da Tribuna do Ceará, na qual sou mencionado, mas em que é dado muito mais destaque a réplicas nada verdadeiras por parte dos dirigentes da COGERH (Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos). Sinto-me na obrigação de contestar várias das informações que ali aparecem e fortalecer a denúncia que fiz. Afinal, a crise hidrológica aqui no Nordeste, ou em São Paulo, na China ou na Califórnia, é uma das vertentes da Crise Climática que, como bem colocou Rajendra Pachauri, principal dirigente do IPCC, atingirá mais cedo ou mais tarde a todo e qualquer ser humano (o próprio relatório do IPCC, como discutimos no nosso blog, é claro: os mais pobres são os mais vulneráveis e os impactos da mudança climática estão entrelaçados às diferenças sociais e às opressões de classe, de nação, de gênero, de etnia). As outras, vertente incluem os furacões e tufões mais severos, a acidificação dos oceanos, o degelo das calotas polares, tempestades e enchentes mais vigorosas, ondas de calor recorde, incêndios florestais em cada vez maiores proporções, etc.

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